O mercado financeiro brasileiro viveu mais uma jornada de descompressão nos preços dos ativos nesta quinta-feira (13). Em um dia marcado pelo receio dos investidores com o cenário fiscal e pela forte reação negativa a balanços do segundo trimestre, o Ibovespa fechou em queda de 0,23%, aos 167.100,95 pontos, engatando a sua oitava sessão consecutiva no vermelho e aprofundando o acumulado do mês de agosto para -6,12% (+3,71% no ano).
No mercado de câmbio, a busca por proteção fez o dólar comercial subir 0,36%, cotado a R$ 5,193, registrando a quarta alta seguida. Em sentido oposto, as bolsas americanas fecharam em alta, impulsionadas pela estabilidade da inflação ao produtor (PPI) nos EUA, que levou o S&P 500 a um novo recorde histórico. Na renda fixa nacional, a preocupação com o ambiente fiscal e eleitoral fez os juros futuros (DIs) avançarem por toda a curva, com maior pressão nos vencimentos longos.
Entre a cautela política doméstica e os alívios inflacionários internacionais, o cenário exige atenção redobrada dos gestores na preservação patrimonial. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada mercado e seus impactos operacionais nas seções a seguir.
Olhar Global – Inflação ao produtor (PPI) alivia juros nos EUA e leva Wall Street a novo recorde
O cenário internacional encontrou motivos para otimismo nos dados de inflação dos Estados Unidos. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) referente a julho veio estável e ligeiramente abaixo das estimativas do mercado, reforçando a leitura de que a inflação americana segue na direção desejada pelo Federal Reserve. O resultado reduziu a urgência por novos aumentos de juros pela autoridade monetária americana, abrindo espaço para um rali no setor de tecnologia.
O ambiente externo só não foi de euforia total devido aos ruídos fiscais nos EUA — onde o Tesouro vendeu US$ 25 bilhões em títulos de 30 anos com as maiores taxas em duas décadas — e às tensões geopolíticas no Oriente Médio, com o Irã reafirmando o controle sobre o Estreito de Ormuz. Apesar disso, o petróleo fechou em queda e o apetite por risco prevaleceu em Nova York.
O índice Dow Jones subiu 0,13% (53.840,21 pontos)
O S&P 500 avançou 0,66% (7.799,19 pontos)
O Nasdaq teve alta de 0,81% (26.803,02 pontos)
Ibovespa – Bolsa afunda pela oitava sessão consecutiva sob peso de Hapvida, BB e incerteza fiscal
O principal índice da B3 encerrou a sessão aos 167.100,95 pontos, registrando variação negativa de 0,23% no dia. Com esse resultado, o Ibovespa aprofunda a perda no mês de agosto para -6,12% e reduz o seu retorno acumulado em 2026 para +3,71% (com desempenho de -2,86% no 3T26).
A Bolsa paulista não conseguiu acompanhar o tom positivo do exterior, prejudicada pelo aumento das incertezas fiscais. O mercado passou a precificar com maior intensidade o cenário eleitoral, expressando dúvidas sobre o desenho do arcabouço fiscal nos próximos anos e levando investidores a reduzirem posições em ativos brasileiros. Do lado macroeconômico, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) mostrou avanço nas vendas de itens essenciais em junho, mas retração nos segmentos dependentes de crédito, reflexo dos juros ainda restritivos.
No campo corporativo, a temporada de balanços pesou forte: a Hapvida (HAPV3) despencou 33,09% após a alta da judicialização comprometer as projeções de rentabilidade, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) caiu 4,16% diante do aumento da inadimplência no segmento agro. A Minerva (BEEF3) recuou 7,60% e a Vale (VALE3) cedeu 1,75%. Por outro lado, a Petrobras (PETR4) avançou 1,09%, atuando como suporte do índice, ao lado da Ultrapar (UGPA3, +5,08%), da MRV (MRVE3, +14,29%) e da CSN (CSNA3, +5,56%).
Juros – Juros futuros sobem na ponta longa impulsionados por ruído fiscal e eleitoral
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quinta-feira com elevação das taxas por toda a curva, com os contratos de prazos mais longos liderando o movimento e subindo até 3,5 pontos-base.
A abertura nas taxas ocorreu a despeito do alívio vindo dos dados de inflação nos EUA. No ambiente doméstico, os investidores exigiram maior prêmio de risco frente às incertezas fiscais e ao debate político eleitoral. Na ponta curta, a curva seguiu sensível aos sinais da atividade econômica e às expectativas para a condução da taxa Selic pelo Banco Central. Durante a sessão, o Tesouro Nacional realizou um leilão robusto de títulos pré-fixados, vendendo 16,1 milhões de LTNs e 2,0 milhões de NTN-Fs.
O que isso significa para o RPPS?
Para a gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social, acompanhar o comportamento do DI futuro é crucial para a estratégia de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de desconto utilizada para precificar os títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e ativos de crédito privado. Quando as taxas futuras sobem, o valor presente dos papéis mantidos em carteira sofre um ajuste contábil temporário por marcação a mercado negativa.
Esse movimento traduziu-se em ligeira retração nos índices de prazos mais longos, como o IMA-B 5+ (-0,0538%) e o IMA-B geral (-0,0171%). Em contrapartida, os papéis de menor prazo, mensurados pelo IMA-B 5 (+0,0279%), e a carteira de liquidez imediata pré-fixada, representada pelo IRF-M 1 (+0,0596%), mantiveram retornos nominais estáveis e positivos. O mercado acredita que a elevação das taxas na ponta longa da curva abre janelas táticas atrativas para que os RPPS travem taxas reais elevadas em NTN-Bs, assegurando a imunização do passivo atuarial no longo prazo.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,0538%
IMA-B: -0,0171%
IMA-B 5: +0,0279%
IRF-M: -0,0479%
IRF-M 1: +0,0596%
Dólar – Dólar avança pela quarta vez consecutiva e fecha cotado a R$ 5,193
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,193 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,176 e a máxima de R$ 5,199).
A quarta valorização consecutiva da moeda americana frente ao real ocorreu de forma descolada do exterior, onde o índice global DXY cedeu 0,04%, aos 99,97 pontos. O mercado avalia que a busca por proteção cambial no Brasil foi alimentada pela cautela com o cenário fiscal e pela proximidade do período eleitoral, o que eleva a atenção sobre os custos de insumos e produtos importados.
E agora?
A sexta-feira reserva indicadores relevantes sobre o consumo nos Estados Unidos e a atividade europeia. Em Wall Street, as atenções estarão voltadas para a divulgação dos dados de Vendas no Varejo de julho, o Índice de Percepção do Consumidor da Universidade de Michigan e a estimativa do GDPNow do Fed de Atlanta para o PIB do terceiro trimestre. No mercado local, os investidores buscarão sinais de estabilização nos preços para avaliar se o Ibovespa conseguirá interromper a sequência de baixas antes do fim da semana.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (14/08/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇺🇸 09h30 – Dept. do Comércio: Vendas no Varejo referente a julho nos EUA.
🇺🇸 11h00 – Univ. de Michigan: Índice de Percepção do Consumidor (dados preliminares de agosto).
🇺🇸 12h30 – Fed de Atlanta: Divulgação da estimativa do PIB (GDPNow para o 3º trimestre).
Mantenha a governança do seu instituto atenta aos movimentos da curva de juros e aproveite as janelas de oportunidade para imunizar o seu passivo atuarial. Acompanhe a repercussão dos indicadores no nosso Morning News.