A sessão de encerramento da última semana foi marcada por um forte contraste entre o mercado acionário doméstico e o ambiente de renda fixa e câmbio. Pressionado por reações negativas a balanços corporativos de peso — como Petrobras, grandes bancos e varejistas —, o Ibovespa despencou 1,73%, aos 172.513,42 pontos, acumulando uma queda de -3,08% no mês de agosto.
Por outro lado, o cenário internacional trouxe alívio. A divulgação do relatório de empregos nos Estados Unidos (Payroll) mostrou retração nas vagas de trabalho, reduzindo as pressões sobre o Federal Reserve para novas altas de juros e impulsionando as bolsas americanas para o campo positivo. Esse ambiente de menor tensão externa favoreceu o real, fazendo o dólar comercial recuar 0,46%, cotado a R$ 5,084. Na renda fixa brasileira, o alívio nos rendimentos globais e a expectativa para a divulgação da Ata do Copom conduziram os juros futuros (DIs) a um fechamento em queda por toda a curva.
Entre a digestão dos resultados trimestrais e o alívio na curva de juros, o momento exige atenção às janelas de oportunidade para a alocação institucional. Convidamos você a acompanhar na íntegra os detalhes operacionais e as análises nas seções a seguir.
Olhar Global – Payroll brando nos EUA alivia temores do Fed e impulsiona ações de tecnologia em Wall Street
O panorama internacional encontrou um sopro de otimismo após a divulgação do principal relatório do mercado de trabalho norte-americano, o Payroll. O dado de julho apontou um saldo negativo de 23 mil vagas, sinalizando um desaceleramento conveniente na demanda por mão de obra que afasta o risco iminente de novos apertos monetários pelo Federal Reserve. O mercado passa a focar na inflação ao consumidor (CPI), aguardada para a semana, mantendo as apostas de juros estáveis nos EUA até o fim do ano.
O resultado impulsionou os índices em Wall Street, com destaque para a alta consistente do setor de tecnologia e inteligência artificial. Nas commodities energéticas, o petróleo encerrou em alta com investidores monitorando negociações diplomáticas no Estreito de Ormuz.
O índice Dow Jones subiu 0,28% (semana: +2,96%)
O S&P 500 avançou 0,62% (semana: +3,53%)
O Nasdaq teve alta de 1,30% (semana: +5,19%)
Ibovespa – Bolsa cai 1,73% penalizada por Petrobras, varejo e grandes bancos pós-balanços
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão de sexta-feira aos 172.513,42 pontos, acumulando perda semanal de -3,08%. Com o resultado, o Ibovespa fixa seu retorno no mês de agosto em -3,08% e reduz a valorização em 2026 para +7,07%.
A performance negativa da Bolsa paulista foi fortemente influenciada pela recepção dos balanços do segundo trimestre. A Petrobras (PETR4) recuou 2,99%: apesar de reportar forte geração de caixa e dividendos robustos no 2T26, o mercado avaliou que os números positivos já estavam precificados pela divulgação prévia dos dados operacionais e pelo rali recente do petróleo. No setor varejista, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 3,72% e Lojas Renner (LREN3) despencou 8,09% após cortes de projeções. O setor financeiro também pesou sobre o índice, liderado por perdas em Itaú Unibanco (ITUB4, -2,58%) e Bradesco (BBDC4, -2,20%), enquanto a Vale (VALE3) cedeu 0,56%.
Na contramão do dia, destaques positivos de balanços sustentaram fortes altas: Fleury (FLRY3) saltou 9,73% e Alpargatas (ALPA4) disparou 10,36% após reportarem avanço operacional e crescimento nas vendas finais.
Juros – Juros futuros recuam com mercado de trabalho americano e geram ganhos na Renda Fixa
Os contratos de juros futuros (DIs) na B3 encerraram a sessão com recuo das taxas em toda a extensão da curva, mantendo as cotações concentradas na faixa entre 13,0% e 14,5% ao ano.
O movimento de queda nas taxas futuras foi sustentado pelo alívio vindo do Payroll norte-americano — que reduziu a pressão sobre os rendimentos das Treasuries — e pela valorização do real frente ao dólar. Na ponta curta e intermediária, as mesas mantiveram posições ajustadas antes da publicação da Ata do Copom.
O que isso significa para o RPPS?
Para a governança dos Regimes Próprios, acompanhar a trajetória das taxas de DI futuro é fundamental para avaliar a dinâmica de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de juros básica de referência para precificar os títulos públicos federais (como as NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas futuras caem, os ativos de renda fixa mantidos em carteira passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.
Esse movimento refletiu-se em ganhos diários expressivos para os índices atrelados à inflação e pré-fixados, com o IMA-B 5+ subindo +0,5376% e o IMA-B geral avançando +0,4033%, impulsionando o patrimônio dos institutos rumo ao atingimento da meta atuarial. Ao mesmo tempo, a carteira de caixa e liquidez de curtíssimo prazo, balizada pelo IRF-M 1 (+0,0710%), manteve retornos nominais estáveis. Conforme a expectativa do mercado, o início da flexibilização monetária no Brasil mantém os títulos públicos de longo prazo como instrumentos valiosos para garantir a imunização do passivo a taxas reais elevadas.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,5376%
IMA-B: +0,4033%
IMA-B 5: +0,2392%
IRF-M: +0,1650%
IRF-M 1: +0,0710%
Dólar – Real engata terceira alta seguida e dólar recua para R$ 5,084
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,46%, cotado a R$ 5,084 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,074 e a máxima de R$ 5,104). No acumulado da semana, a moeda registrou leve avanço de 0,31%.
A terceira desvalorização consecutiva do dólar perante a moeda brasileira ocorreu em alinhamento com o cenário global, onde o índice DXY cedeu 0,39%, aos 99,54 pontos. O mercado acredita que os dados de emprego mais fracos nos EUA despressurizaram as taxas globais e incentivaram a busca por moedas de países emergentes com juros reais atrativos, como o Brasil.
E agora?
A semana que se inicia promete movimentar as mesas de operação com a divulgação da Ata do Copom na terça-feira (11/08). O documento detalhará a visão do Banco Central sobre o balanço de riscos inflacionários e os determinantes para o ritmo dos próximos cortes da taxa Selic. No plano internacional, as atenções globais estarão voltadas para a divulgação do relatório de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos na quarta-feira. No Brasil, a agenda desta segunda-feira abre com a atualização das projeções de inflação e PIB no Boletim Focus.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (10/08/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇧🇷 08h25 – Banco Central: Relatório de expectativas de mercado no Boletim Focus.
🇺🇸 11h00 – Conference Board: Divulgação do Índice de Tendência de Emprego de julho nos EUA.
Mantenha a governança do seu instituto atenta aos movimentos da renda fixa e aproveite a curva para alinhar o seu passivo atuarial.
Acompanhe os detalhes da Ata do Copom no nosso Morning News.