A terça-feira (18) trouxe mais um capítulo de cautela e volatilidade para o mercado financeiro brasileiro. Em uma sessão marcada por tentativas frustradas de recuperação, o Ibovespa ensaiou uma alta durante a tarde, mas virou na reta final e engatou a sua 11ª queda consecutiva, acumulando perda de 6,55% no mês de agosto. O desânimo local foi acompanhado pelo azedume no exterior, com as bolsas americanas fechando no terreno negativo em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à escalada dos rendimentos dos títulos públicos nos EUA. No câmbio, o dólar comercial subiu 0,40%, cotado na máxima do dia a R$ 5,222. Já na renda fixa, os juros futuros encerraram o pregão com comportamento misto: alívio nos contratos curtos e alta firme nos vencimentos de longo prazo.
Convidamos você a acompanhar na íntegra os detalhes operacionais e as análises das nossas mesas nas seções a seguir.
Olhar Global – Tensões geopolíticas e alta dos yields em NY pesam sobre os mercados globais
O ambiente internacional registrou novo aumento da cautela entre os investidores globais. Declarações do presidente Donald Trump indicando a ausência de negociações formais com o Irã afastaram a perspectiva de uma solução diplomática imediata para a navegação no Estreito de Ormuz, impulsionando os preços do petróleo pelo segundo dia seguido. Além disso, a elevação nos rendimentos das Treasuries americanas para níveis elevados e a retração nas ações do setor de tecnologia e semicondutores pressionaram os principais índices de Nova York para o campo negativo.
O índice Dow Jones caiu 0,22% (53.344,36 pontos)
O S&P 500 recuou 0,72% (7.692,10 pontos)
O Nasdaq teve queda de 1,33% (26.289,71 pontos)
Ibovespa – Bolsa engata 11ª baixa seguida sob peso de bancos e varejo, mas Petrobras e Vale evitam tombo maior
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 166.334,86 pontos, registrando retração de -0,27% no dia. Com mais essa sessão no vermelho, o Ibovespa acumula uma perda de -6,55% no mês de agosto e reduz os ganhos em 2026 para +3,31% (com desempenho de -3,23% no 3T26).
O mercado brasileiro iniciou o dia buscando barganhas, mas a força vendedora prevaleceu com o aumento do prêmio de risco. O Citi retirou o real da sua cesta de carry trade, e grandes casas de análise reforçaram alertas sobre o aumento das incertezas no ambiente fiscal e pré-eleitoral. No setor financeiro, relatórios sobre a deterioração do crédito das famílias pesaram sobre as cotações: Banco do Brasil (BBAS3, -0,84%), Bradesco (BBDC4, -0,62%), Itaú Unibanco (ITUB4, -0,50%), Santander Brasil (SANB11, -1,18%) e B3 (B3SA3, -0,76%) fecharam em queda. No varejo, Lojas Renner (LREN3) recuou 3,45% e Casas Bahia (BHIA3) caiu 6,82% desdobrando os desdobramentos do seu pedido de recuperação judicial, enquanto Magazine Luiza (MGLU3) avançou 1,18%.
Sustentando o índice contra perdas maiores, as gigantes de commodities fecharam no azul: a Petrobras (PETR4) avançou 0,31%, impulsionada pela alta do petróleo e pelo anúncio de descoberta na Bacia do Amazonas. A Vale (VALE3) subiu 0,21%, acompanhando a alta do minério de ferro, e a Embraer (EMBJ3) ganhou 0,85%, mantendo-se negociada acima dos R$ 100.
Juros – Curva de DIs fecha com alívio no curto prazo e abertura no longo prazo por risco fiscal
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a terça-feira apresentando dinâmica dividida entre os vértices da curva. Na ponta curta, as taxas recuaram até 1,0 ponto-base, enquanto os contratos de vencimento mais longo avançaram até 8,0 pontos-base.
Esse comportamento refletiu leituras distintas entre os horizontes de investimento: nos prazos curtos, o mercado manteve a precificação de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic pelo Copom na reunião de setembro. No entanto, nos vencimentos intermediários e longos, o avanço das taxas dos títulos soberanos americanos e a preocupação dos investidores com a estabilidade fiscal no ambiente doméstico exigiram maior prêmio de risco. Durante a sessão, o Tesouro Nacional realizou leilão de NTN-Bs e LFTs com oferta absorvida pelo mercado.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios, entender a movimentação da curva de DIs é indispensável para o alinhamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de desconto de referência para a precificação dos títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado. Quando a ponta curta alivia e a curva longa abre, criam-se janelas táticas atrativas para adquirir papéis atrelados à inflação com taxas reais elevadas.
A oscilação das taxas refletiu-se em desempenho estável nos papéis de prazos curtos e intermediários:
IMA-B 5+: -0,0277%
IMA-B: -0,0088%
IMA-B 5: +0,0233%
IRF-M: +0,0369%
IRF-M 1: +0,0646%
Dólar – Dólar comercial avança 0,40% e fecha na máxima de R$ 5,222
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,222 para venda na máxima do dia (oscilando entre a mínima de R$ 5,190 e a máxima de R$ 5,222).
A valorização da moeda norte-americana frente ao real acompanhou o comportamento do dólar ante divisas emergentes no exterior, com o índice DXY avançando para os 99,65 pontos (+0,01%). O mercado acredita que a saída líquida de capital estrangeiro da Bolsa brasileira e as revisões de exposição promovidas por grandes fundos globais sustentaram a busca por proteção cambial no mercado local.
E agora?
A quarta-feira coloca os holofotes do mercado mundial sobre a divulgação da Ata da Reunião do FOMC nos Estados Unidos, documento que trará detalhes sobre as discussões de política monetária do Federal Reserve. Na Europa, a publicação do dado final da inflação ao consumidor na zona do euro trará leituras sobre os custos energéticos globais. No Brasil, o mercado monitorará o relatório semanal de Fluxo Cambial Estrangeiro pelo Banco Central para medir o ritmo das movimentações financeiras na B3.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (19/08/2026)
Principais divulgações para acompanhar hoje:
🇺🇸 11h30 – EIA: Relatório oficial de Estoques Semanais de Petróleo Bruto nos EUA.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Relatório semanal de Fluxo Cambial Estrangeiro no Brasil.
🇺🇸 15h00 – Federal Reserve: Divulgação da Ata da Reunião do FOMC nos EUA.
Mantenha a governança do seu instituto atenta às oportunidades da renda fixa e aproveite a estrutura das NTN-Bs para garantir a imunização do seu passivo atuarial. Acompanhe as análises completas e os desdobramentos da Ata do FOMC no nosso Morning News.
R3 Investimentos