MORNING NEWS

Ibovespa salta quase 2% com inflação nos EUA e DIs recuam em dia de otimismo

Depois da cautela que tomou conta dos negócios na sessão anterior por conta do tom do Federal Reserve, o mercado financeiro global encontrou motivos de sobra para respirar aliviado nesta quinta-feira (30). A divulgação da inflação de consumo pessoal nos Estados Unidos (o índice PCE), que veio abaixo do esperado, afastou temporariamente os temores de uma alta imediata nos juros americanos e abriu espaço para um forte rali de valorização nos ativos de risco. No Brasil, o clima de otimismo contagiou a B3 do início ao fim: o Ibovespa disparou 1,88%, fechando aos 177.158,86 pontos, garantindo uma sólida valorização acumulada de +2,98% no mês de julho.

A onda de apetite por risco espalhou-se de forma coordenada por todas as telas de negociação. No câmbio, o real ganhou força e fez o dólar comercial recuar 0,92%, cotado a R$ 5,061, acompanhando a desvalorização global da moeda americana. Em Nova York, as bolsas americanas fecharam em forte alta, impulsionadas por ações de tecnologia após balanços positivos. Na renda fixa doméstica, o alívio nos rendimentos internacionais e os dados de preços reduziram os prêmios de risco, levando os juros futuros (DIs) a fecharem em baixa por toda a curva. Essa combinação de valorização das bolsas, queda do dólar e alívio nos juros abre janelas atrativas para a gestão dos planos previdenciários. Convido você a acompanhar na íntegra os detalhes e os impactos de cada segmento nas seções a seguir.

Olhar Global – PCE brando nos EUA e balanços de tecnologia devolvem o otimismo a Wall Street

O panorama internacional viveu um dia de forte recomposição tática após a enxurrada de dados econômicos divulgados nos Estados Unidos. O grande destaque foi o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de junho, o indicador de inflação mais acompanhado pelo Federal Reserve, que subiu abaixo das projeções do mercado. Somou-se a isso a prévia do PIB do segundo trimestre dos EUA, que registrou expansão anualizada de 1,5%, e pedidos de auxílio-desemprego em nível controlado. O mercado avalia que esses números reforçam a percepção de que o Fed poderá ser paciente antes de definir seus próximos passos na reunião de setembro.

Esse ambiente inflacionário mais brando, combinado com balanços trimestrais que trouxeram sinais de resiliência no setor de inteligência artificial (como os números da Microsoft e da Meta), impulsionou os principais índices de Nova York. Nas commodities, o petróleo fechou em baixa no mercado internacional diante de discussões diplomáticas sobre o fluxo no Estreito de Ormuz, atenuando a pressão sobre os custos energéticos mundiais.

O índice Dow Jones subiu 1,19% (52.209,57 pontos)
O S&P 500 avançou 1,67% (7.437,98 pontos)
O Nasdaq teve alta de 2,78% (25.122,18 pontos)

Ibovespa – Bolsa encosta nos 177 mil pontos impulsionada por Petrobras, Vale e grandes bancos

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a quinta-feira na máxima do dia, cotado aos 177.158,86 pontos. Com o resultado expressivo da sessão, o Ibovespa amplia o retorno do terceiro trimestre (3T26) para +2,98% e acumula um ganho de +9,95% no ano de 2026.
A performance da Bolsa brasileira refletiu a melhora do humor externo e o suporte de papéis de grande liquidez. A Petrobras (PETR4) avançou 2,00%, mesmo em dia de petróleo moderado, impulsionada pela leitura positiva de seus dados operacionais de produção divulgados anteriormente. A Vale (VALE3) subiu 1,39%, em dia de expectativa que antecedeu a divulgação de seu balanço trimestral. No setor financeiro, o Itaú Unibanco (ITUB4) liderou os ganhos com alta de 2,20%, seguido pelo Banco do Brasil (BBAS3, +1,97%) e Bradesco (BBDC4, +0,22%), enquanto o Santander Brasil (SANB11) recuou 1,48%. Na ponta positiva da sessão, a Motiva (MOTV3) saltou 5,16% pós-balanço.

No front econômico doméstico, os investidores avaliaram os dados do Tesouro Nacional mostrando déficit primário do governo central de R$ 48,178 bilhões em junho e aumento da dívida pública, que foram contrapostos por uma arrecadação federal recorde de R$ 264,437 bilhões no mês. Além disso, a taxa de desemprego medida pela Pnad cedeu para 5,4%, indicando moderação gradual na atividade econômica.

