A véspera da decisão de política monetária no Brasil foi marcada por um nítido contraste entre a euforia dos mercados internacionais e a postura defensiva dos investidores locais. Lá fora, sinais concretos de avanços diplomáticos no Estreito de Ormuz derrubaram as cotações do petróleo e destravaram um forte rali nas bolsas de Nova York. Em solo brasileiro, contudo, a cautela fiscal e as incertezas políticas que antecedem a reunião do Copom pesaram sobre os ativos.
Como resultado, o Ibovespa fechou praticamente estável, com leve queda de 0,06%, aos 177.894,97 pontos, registrando um acumulado de -0,06% no início do mês de agosto. No mercado de câmbio, o real descolou do exterior e registrou o pior desempenho entre as moedas emergentes, fazendo o dólar comercial disparar 0,87%, cotado a R$ 5,131. Na renda fixa, os juros futuros (DIs) inverteram a tendência recente e fecharam em alta por quase toda a curva, enquanto as bolsas americanas registraram fortes altas impulsionadas pelo setor de tecnologia.
Este cenário de volatilidade pré-Copom reforça a importância de monitorar o prêmio de risco e manter a disciplina na gestão dos ativos institucionais. Convidamos você a acompanhar na íntegra os detalhes operacionais e as análises de cada segmento nas seções a seguir.
Olhar Global – Wall Street renova recordes com avanço diplomático no Estreito de Ormuz e rali em tecnologia
O cenário internacional viveu uma quarta-feira de forte apetite por risco nas praças financeiras americanas e europeias. O principal vetor de otimismo veio de declarações de autoridades dos Estados Unidos sinalizando progressos nas conversas diplomáticas com o Irã e Omã para garantir a navegação comercial e a remoção de minas navais no Estreito de Ormuz. A perspectiva de arrefecimento no conflito militar fez os preços do petróleo desabarem cerca de 5% no dia, aliviando os temores de choque inflacionário global.
Em Wall Street, o ambiente de menor pressão nos custos energéticos, somado aos balanço trimestrais sólidos das empresas de infraestrutura de tecnologia e inteligência artificial, impulsionou os principais índices para ganhos expressivos. O S&P 500 voltou a renovar marcas históricas, enquanto o setor de semicondutores recuperou parte das perdas acumuladas no mês anterior.
O índice Dow Jones subiu 1,71% (54.085,94 pontos)
O S&P 500 avançou 1,79% (7.736,49 pontos)
O Nasdaq teve alta de 2,59% (26.584,99 pontos)
Ibovespa – Bolsa brasileira anda de lado sob peso de Petrobras e Itaú, mas Vale contrabalança
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão cotado aos 177.894,97 pontos, com variação negativa marginal de -0,06%. No acumulado do ano de 2026, o Ibovespa sustenta um retorno positivo de +10,41% (com ganho de +3,41% no 3T26).
O movimento de estagnação da Bolsa brasileira refletiu o comportamento divergente entre seus principais componentes. Pressionando o índice para baixo, as ações da Petrobras (PETR4) recuaram 1,28% (acompanhadas por Brava Energia, -4,58%, e PRIO, -0,09%), penalizadas diretamente pela queda livre das cotações do petróleo no exterior. No setor financeiro, os investidores adotaram cautela antes da divulgação do balanço trimestral do Itaú Unibanco (ITUB4), cujos papéis cederam 2,48%. No segmento corporativo, a Marcopolo (POMO4) despencou 10,43% e a BradSaude (SAUD3) caiu 11,56% após balanços do 2T26 apontarem compressão de margens.
Em contrapartida, a Vale (VALE3) disparou 2,24%, atuando como a grande âncora do índice no dia. A mineradora avançou de forma descolada das cotações do minério de ferro, que seguem pressionadas por excesso de oferta global. Na ponta de altas corporativas, a Pague Menos (PGMN3) saltou 8,92% após reportar margem Ebitda recorde, enquanto o Santander Brasil (SANB11) avançou 0,59%.
