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Ibovespa derrete 2,5% ao pior nível desde janeiro e Dólar dispara a R$ 5,16

O mercado financeiro viveu uma terça-feira de forte estresse com a combinação de riscos políticos domésticos, inflação oficial acima do esperado e o rebaixamento da recomendação do Brasil por um grande banco internacional. Em um dia marcado pelo nervosismo nas mesas de operação, o Ibovespa despencou 2,50%, aos 167.874,64 pontos, registrando o seu menor patamar de fechamento desde janeiro e acumulando uma queda de 5,69% no mês de agosto. A aversão ao risco também impulsionou o dólar comercial, que disparou 0,98%, cotado a R$ 5,161. Lá fora, as bolsas americanas fecharam no terreno negativo com tensões renovadas no Oriente Médio, enquanto na renda fixa brasileira os juros futuros (DIs) subiram de forma expressiva por toda a curva. Convidamos você a acompanhar a leitura completa nas seções a seguir para entender em detalhes todos os impactos na gestão do seu patrimônio.

Olhar Global – Discurso belicoso de Trump e expectativa pelo CPI pressionam Wall Street

O ambiente internacional operou sob viés defensivo. As bolsas em Nova York fecharam no vermelho enquanto os investidores monitoravam novos capítulos da crise no Oriente Médio. O tom das declarações do presidente Donald Trump voltou a subir ao ameaçar o Irã com um “colapso econômico”, enfraquecendo a leitura de acordos imediatos no Estreito de Ormuz e fazendo as cotações do petróleo subirem mais uma vez. Além disso, o mercado global adotou postura de cautela às vésperas da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos, indicador crucial que ajudará o Federal Reserve a calibrar os próximos passos da taxa de juros americana.

O índice Dow Jones caiu 0,34% (53.789,89 pontos)
O S&P 500 recuou 0,32% (7.728,09 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,60% (26.445,44 pontos)

Ibovespa – Bolsa despenca com IPCA acima do esperado, ruído eleitoral e rebaixamento pelo JPMorgan

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 167.874,64 pontos, registrando variação de -2,50% no dia. Com a sexta baixa consecutiva, o Ibovespa reduz o seu ganho acumulado em 2026 para +4,19% (com desempenho de -2,41% no 3T26).

A forte realização de lucros foi motivada por um trio de fatores negativos: pesquisas eleitorais indicando ampliação de vantagem do presidente Lula elevaram o temor de uma política fiscal mais expansionista e maior endividamento público a partir de 2027; o IPCA de julho veio acima das estimativas de mercado, com pressão contínua no setor de serviços; e o JPMorgan rebaixou a recomendação das ações brasileiras para neutra, citando crescimento mais fraco, crédito deteriorado e aumento da volatilidade política. Na carteira, papéis de peso como Banco do Brasil (BBAS3, -3,74%), Itaú Unibanco (ITUB4, -3,51%), Bradesco (BBDC4, -2,27%), Vale (VALE3, -2,02%) e Petrobras (PETR4, -1,35%) despencaram em bloco. Em dia com apenas seis ações no azul, o destaque positivo ficou com a Natura (NATU3, +1,49%), que surpreendeu o mercado com balanço do 2T26 acima do esperado.

Juros – Ata do Copom e risco fiscal elevam DIs, exigindo atenção na gestão do passivo (ALM)

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a terça-feira sob forte pressão, com os contratos de médio e longo prazo subindo até 9,5 pontos-base.

A abertura nas taxas refletiu a leitura da Ata do Copom, que reforçou a mensagem de manutenção de uma política monetária restritiva e dependente dos próximos dados econômicos, somada ao estresse fiscal doméstico e à alta do petróleo. O mercado acredita que a resiliência da inflação de serviços limita o espaço para novos cortes da Selic.

O que isso significa para o RPPS?

Para os comitês e conselhos de investimentos dos Regimes Próprios, entender as oscilações do DI futuro é crucial para a gestão de Asset Liability Management (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de juros básica que precifica os títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas futuras sobem, o valor presente dos títulos de renda fixa mantidos em carteira passa por um ajuste contábil temporário de marcação a mercado.

Esse movimento permitiu variações nos índices atrelados à inflação, com o IMA-B 5+ avançando +0,0808% e o IMA-B geral subindo +0,0766%, enquanto o caixa pré-fixado de liquidez imediata, balizado pelo IRF-M 1 (+0,0416%), seguiu fornecendo retornos nominais previsíveis. Conforme o mercado espera, momentos de abertura na curva de juros criam janelas táticas valiosas para a aquisição de NTN-Bs com juros reais atrativos, garantindo a imunização do passivo e o cumprimento da meta atuarial.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,0808%
IMA-B: +0,0766%
IMA-B 5: +0,0715%
IRF-M: -0,1009%
IRF-M 1: +0,0416%

Dólar – Moeda americana dispara a R$ 5,161 impulsionada por busca de proteção local

O dólar comercial encerrou o pregão em forte alta de 0,98%, cotado a R$ 5,161 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,098 e a máxima de R$ 5,178).

O avanço expressivo da moeda norte-americana frente ao real ocorreu de forma descolada do exterior, onde o índice global DXY ficou estável aos 99,81 pontos. O mercado acredita que a escalada nas incertezas fiscais e políticas internas incentivou os investidores a buscarem proteção no câmbio, aumentando a cotação e exigindo acompanhamento sobre eventuais repasses nos preços de produtos importados.

E agora?

A quarta-feira reserva o momento mais aguardado da semana para as mesas globais com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de julho nos Estados Unidos. A leitura da inflação americana definirá a temperatura dos mercados mundiais, podendo consolidar ou afastar apostas de manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve. No Brasil, os investidores acompanharão a publicação do relatório semanal de Fluxo Cambial pelo Banco Central para mensurar a movimentação de capital estrangeiro em meio ao ambiente de maior volatilidade.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (12/08/2026)

Principais divulgações para acompanhar hoje:

🇺🇸 09h30 – BLS: Divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI de julho) nos EUA.
🇺🇸 11h30 – EIA: Relatório oficial de Estoques Semanais de Petróleo Bruto nos EUA.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Relatório semanal de Fluxo Cambial Estrangeiro no Brasil.

Mantenha a governança do seu instituto atenta aos movimentos da curva de juros e aproveite as janelas para imunizar o seu passivo atuarial. Acompanhe as análises e a repercussão do CPI no nosso Morning News.

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