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Ibovespa opera de lado com queda das commodities, mas juros futuros desabam antes do Copom

A primeira sessão de negócios de agosto entregou movimentações distintas entre os diferentes mercados globais e domésticos. Lá fora, a sinalização de novos acenos diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã alimentou a esperança de arrefecimento dos conflitos no Oriente Médio, provocando um forte tombo nas cotações internacionais do petróleo e impulsionando um rali comprador nas bolsas de Nova York, que fecharam com altas expressivas.

No mercado brasileiro, o impacto foi duplo: a queda expressiva da energia e do minério de ferro pesou sobre gigantes como Petrobras e Vale, impedindo o avanço do mercado de ações. Como resultado, o Ibovespa fechou o dia no zero a zero, aos 178.000,24 pontos, iniciando o mês de agosto com variação de 0,00% (acumulando +10,47% no ano de 2026). No câmbio, o dólar comercial subiu 0,34%, cotado a R$ 5,087. Em contrapartida, a renda fixa nacional comemorou um dia de forte alívio: a queda das commodities aliada às revisões favoráveis do Boletim Focus fez os juros futuros (DIs) despencarem por toda a curva, gerando valorização expressiva nos títulos públicos atrelados à inflação.

Com a reunião do Copom no radar desta semana, este cenário de queda nas taxas de juros de mercado abre portas estratégicas para o patrimônio previdenciário. Convidamos você a acompanhar a análise completa e detalhada de cada mercado nas seções a seguir.

Olhar Global – Sinais diplomáticos no Oriente Médio derrubam o petróleo e aceleram o setor de tecnologia em Wall Street

O ambiente internacional abriu a semana guiado pela renovação das esperanças de uma trégua militar no Golfo Pérsico. Relatos sobre o início de negociações entre Washington e Teerã acalmaram os investidores, que optaram por focar na tese de alívio inflacionário. Essa perspectiva provocou uma forte descompressão nos preços do petróleo, diminuindo os temores de choque de oferta na energia global.
Em Wall Street, a queda das commodities aliada à divulgação de balanços trimestrais robustos no setor de tecnologia deu sustentação a uma forte onda compradora. As empresas de semicondutores e infraestrutura de dados lideraram os ganhos, com analistas ressaltando que a demanda por capacidade computacional acelerada continua superando a oferta. Na Europa, os principais índices acionários também encerraram o dia no campo positivo.

O índice Dow Jones subiu 1,32% (57.178,41 pontos)
O S&P 500 avançou 1,48% (7.600,49 pontos)
O Nasdaq teve alta de 2,13% (25.913,89 pontos)

Ibovespa – Bolsa fica no zero a zero pressionada por Vale e Petrobras, mas Randon dispara 41%

O principal índice de ações da B3 encerrou a sessão de ontem praticamente estável, cotado aos 178.000,24 pontos. Com a neutralidade do pregão, o Ibovespa mantém variação de 0,00% no mês de agosto e preserva uma valorização acumulada de +10,47% em 2026.
O pregão paulista funcionou como um clássico cabo de guerra setorial. Puxando o índice para baixo, a forte queda do petróleo no exterior pressionou as ações da Petrobras (PETR4, -0,85%) e de petroleiras juniores como PRIO (-3,86%) e Petrorecôncavo (-3,19%). Na mesma linha, a Vale (VALE3) recuou 2,15%, penalizada pela desaceleração do minério de ferro, enquanto a CSN (CSNA3) despencou 6,82% após dados prévios acenderem alertas sobre sua geração de caixa no 2T26.

Por outro lado, o viés positivo de Wall Street e a alta dos bancos contiveram uma retração do índice. O Santander Brasil (SANB11) avançou 1,08%, o Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,69% e o Bradesco (BBDC4) ganhou 0,65%. A Embraer (EMBJ3) subiu 3,12%, refletindo o otimismo com sua carteira de pedidos recorde. O grande destaque corporativo do dia foi a Randon (RAPT3), que disparou impressionantes 41,77% após o controlador anunciar uma proposta de Oferta Pública de Aquisição (OPA) com permuta por ações da Frasle (FRAS3).

