A quarta-feira (05) no mercado financeiro foi marcada pela aguardada decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que confirmou as expectativas dos analistas e reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, levando-a a 14,00% ao ano. Em um dia de forte fluxo de balanços corporativos do segundo trimestre, o Ibovespa fechou praticamente estável, com leve recuo de 0,09%, aos 177.726,17 pontos, acumulando uma variação de -0,15% no início do mês de agosto.
No câmbio, o real apresentou discreta recuperação, fazendo o dólar comercial fechar em leve baixa de 0,06%, cotado a R$ 5,128. Em Wall Street, as bolsas americanas encerraram em tom misto, mas com novas marcas históricas para o Dow Jones e o S&P 500. Na renda fixa brasileira, o alívio nas taxas prevaleceu, conduzindo os juros futuros (DIs) a um fechamento em queda por toda a curva, sustentado pela perspectiva de continuidade do afrouxamento monetário e pela descompressão parcial dos preços do petróleo.
A manutenção do ciclo de cortes de juros e os resultados operacionais sólidos trazidos pela temporada de balanços renovam a importância do planejamento atuarial de longo prazo para os regimes de previdência. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados e o impacto nas carteiras nas seções a seguir.
Olhar Global – Wall Street opera mista em dia de recordes históricos e acenos diplomáticos no Oriente Médio
O cenário internacional encerrou a sessão com sinais mistos nas bolsas norte-americanas, mas preservando um ambiente de otimismo sustentado pelos balanços corporativos de grandes empresas de tecnologia. O Dow Jones e o S&P 500 voltaram a renovar suas máximas históricas de fechamento, enquanto o índice Nasdaq registrou um ajuste técnico de baixa.
No campo geopolítico, os mercados globais reagiram positivamente aos novos passos diplomáticos dados pelos Estados Unidos no Oriente Médio, que removeram sanções sobre empresas iraquianas ligadas à Guarda Revolucionária do Irã em um gesto de aproximação. O alívio nas tensões do Golfo refletiu-se em uma nova rodada de descompressão nas cotações do petróleo, aliviando as preocupações com custos energéticos no atacado global.
O índice Dow Jones subiu 0,49% (54.349,00 pontos)
O S&P 500 recuou 0,17% (7.723,42 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,83% (26.363,44 pontos)
Ibovespa – Bolsa brasileira flerta com os 180 mil pontos, mas fecha estável com impulso de Itaú e Gerdau
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão cotado aos 177.726,17 pontos, com variação diária de -0,09%. Com esse resultado, o Ibovespa sustenta um retorno acumulado no terceiro trimestre (3T26) de +3,31% e uma valorização de +10,30% no ano de 2026.
A Bolsa paulista chegou a superar a marca dos 180 mil pontos durante a manhã, impulsionada por pesquisas eleitorais que mostraram avanço de Flávio Bolsonaro, mas perdeu fôlego à tarde após o anúncio da composição de sua chapa presidencial com o deputado Alfredo Gaspar esfriar o otimismo inicial das mesas de operação. Quem garantiu os sinais vitais do índice foi a temporada de balanços do 2T26: o Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,67% após reportar receitas sólidas, sendo acompanhado por Banco do Brasil (+0,29%) e Santander Brasil (+1,31%). A Gerdau (GGBR4) subiu 1,70% com resultados acima das projeções, enquanto a rede Raia Drogasil (RADL3) disparou 5,87% e o GPA (PCAR3) saltou 6,91%. A PRIO (PRIO3) subiu 1,28% e a Vale (VALE3) ganhou 0,46% com a recuperação do minério de ferro.
Na ponta negativa, as ações da Petrobras (PETR4) caíram 1,34%, acompanhando o recuo das commodities energéticas lá fora, enquanto a C&A (CEAB3) recuou 3,91% pós-balanço.
Juros – Copom reduz Selic para 14% ao ano e juros futuros recuam por toda a curva
Os contratos de juros futuros encerraram a quarta-feira com fechamento de taxas ao longo de toda a curva, reagindo à confirmação do corte da taxa Selic e ao cenário de inflação comportada.
A decisão do Copom de cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual — para 14,00% ao ano — representou a quarta redução consecutiva do atual ciclo de afrouxamento monetário. Em seu comunicado oficial, o Banco Central indicou que manterá a “restrição adequada” nas taxas para assegurar a convergência da inflação em direção à meta no horizonte relevante. Na curva a termo da B3, os contratos futuros de médio e longo prazo registraram recuos de até 4,5 pontos-base, absorvendo o tom sereno do comunicado e o alívio vindo dos preços do petróleo.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos dos Regimes Próprios, a dinâmica dos DIs futuros é a chave para a gestão de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro dita as taxas de juros de referência para precificar títulos públicos (como as NTN-Bs e LFTs), ativos de crédito privado e valuation de empresas negociadas em bolsa. Quando as taxas de juros futuras caem, os títulos públicos indexados à inflação mantidos na carteira do fundo passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.
Esse fechamento nas taxas refletiu-se em retornos diários positivos nos índices de renda fixa, com o IMA-B 5+ avançando +0,0495% e o IMA-B geral subindo +0,0687%, impulsionando as carteiras previdenciárias rumo ao atingimento da meta atuarial. Ao mesmo tempo, o caixa de liquidez imediata, balizado pelo IRF-M 1 (+0,0663%), continuou a fornecer rendimentos estáveis e protegidos. Conforme a expectativa do mercado, com a Selic caminhando para patamares mais brandos, as NTN-Bs de prazos intermediários e longos continuam oferecendo excelentes taxas reais de juros, garantindo a imunização do passivo.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,0495%
IMA-B: +0,0687%
IMA-B 5: +0,0923%
IRF-M: +0,1609%
IRF-M 1: +0,0663%
Dólar – Dólar fecha em leve queda a R$ 5,128 acompanhando descompressão global
O dólar comercial encerrou o pregão em discreta queda de 0,06%, cotado a R$ 5,128 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,099 e a máxima de R$ 5,134).
A desvalorização da moeda norte-americana frente ao real interrompeu duas sessões consecutivas de alta, operando em sintonia com o cenário internacional, onde o índice global DXY recuou 0,15%, para os 99,71 pontos. O mercado acredita que o alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio e a sinalização de continuidade da flexibilização monetária com responsabilidade pelo Banco Central ajudaram a acalmar as mesas de câmbio, mantendo a cotação em patamar estável.
E agora?
A quinta-feira reserva um dia de intensa repercussão sobre o comunicado do Copom e seus efeitos nos preços dos ativos domésticos. Nos Estados Unidos, a agenda traz dados do mercado de trabalho com os Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego e a leitura da Produtividade Não Agrícola do segundo trimestre. No Brasil, a divulgação dos dados oficiais da Balança Comercial de julho pelo MDIC trará o termômetro do comércio exterior brasileiro, em uma sessão que promete movimentar as posições táticas dos gestores.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (06/08/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇺🇸 09h30 – Dept. do Trabalho: Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego nos EUA.
🇺🇸 09h30 – BLS: Produtividade Não Agrícola referente ao 2º trimestre nos EUA.
🇧🇷 15h00 – MDIC: Divulgação dos dados da Balança
Comercial de julho no Brasil.
Mantenha a governança do seu instituto alinhada às melhores práticas de ALM e aproveite o novo patamar da taxa Selic para ajustar o duration da sua carteira. Acompanhe a repercussão completa do Copom no nosso Morning News.
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