A quinta-feira (23) trouxe uma rodada de ajustes técnicos no mercado financeiro global, devolvendo parte do otimismo registrado na sessão anterior. Após a forte alta do dia anterior, o Ibovespa fechou em queda de 0,46%, aos 176.723,62 pontos. Apesar desse recuo diário, motivado por um movimento natural de realização de lucros e pela maior cautela externa, a Bolsa brasileira acumula uma valorização de +2,73% no mês de julho.
A deterioração do ambiente internacional esteve no centro das atenções. O agravamento das tensões no Oriente Médio impulsionou o preço do petróleo do tipo Brent de volta ao patamar dos US$ 100 o barril, reacendendo os temores de inflação global a uma semana da decisão de juros do Federal Reserve. Em Wall Street, a frustração com os balanços e as elevadas projeções de gastos das gigantes de tecnologia provocaram uma forte queda nas bolsas americanas. Como reflexo desse cenário de aversão ao risco, o dólar comercial fechou em alta, interrompendo uma sequência de três baixas, enquanto os juros futuros (DIs) registraram avanço firme por toda a curva. Esse ambiente de volatilidade reforça a necessidade de disciplina técnica na gestão dos ativos previdenciários. Convido você a acompanhar na íntegra as notícias e análises estratégicas nas seções a seguir.
Olhar Global – Petróleo atinge US$ 100 e balanços de tecnologia provocam forte queda em Wall Street
O cenário internacional enfrentou uma sessão de forte aversão ao risco. O principal combustível para a cautela dos investidores veio do mercado de commodities: o petróleo do tipo Brent voltou a superar a marca de US$ 100 por barril com a continuidade dos ataques no Golfo e os desdobramentos navais no Mar Vermelho. A disparada nos preços da energia renova a preocupação de que a inflação global permaneça elevada por mais tempo, colocando pressão sobre os bancos centrais. O Banco Central Europeu (BCE) manteve suas taxas de juros inalteradas na reunião de ontem, mas sinalizou atenção aos custos energéticos.
Em Wall Street, o clima azedou com a divulgação dos resultados trimestrais de grandes empresas de tecnologia. A Alphabet (controladora do Google) elevou sua estimativa de investimentos em Inteligência Artificial para até US$ 205 bilhões em 2026, acendendo o sinal de alerta dos investidores sobre o prazo para que esse volume de gastos se traduza em retorno financeiro. Ao mesmo tempo, a Tesla reportou lucros abaixo do esperado e a IBM reduziu sua projeção de receita anual, deflagrando uma onda de vendas no setor. No campo político e fiscal norte-americano, enquanto a Câmara aprovou uma resolução simbólica pedindo a suspensão de ações militares contra o Irã, a ex-secretária do Tesouro Janet Yellen alertou durante evento no Brasil sobre o aumento dos riscos de dominância fiscal nos EUA.
O índice Dow Jones caiu 0,97% (51.711,29 pontos)
O S&P 500 recuou 1,21% (7.408,15 pontos)
O Nasdaq teve queda de 2,15% (25.137,69 pontos)
Ibovespa – Bolsa brasileira passa por realização de lucros, amparada por Vale e Petrobras
O principal índice de ações da B3 encerrou a sessão aos 176.723,62 pontos, registrando variação de -0,46% no dia. No acumulado do ano de 2026, o Ibovespa sustenta um retorno positivo de +9,68%.
A performance negativa do índice funcionou como um movimento clássico de acomodação técnica após a expressiva alta de 2,44% apurada no dia anterior. No entanto, a baixa só não foi maior porque as gigantes de commodities atuaram como amortecedores. A Petrobras (PETR4) avançou 0,87% (com PRIO3 subindo 1,29% e Brava Energia ganhando 1,03%), beneficiada diretamente pela disparada do petróleo. A Vale (VALE3) subiu 0,77%, ainda colhendo os frutos dos bons dados de produção do segundo trimestre, embora o ambiente corporativo tenha registrado ruídos com a destituição do conselheiro Marcelo Gasparino pelo conselho de administração após investigação sobre vazamento de informações confidenciais.