Juros – Juros futuros desabam com PCE americano e trazem forte ganho à Renda Fixa

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quinta-feira com queda generalizada de taxas por toda a extensão da curva a termo. Os contratos de vencimento intermediário lideraram o movimento de alívio, com recuos de até 15 pontos-base, acompanhando o tombo nos rendimentos das Treasuries norte-americanas de prazo equivalente.

A descompressão das taxas futuras ocorreu em um ambiente de leilão do Tesouro Nacional com venda integral de LTNs, amparada pela surpresa positiva do PCE americano e pela percepção de que a inflação global está cedendo espaço.

O que isso significa para o RPPS?

Para a gestão das carteiras dos Regimes Próprios de Previdência Social, o acompanhamento dos DIs futuros é fundamental para calibrar o balanceamento entre ativo e passivo (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de juros básica que precifica os títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas de juros futuras caem, os ativos de renda fixa pré-fixados e atrelados a índices de preços passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.

Esse movimento traduziu-se em excelentes ganhos diários nas carteiras do RPPS. Os fundos enquadrados nos índices de prazos mais estendidos registraram forte valorização, com o IMA-B 5+ saltando +0,7735% e o IMA-B geral avançando +0,4722%, impulsionando os patrimônios em direção ao atingimento da meta atuarial. Ao mesmo tempo, a parcela alocada em caixa de curtíssimo prazo e alta liquidez, mensurada pelo IRF-M 1 (+0,0639%), continuou a render de forma linear e protegida. Conforme a expectativa do mercado, o cenário de inflação comportada no exterior e IPCA-15 brando no Brasil apoia as apostas de que o Copom iniciará o ciclo de cortes na taxa Selic na próxima semana, abrindo uma janela estratégica para travar taxas de longo prazo que garantam a sustentabilidade dos benefícios futuros.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,7735%
IMA-B: +0,4722%
IMA-B 5: +0,1087%
IRF-M: +0,1255%
IRF-M 1: +0,0639%

Dólar – Real se valoriza e moeda americana cai para R$ 5,061 em dia de menor aversão ao risco

O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,92%, cotado a R$ 5,061 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,060 e a máxima de R$ 5,106).

A desvalorização da moeda norte-americana no mercado brasileiro ocorreu em perfeita sintonia com o cenário externo, onde o índice global DXY despencou 0,93%, caindo para a casa dos 99,95 pontos. O mercado acredita que os dados de inflação mais suaves nos Estados Unidos reduziram a atratividade de manter posições defensivas em dólar, direcionando o fluxo de capital para ativos de mercados emergentes com retornos reais elevados, como o Brasil.

E agora?

A sexta-feira encerra o mês de julho colocando a agenda econômica nacional e internacional em posição de destaque. No Brasil, os investidores acompanham os dados da Dívida Bruta/PIB de junho divulgados pelo Banco Central e o Índice de Preços ao Produtor (IPP) pelo IBGE. Nos Estados Unidos, as atenções voltam-se para a leitura da prévia do PMI de Chicago e do Índice de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan. A expectativa é de um encerramento de mês voltado para o ajuste final de posições antes das decisões de política monetária de agosto.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (31/07/2026)

Principais fatores para monitorar hoje:

🇧🇷 08h30 – Banco Central: Divulgação da relação Dívida Bruta/PIB de junho no Brasil.
🇧🇷 09h00 – IBGE: Índice de Preços ao Produtor (IPP de junho).
🇺🇸 10h45 – S&P Global: Divulgação do PMI Industrial de Chicago referente a julho.
🇺🇸 11h00 – Univ. de Michigan: Índice de Confiança do Consumidor de julho nos EUA.

Aproveite o movimento de valorização na curva de juros para alinhar a duration da sua carteira e garantir o atingimento da meta atuarial do seu instituto. Acompanhe o fechamento do mês e a análise dos balanços no nosso Morning News.

R3 Investimentos

Navegue por categorias

Conteúdo estratégico para quem investe com visão de longo prazo.
Acompanhe os principais fatos e indicadores do mercado com análise técnica e acessível.
O seu informativo diário com tudo o que você precisa saber para investir com segurança e visão de futuro.
Tudo que você precisa saber sobre RPPS, legislação, cenário econômico e estratégia: tudo sobre o universo dos Regimes Próprios.

Mais notícias