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Ibovespa engata 9ª queda seguida, Dólar atinge R$ 5,22 e DIs sobem com risco político

O mercado financeiro brasileiro encerrou a última semana sob intensa pressão dos ativos locais, em uma jornada marcada pela contínua saída de capital estrangeiro e pelo aumento da aversão ao risco eleitoral. Pressionado pela redução de exposição de grandes fundos ao país e pelo vencimento de opções sobre ações, o Ibovespa recuou 0,10%, aos 166.934,20 pontos, acumulando uma queda de -6,22% no mês de agosto e engatando a sua nona sessão consecutiva de perdas.

No mercado de câmbio, a busca por proteção descolou o real do exterior e fez o dólar comercial subir 0,61%, cotado a R$ 5,221, renovando a maior cotação desde março em sua quinta alta seguida. Em Wall Street, as bolsas americanas fecharam em queda, penalizadas por dados fracos do varejo nos EUA e pela alta das cotações do petróleo. Na renda fixa nacional, os juros futuros (DIs) avançaram em toda a curva, com maior intensidade na cauda longa.

Entre a cautela política pré-eleitoral e a busca por imunização em taxas atrativas, o momento exige planejamento atuarial preciso. Convidamos você a acompanhar na íntegra os detalhes operacionais e as análises nas seções a seguir.

Olhar Global – Wall Street recua com varejo fraco e alta do petróleo após novos atritos no Oriente Médio

O cenário internacional viveu uma sessão de realização de lucros nas praças financeiras norte-americanas. A divulgação de dados de vendas no varejo abaixo das expectativas nos Estados Unidos pesou sobre o apetite por risco, enquanto o setor de tecnologia recuou liderado pela fabricante de equipamentos para chips Applied Materials (-5,1%), cujas projeções operacionais frustraram investidores.

Além dos dados econômicos, o mercado global voltou a embutir prêmio de risco no setor de energia. Os contratos futuros do petróleo Brent e WTI saltaram mais de US$ 1 por barril, impulsionados por relatos de ataques a navios petroleiros e pela ausência de avanços em conversas diplomáticas entre Washington e Teerã sobre o Estreito de Ormuz.

O índice Dow Jones caiu 0,20% (53.732,41 pontos)
O S&P 500 recuou 0,17% (7.785,76 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,28% (26.729,16 pontos)

Ibovespa – Bolsa engata nona queda consecutiva e fecha semana em baixa sob pressão de fuga estrangeira

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão de sexta-feira aos 166.934,20 pontos, registrando retração de -0,10% no dia e acumulando perda de -3,24% na semana. Com essa sequência, o Ibovespa fixa seu resultado no mês de agosto em -6,22% e reduz o retorno acumulado em 2026 para +3,61% (com desempenho de -2,96% no 3T26).

A Bolsa paulista registrou a sua mais longa sequência diária de perdas desde agosto de 2023. O principal vetor do movimento tem sido a saída expressiva de capital estrangeiro da B3, com dados operacionais apontando um fluxo líquido negativo de R$ 13,56 bilhões no mês até o dia 12. O mercado acredita que grandes gestores internacionais têm reduzido posições em ativos brasileiros para ajustar carteiras diante das incertezas da disputa presidencial. O vencimento de opções sobre ações e a recepção de balanços trimestrais adicionaram volatilidade extra ao pregão.

Juros – Juros futuros sobem na ponta longa impulsionados por maior prêmio de risco eleitoral

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a sexta-feira com elevação nas taxas ao longo de toda a curva, com a pressão concentrada principalmente nos vértices de vencimento mais distante, que avançaram até 10,5 pontos-base.

Esse movimento de abertura na cauda longa refletiu o aumento das exigências de prêmio de risco pelos investidores diante das pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais. O mercado passou a incorporar maior cautela quanto às perspectivas fiscais e de endividamento público para os próximos anos, exigindo remuneração mais elevada para encarar títulos de prazos mais longos.

O que isso significa para o RPPS?

Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios, acompanhar a flutuação dos DIs futuros é fundamental para a gestão de Asset Liability Management (ALM).

O DI futuro atua como a taxa básica de referência para precificar os títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas futuras sobem na ponta longa, o valor presente dos títulos mantidos em carteira passa por um ajuste contábil temporário de marcação a mercado negativa.

Essa elevação refletiu-se nos índices de prazos intermediários e longos, com o IMA-B 5+ recuando -0,0247% e o IRF-M cedendo -0,2120%. Em contrapartida, a parcela alocada em caixa de liquidez imediata, balizada pelo IRF-M 1 (+0,0361%), seguiu entregando retorno nominais positivos e sem volatilidade. Conforme a expectativa do mercado, momentos de abertura na cauda longa da curva criam janelas táticas valiosas para que os RPPS travem taxas reais elevadas em NTN-Bs longas, garantindo o casamento de fluxos e o cumprimento da meta atuarial.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,0247%
IMA-B: -0,0187%
IMA-B 5: -0,0112%
IRF-M: -0,2120%
IRF-M 1: +0,0361%

Dólar – Dólar engata quinta alta seguida e fecha a R$ 5,22 na contramão do exterior

O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,61%, cotado a R$ 5,221 para venda (atingindo a maior cotação de fechamento desde o final de março). No acumulado da semana, a moeda avançou 2,70%.

A quinta valorização consecutiva da moeda americana frente ao real ocorreu de forma totalmente descolada do exterior. O mercado avalia que a combinação de aversão ao risco doméstico com a saída líquida de recursos estrangeiros da B3 incentivou a compra defensiva de dólares por fundos locais, o que exige atenção da gestão institucional quanto à precificação de insumos e inflação de curto prazo.

E agora?

A segunda-feira coloca o mercado brasileiro diante de uma agenda carregada de dados de inflação e atividade econômica. Log cedo, a FGV divulga o IGP-10 de agosto, enquanto o Banco Central publica o relatório Boletim Focus com as revisões de mercado e o IBC-Br de junho, considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Nos Estados Unidos, o Índice Empire State de Atividade Industrial movimentará o início dos negócios no setor fabril norte-americano.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (17/08/2026)

Principais fatores para monitorar hoje:

🇧🇷 08h00 – FGV: Divulgação do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10 de agosto).
🇧🇷 08h25 – Banco Central: Relatório de expectativas de mercado no Boletim Focus.
🇧🇷 09h00 – Banco Central: Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br de junho).
🇺🇸 09h30 – Fed de NY: Índice Empire State de Atividade Industrial de agosto nos EUA.

Aproveite o movimento de abertura das taxas de longo prazo para avaliar o reequilíbrio da sua carteira e proteger a meta atuarial do seu instituto. Acompanhe a repercussão do IBC-Br e do Focus no nosso Morning News.

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