Na ponta negativa, o setor financeiro puxou o índice para baixo, acompanhando o viés defensivo das grandes instituições. As ações da WEG (WEGE3) recuaram 2,29% em um movimento de realização de lucros pós-balanço, enquanto a Embraer (EMBJ3) cedeu 0,47%.
Juros – Juros futuros sobem com disparada do petróleo e tensão inflacionária global
Os contratos de juros futuros (DIs) encerraram a quinta-feira com alta expressiva ao longo de toda a curva, impulsionados pela disparada do petróleo e pelos rendimentos no exterior. Na sessão regular da B3, os vértices registraram elevações de até 15,5 pontos-base.
A abertura das taxas refletiu o receio de que o barril de petróleo a US$ 100 recarregue as pressões inflacionárias globais e encareça os custos de produção, movimento que foi acompanhado pela alta das Treasuries americanas. Nem mesmo a estratégia do Tesouro Nacional de reduzir drasticamente a oferta em seu leilão de títulos prefixados conseguiu conter o estresse das taxas futuras.
O que isso significa para o RPPS?
Para a gestão dos Regimes Próprios, acompanhar a curva de DIs é essencial para o alinhamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa básica que precifica os títulos públicos e papéis de crédito privado no país. Quando as taxas futuras sobem, os títulos pré-fixados de longo prazo e os papéis de índice de preços (NTN-Bs) sofrem uma redução temporária em seu valor de mercado via marcação a mercado.
Essa oscilação explicou o comportamento do índice pré-fixado IRF-M (-0,2532%). Por outro lado, a família de títulos indexados à inflação demonstrou resiliência, com o IMA-B geral fechando em alta de +0,0163% e o IMA-B 5 avançando +0,0857%. O caixa de curtíssimo prazo, representado pelo IRF-M 1 (-0,0060%), registrou estabilidade técnica. O mercado segue esperando que o processo de desinflação interna permita ao Copom iniciar o corte da Selic em agosto. Para os gestores de RPPS, os dias de abertura nas taxas futuras de longo prazo criam excelentes janelas para adquirir títulos públicos com juros reais atrativos, garantindo a imunização do passivo e o cumprimento da meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,0406%
IMA-B: +0,0163%
IMA-B 5: +0,0857%
IRF-M: -0,2532%
IRF-M 1: -0,0060%
Dólar – Dólar avança a R$ 5,084 impulsionado por aversão ao risco e força global da moeda
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,65%, cotado a R$ 5,084 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,069 e a máxima de R$ 5,100).
A moeda norte-americana interrompeu uma sequência de três quedas consecutivas e voltou a subir frente ao real, operando em sintonia com o fortalecimento global do dólar lá fora, onde o índice DXY subiu 0,31% para 101,44 pontos. O mercado acredita que a combinação do petróleo a US$ 100 com o tombo das ações de tecnologia nos EUA motivou uma corrida por ativos de proteção. No cenário doméstico, a cautela em relação aos desdobramentos comerciais do “Tarifaço” norte-americano e às discussões sobre eventuais medidas de reciprocidade pelo governo brasileiro mantiveram os investidores na defensiva.
E agora?
A sexta-feira coloca o mercado em modo de encerramento de posições antes de uma semana decisiva. Os investidores acompanharão a divulgação das prévias dos índices de gerentes de compras (PMI Industrial) nos Estados Unidos para avaliar a saúde da atividade econômica do país. No Brasil, a agenda de indicadores é enxuta, mas as mesas de operações devem concentrar suas atenções nos relatórios de posições do mercado futuro e na calibração de expectativas para as reuniões do Fed e do Copom na próxima semana.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (24/07/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇺🇸 10h45 – S&P Global: Divulgação do PMI Industrial (Prévia de julho) nos EUA.
🇺🇸 12h00 – Fed Kansas: Índice de Atividade Composta de julho.
🇧🇷 16h30 – CFTC: Relatório de posições líquidas de especuladores em Real (BRL).
🇺🇸 16h30 – CFTC: Relatório de posições líquidas em contratos do S&P 500.
Mantenha a visão de longo prazo e aproveite as oscilações das taxas de juros para alinhar a estrutura do seu instituto às melhores práticas de ALM.
Acompanhe os desdobramentos dos mercados e a análise de carteiras no nosso Morning News.
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