Juros – Juros futuros despencam com Focus positivo e queda do petróleo antes da reunião do Copom

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a segunda-feira registrando uma sessão de forte fechamento da curva de rendimentos. Os contratos de curto, médio e longo prazo apresentaram retração generalizada nas taxas, com os vértices mais longos liderando o movimento de alívio e recuando até 21 pontos-base na sessão.

Esse recuo das taxas futuras foi estimulado por uma combinação favorável de fatores internos e externos: a nova redução nas estimativas de inflação divulgada pelo Boletim Focus, a expectativa de que o Copom inicie o ciclo de cortes com uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira, o recuo nos rendimentos das Treasuries americanas e o tombo das cotações do petróleo.

O que isso significa para o RPPS?

Para os comitês e conselhos de investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social, entender a dinâmica do DI futuro é crucial para a gestão de Asset Liability Management (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de juros básica que precifica os títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e ativos de crédito privado. Quando as taxas futuras de juros caem, os papéis de renda fixa pré-fixados e atrelados a índices de preços mantidos na carteira do fundo passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.

Essa descompressão na curva traduziu-se em excelentes ganhos diários nas carteiras institucionais de RPPS. O índice IMA-B 5+ saltou +0,4701% e o IMA-B geral avançou +0,3160%, impulsionando os patrimônios em direção ao cumprimento da meta atuarial. Ao mesmo tempo, a parcela alocada em caixa de curtíssimo prazo e alta liquidez, mensurada pelo IRF-M 1 (+0,0613%), seguiu entregando retorno linear, previsível e sem volatilidade. Conforme a expectativa do mercado, o cenário de desinflação ampara o início dos cortes da Selic, enquanto os títulos públicos longos continuam oferecendo excelentes taxas reais para a imunização do passivo de longo prazo.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,4701%
IMA-B: +0,3160%
IMA-B 5: +0,1279%
IRF-M: +0,4103%
IRF-M 1: +0,0613%

Dólar – Dólar comercial sobe a R$ 5,087 com ajuste de posições globais

O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,34%, cotado a R$ 5,087 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,053 e a máxima de R$ 5,092).

A valorização da moeda norte-americana no mercado brasileiro ocorreu em sintonia com a estabilidade do índice global DXY (que encerrou aos 99,92 pontos) e o fortalecimento discreto do dólar frente a outras moedas emergentes. O mercado acredita que, mesmo com o otimismo internacional, os investidores mantiveram uma postura cautelosa nas mesas de câmbio locais às vésperas da decisão do Copom, recompondo posições defensivas no câmbio após os recuos recentes da moeda.

E agora?

A terça-feira abre os negócios colocando os holofotes sobre dados de inflação local e indicadores de emprego nos Estados Unidos. No Brasil, o IBGE publica o IPC-Fipe de julho logo cedo, número importante para aferir o comportamento dos preços ao consumidor antes da decisão do Copom na quarta-feira. Nos EUA, o relatório de Ofertas de Emprego (JOLTS) de junho trará dados atualizados sobre a força do mercado de trabalho norte-americano, enquanto o relatório do API mostrará a evolução dos estoques semanais de petróleo.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (04/08/2026)

Principais fatores para monitorar hoje:

🇧🇷 06h00 – Fipe: Divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe de julho).
🇺🇸 11h00 – BLS: Relatório de Ofertas de Emprego (JOLTS de junho) nos EUA.
🇺🇸 17h30 – API: Relatório de Estoques Semanais de Petróleo Bruto nos EUA.

Aproveite o movimento de valorização contábil na curva de juros para calibrar a duration da sua carteira e garantir o atingimento da meta atuarial do seu instituto. Acompanhe a repercussão dos dados e a expectativa do Copom no nosso Morning News.

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