Juros – Curva de DIs registra leve elevação por cautela fiscal pré-Copom
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a terça-feira apresentando uma virada de sinal ao longo do pregão, com os contratos de curto, médio e longo prazo fechando em alta de até 4,0 pontos-base.
Apesar de o Tesouro Nacional ter vendido integralmente seu lote de NTN-Bs e LFTs, a curva cedeu à cautela que antecede a decisão do Copom e à preocupação com o quadro fiscal doméstico, reforçada por pesquisas que apontaram aumento da percepção negativa entre gestores de recursos.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos dos Regimes Próprios, acompanhar a movimentação do DI futuro é crucial para a gestão de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro é a taxa de juros básica que precifica os títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs), papéis de crédito privado e ativos de renda variável. Quando a curva de DIs sofre uma abertura pontual, o valor presente dos títulos de renda fixa mantidos em carteira passa por um ajuste temporário negativo de marcação a mercado.
Esse ajuste diário refletiu-se em oscilações contidas nos índices atrelados à inflação, com o IMA-B 5+ recuando -0,0109% e o IMA-B geral cedendo -0,0125%. Por outro lado, a carteira de caixa e liquidez imediata, balizada pelo IRF-M 1 (+0,0447%), continuou entregando retornos nominais positivos e sem volatilidade. Conforme a expectativa do mercado, o cenário de inflação comportada no curto prazo e dados fracos de atividade industrial amparam a aposta de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira. Para a governança dos RPPS, episódios de elevação das taxas na curva de DIs continuam abrindo janelas atrativas para travar juros reais elevados em NTN-Bs longas, garantindo a imunização do passivo e o cumprimento da meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,0109%
IMA-B: -0,0125%
IMA-B 5: -0,0144%
IRF-M: -0,0173%
IRF-M 1: +0,0447%
Dólar – Dólar dispara 0,87% e fecha a R$ 5,131 sob pressão de fatores domésticos
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,87%, cotado a R$ 5,131 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,072 e a máxima de R$ 5,148). No mercado futuro da B3, o contrato de dólar avançou 0,82%, negociado a R$ 5,167.
A valorização expressiva da moeda norte-americana no Brasil ocorreu de forma descolada do ambiente global, onde o índice DXY registrou leve recuo de 0,11%, aos 99,91 pontos. O mercado acredita que a desvalorização do Real — a maior entre 23 divisas acompanhadas — foi motivada pelo aumento do prêmio de risco fiscal doméstico e pelo reposicionamento de carteiras antes da definição da taxa Selic pelo Banco Central.
E agora?
A quarta-feira coloca o mercado brasileiro diante do seu evento mais aguardado do mês: a Super Quarta de decisão da Taxa Selic pelo Copom. A partir das 18h30, o Banco Central anunciará a nova taxa básica de juros, oportunidade em que os investidores buscarão analisar o tom do comunicado sobre a trajetória inflacionária e o ritmo dos próximos cortes. Nos Estados Unidos, a divulgação do relatório de empregos privados da ADP trará novos dados sobre o mercado de trabalho norte-americano.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (05/08/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇺🇸 09h15 – ADP: Divulgação da Variação de Empregos Privados de julho nos EUA.
🇧🇷 10h00 – S&P Global: Divulgação do PMI de Serviços de julho no Brasil.
🇺🇸 10h45 – S&P Global: Divulgação do PMI de Serviços de julho nos EUA.
🇧🇷 18h30 – Banco Central: Divulgação da Decisão da Taxa Selic pelo Copom.
Mantenha a governança do seu instituto alinhada às melhores práticas de ALM e aproveite a decisão do Copom para recalibrar a estrutura de duration da sua carteira. Acompanhe a cobertura ao vivo do Copom e as análises das mesas no nosso Morning News.
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