A segunda-feira (10) foi marcada por um pregão de busca de rumo e oscilações contidas no mercado financeiro brasileiro. Em um dia de disparada das cotações internacionais do petróleo e cautela antes da divulgação de indicadores decisivos de inflação, o Ibovespa fechou em leve baixa de 0,19%, aos 172.179,93 pontos. Com esse resultado, o principal índice da Bolsa paulista acumula uma variação de -3,27% no mês de agosto e preserva um retorno de +6,86% no acumulado de 2026.
No mercado de câmbio, o real interrompeu uma sequência de três baixas consecutivas e viu o dólar comercial subir 0,53%, cotado a R$ 5,111. Em Wall Street, o tom de prudência prevaleceu e as bolsas americanas fecharam em queda. Na renda fixa doméstica, o avanço das commodities energéticas impulsionou os juros futuros (DIs), que fecharam em alta ao longo da curva. A terça-feira promete ser movimentada com a divulgação da Ata do Copom e do IPCA de julho. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados nas seções a seguir.
Olhar Global – Tensão no Oriente Médio faz petróleo saltar mais de 5% e pesa em Wall Street
O ambiente internacional voltou a registrar aumento da aversão ao risco ao longo do primeiro pregão da semana. O desacordo em torno da administração do Estreito de Ormuz, somado a um ataque a uma refinaria na Arábia Saudita e exigências de concessões pelo Irã, fez o petróleo saltar mais de 5% no dia. O encarecimento da energia renovou as preocupações com repasses inflacionários mundiais.
Em Wall Street, os principais índices fecharam no campo negativo em um dia de movimentação defensiva. O mercado opera em compasso de espera pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos, indicador decisivo para calibrar as próximas decisões de juros do Federal Reserve após o relatório de emprego (Payroll) mais fraco da semana passada.
O índice Dow Jones caiu 0,11% (53.975,63 pontos)
O S&P 500 recuou 0,06% (7.753,01 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,32% (26.605,35 pontos)
Ibovespa – Rali em Petrobras e Vale não evita recuo pontual do índice diante de perdas em bancos
O principal índice de ações da B3 encerrou a sessão aos 172.179,93 pontos, com retração de 0,19% no dia. No acumulado do terceiro trimestre (3T26), o Ibovespa sustenta um ganho marginal de +0,09%.
A Bolsa brasileira viveu uma disputa setorial intensa. Exercendo forte pressão positiva, a disparada do petróleo impulsionou as ações da Petrobras (PETR4), que avançaram 3,33%, sendo acompanhadas por petroleiras juniores como PRIO (PRIO3, +6,60%), Petrorecôncavo (RECV3, +4,99%) e Brava Energia (BRAV3, +1,26%). A mineradora Vale (VALE3) subiu 1,28%, amparada por relatórios de análise que veem assimetria atrativa nos preços, enquanto a Embraer (EMBJ3) avançou 2,31% após balanço do 2T26 acima das estimativas.
Por outro lado, o índice cedeu à queda em bloco das instituições financeiras e do setor varejista. Itaú Unibanco (ITUB4, -0,81%), Bradesco (BBDC4, -0,75%), Banco do Brasil (BBAS3, -0,15%) e Santander Brasil (SANB11, -0,07%) fecharam no terreno negativo, ao lado de Lojas Renner (LREN3, -2,18%) e Magazine Luiza (MGLU3, -1,82%). A incerteza associada ao cenário eleitoral doméstico também manteve investidores em postura de cautela.
Juros – Juros futuros sobem com alta do petróleo, mas projeção do Focus para inflação volta a ceder
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a segunda-feira com elevação nas taxas ao longo de praticamente toda a estrutura a termo, registrando avanços de até 9,0 pontos-base nos vértices intermediários e longos.
O avanço das taxas futuras foi diretamente influenciado pelo salto das cotações do petróleo e pelo encarecimento do dólar, fatores que elevam a percepção de risco sobre a trajetória dos preços. Na ponta curta, as taxas fecharam perto da estabilidade, sustentadas pela divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central, que mostrou a sexta queda consecutiva na projeção do IPCA de 2026 (para 5,02%).
O que isso significa para o RPPS?
Para a governança dos Regimes Próprios, acompanhar a flutuação do DI futuro é crucial para o alinhamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de juros básica de referência para precificar os títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e ativos de crédito privado. Quando as taxas futuras sobem, os papéis de renda fixa pré-fixados e atrelados a índices de preços mantidos na carteira passam por um ajuste contábil temporário de marcação a mercado negativo.
Essa movimentação explicou o desempenho levemente negativo do IMA-B 5+ (-0,2945%) e do IMA-B geral (-0,1457%). Em contrapartida, o índice de prazos curtos IMA-B 5 (+0,0368%) e o caixa de liquidez imediata IRF-M 1 (+0,0430%) mantiveram entregas de retornos nominais positivos. O mercado espera que a divulgação do IPCA de julho confirme a desaceleração da inflação oficial. Para os gestores de RPPS, momentos de abertura na curva de DIs abrem janelas táticas oportunas para travar NTN-Bs com juros reais atrativos, garantindo a imunização do passivo e o cumprimento da meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,2945%
IMA-B: -0,1457%
IMA-B 5: +0,0368%
IRF-M: -0,0966%
IRF-M 1: +0,0430%
Dólar – Dólar comercial avança para R$ 5,111 acompanhando o ambiente global
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,53%, cotado a R$ 5,111 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,083 e a máxima de R$ 5,120).
A valorização da moeda norte-americana frente ao real operou em alinhamento com o cenário externo, onde o índice global DXY subiu 0,28%, atingindo 99,81 pontos. O mercado acredita que a alta do petróleo e os riscos geopolíticos na navegação marítima motivaram recomposição de posições defensivas no câmbio em diversos mercados emergentes.
E agora?
A terça-feira será um dos dias mais decisivos do mês para o mercado brasileiro. O Banco Central divulga a Ata do Copom, documento que detalhará as discussões e as condicionantes para os próximos passos da Selic. Na sequência, o IBGE publica o IPCA de julho, com o mercado projetando variação de 0,03% no mês e 4,40% em 12 meses. Nos EUA, a pesquisa semanal de empregos da ADP trará novos dados sobre o mercado de trabalho norte-americano. A expectativa é de um pregão de intensa movimentação analítica.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (11/08/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇧🇷 08h00 – Banco Central: Divulgação da Ata da Reunião do Copom.
🇧🇷 09h00 – IBGE: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA de julho).
🇺🇸 09h15 – ADP: Divulgação da Variação Semanal de Empregos no Setor Privado nos EUA.
Mantenha a governança do seu instituto alinhada às melhores práticas de ALM e aproveite a curva de juros para otimizar a imunização do seu passivo. Acompanhe a repercussão do IPCA e da Ata do Copom no nosso Morning News.
R3 Investimentos