O mercado financeiro atravessou mais uma jornada de ajustes no cenário doméstico nesta quarta-feira (12). Em um dia em que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos trouxe alívio ao vir exatamente dentro das expectativas, os mercados internacionais conseguiram fechar em tom predominantemente positivo. No entanto, em solo brasileiro, as incertezas eleitorais e os ruídos fiscais continuaram pesando sobre os ativos, levando o Ibovespa a fechar em queda de 0,23%, aos 167.491,07 pontos, estendendo a sequência negativa e acumulando uma retração de -5,90% no mês de agosto.
No câmbio, o real seguiu pressionado e o dólar comercial subiu 0,36%, cotado a R$ 5,179. Nas bolsas americanas, o alívio com a inflação manteve Wall Street no campo positivo na maioria dos índices, enquanto na renda fixa brasileira os juros futuros (DIs) voltaram a subir por toda a curva, refletindo prêmios de risco e a percepção de espaço limitado para cortes adicionais da Selic no médio prazo. Entre dados de serviços da economia local e a busca por proteção, convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados nas seções a seguir.
Olhar Global – Inflação ao consumidor nos EUA vem em linha e reduz urgência de aperto pelo Fed
No panorama internacional, o grande destaque do dia foi a divulgação do CPI de julho nos Estados Unidos. O indicador mostrou que a inflação de consumo norte-americana comportou-se rigorosamente dentro das projeções do mercado em todas as suas principais métricas. O resultado foi recebido com alívio pelas mesas globais, pois diminui a probabilidade de o Federal Reserve ser forçado a retomar a alta de juros na reunião de setembro, permitindo um compasso de espera até que novos dados de atividade e emprego sejam divulgados.
Apesar desse respiro nas bolsas americanas, o cenário geopolítico no Oriente Médio permaneceu sem solução imediata. Declarações firmes e a falta de diálogo entre Washington e Teerã mantiveram os investidores em alerta, sustentando leves altas nas cotações internacionais do petróleo. Nas praças acionárias de Nova York, o otimismo com a inflação impulsionou os setores de tecnologia.
O índice Dow Jones cedeu 0,04% (53.767,87 pontos)
O S&P 500 avançou 0,26% (7.748,53 pontos)
O Nasdaq teve alta de 0,54% (26.588,49 pontos)
Ibovespa – Sétima queda consecutiva leva Bolsa aos 167 mil pontos, mas Vale e Embraer atenuam perdas
O principal índice da B3 encerrou a sessão aos 167.491,07 pontos, registrando variação negativa de -0,23% no dia. Com esse resultado, o Ibovespa aprofunda a sua retração no mês de agosto para -5,90% e passa a acumular um ganho moderado de +3,95% no ano de 2026 (com desempenho de -2,64% no 3T26).
A Bolsa brasileira engatou o seu sétimo pregão seguido no vermelho, mantendo o mês de agosto sem registrar um dia sequer no terreno positivo. O movimento refletiu o ajuste técnico contínuo após o rebaixamento da recomendação do Brasil por analistas estrangeiros e a cautela dos investidores em relação ao cenário fiscal e às eleições presidenciais. No âmbito dos dados, a Pesquisa Mensal de Serviços mostrou estabilidade em junho, apontando uma desaceleração gradual da atividade econômica.
Na composição do índice, a mineradora Vale (VALE3) subiu 0,79%, amparada pelo leve avanço do minério de ferro na China e evitando uma queda maior do Ibovespa. A Embraer (EMBJ3) disparou 4,00%, estendendo o excelente momento após balanços operacionais e novos pedidos. Na ponta oposta, a Petrobras (PETR4) cedeu 0,50%, enquanto os grandes bancos fecharam mistos (com quedas em Itaú -1,46% e Banco do Brasil -1,45%, e leve alta no Santander +0,34%). No setor imobiliário, a Direcional (DIRR3) despencou 4,72% após balanço trimestral.
Juros – DIs sobem mesmo com alívio nos juros americanos e exigem atenção no planejamento de ALM
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quarta-feira registrando elevação das taxas em até 5,0 pontos-base ao longo da curva, em um movimento que chamou a atenção por caminhar na direção oposta ao recuo dos rendimentos das Treasuries nos Estados Unidos.
Na ponta curta, o mercado consolidou cerca de 75% de probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic pelo Copom na reunião de setembro. Contudo, nos vértices intermediários e longos, as taxas subiram pressionadas pelo desconforto do Banco Central com a desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo e pelas incertezas sobre a sustentabilidade fiscal, sinalizando que o espaço para cortes adicionais de juros nos próximos anos pode ser limitado.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos e conselhos dos Regimes Próprios, acompanhar as taxas de DI futuro é indispensável para o balanceamento entre ativo e passivo (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de juros básica de referência para precificar os títulos públicos federais (NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas futuras sobem pontualmente, os títulos de renda fixa mantidos em carteira sofrem um ajuste contábil temporário por marcação a mercado.
Apesar da alta das taxas futuras, os índices atrelados à inflação fecharam o dia com leves ganhos, com o IMA-B 5+ avançando +0,1262% e o IMA-B geral subindo +0,1042%, enquanto a carteira de caixa e liquidez imediata, mensurada pelo IRF-M 1 (+0,0666%), continuou fornecendo retornos lineares e protegidos. Conforme o mercado espera, os momentos de abertura na curva de juros renovam as oportunidades táticas para os RPPS adquirirem títulos públicos (NTN-Bs) com taxas reais elevadas, garantindo a imunização do passivo e o cumprimento da meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,1262%
IMA-B: +0,1042%
IMA-B 5: +0,0773%
IRF-M: -0,0101%
IRF-M 1: +0,0666%
Dólar – Moeda americana engata terceira alta seguida e fecha cotada a R$ 5,179
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,36%, cotado a R$ 5,179 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,137 e a máxima de R$ 5,181).
A terceira valorização consecutiva do dólar perante o real ocorreu em sintonia com o fortalecimento da moeda americana no exterior, onde o índice DXY subiu 0,18%, atingindo 100,01 pontos. O mercado acredita que o aumento dos prêmios de risco no ambiente doméstico e as incertezas geopolíticas no Oriente Médio têm mantido a demanda por proteção cambial aquecida, o que exige cautela dos investidores em relação aos custos de produtos e insumos importados.
E agora?
A quinta-feira reserva novos dados fundamentais para avaliar o comportamento da inflação e do consumo no Brasil e nos Estados Unidos. No cenário internacional, os investidores acompanharão a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (IPP) de julho e o relatório semanal de Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego nos EUA. No Brasil, o IBGE publica os resultados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), trazendo o raio-x das vendas no varejo para checar a força do consumo das famílias em meio às taxas de juros vigentes.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (13/08/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇺🇸 09h30 – BLS: Divulgação do Índice de Preços ao Produtor (IPP de julho) nos EUA.
🇺🇸 09h30 – Dept. do Trabalho: Relatório de Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego nos EUA.
🇧🇷 IBGE: Divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) referente a junho/julho no Brasil.
Mantenha a governança do seu instituto alinhada às melhores práticas de ALM e aproveite a estrutura da curva de juros para otimizar o seu passivo atuarial. Acompanhe a repercussão dos dados de vendas do comércio e as análises das nossas mesas no Morning News.
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