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Ibovespa engata 10ª queda, Dólar recua a R$ 5,20 e IBC-Br sinaliza desaceleração

O mercado financeiro iniciou a semana lidando com uma combinação de dados fracos de atividade econômica no Brasil, aumento das tensões geopolíticas no exterior e um evento marcante no varejo nacional. A divulgação do IBC-Br de junho confirmou que a economia brasileira segue em ritmo de desaceleração gradual, o que fortalece as expectativas do mercado para a continuidade dos cortes na taxa Selic nas próximas reuniões. Ao mesmo tempo, a debandada de recursos estrangeiros da B3 com saídas acumuladas de R$ 15,6 bilhões em agosto voltou a pesar sobre o mercado acionário local.

Diante desse ambiente, o Ibovespa fechou em leve baixa de 0,09%, aos 166.783,57 pontos, engatando a sua décima sessão consecutiva no vermelho e aprofundando o acumulado do mês de agosto para -6,30%. No mercado de câmbio, o real conseguiu se valorizar acompanhando o movimento internacional, fazendo o dólar comercial recuar 0,36%, cotado a R$ 5,201. Em Wall Street, o tombo veio com o recrudescimento da retórica militar no Oriente Médio, levando as bolsas americanas a fechar em queda em bloco. Na renda fixa brasileira, os juros futuros (DIs) apresentaram comportamento misto, com recuo na ponta curta e leve elevação nos contratos longos.

Entre a busca por proteção e as oportunidades abertas na renda fixa para o planejamento atuarial, convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada mercado nas seções a seguir.

Olhar Global – Retórica militar no Oriente Médio eleva petróleo e derruba bolsas em Wall Street

O cenário internacional viveu um dia de azedume e busca por liquidez defensiva nas praças financeiras de Nova York. O otimismo inicial foi desfeito após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, endurecendo o tom contra Teerã ao exigir rendição e mencionar possíveis ações militares em relação a Omã caso os interesses dos EUA sejam afetados. O governo iraniano respondeu na mesma intensidade, elevando o risco de um agravamento do conflito no Estreito de Ormuz.

Essa troca de ameaças fez os preços internacionais do petróleo saltarem mais de 2% no dia, reacendendo temores de pressões sobre os custos energéticos globais. O movimento pesou diretamente sobre os ativos de risco nas bolsas americanas, que fecharam todas no terreno negativo.

O índice Dow Jones caiu 0,48% (53.473,51 pontos)

O S&P 500 recuou 0,52% (7.745,04 pontos)

O Nasdaq teve queda de 0,31% (26.646,91 pontos)

Ibovespa – Bolsa engata décima queda consecutiva sob peso dos bancos e pedido de RJ da Casas Bahia

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão de segunda-feira aos 166.783,57 pontos, registrando variação negativa marginal de -0,09% no dia. Com mais essa sessão no vermelho, o Ibovespa fixa seu resultado no mês de agosto em -6,30% e reduz a valorização acumulada em 2026 para +3,51% (com desempenho de -3,05% no 3T26).

A Bolsa brasileira amargou a sua décima queda consecutiva, reflexo da intensa saída de capital externo do país, que já soma R$ 15,6 bilhões no mês. O grande destaque corporativo do dia foi a Casas Bahia (BHIA3), cujas ações desabaram 33,33% após a empresa entrar com pedido de recuperação judicial alegando enfrentar a pior crise financeira de sua história após prejuízo no 2T26. Por outro lado, o varejo alimentar e de moda reagiu bem, com Magazine Luiza (MGLU3) disparando 8,18% e Americanas (AMER3) subindo 1,60%.

As gigantes de commodities atuaram como suporte do índice: a Petrobras (PETR4) subiu 0,90%, acompanhando a alta do petróleo, e a Vale (VALE3) avançou 0,15%. No entanto, a forte retração no setor bancário — com Bradesco (BBDC4, -1,93%), Itaú Unibanco (ITUB4, -1,59%), Banco do Brasil (BBAS3, -2,34%) e Santander Brasil (SANB11, -1,10%) — impediu a recuperação do Ibovespa.

Juros – IBC-Br fraco alivia ponta curta dos DIs, enquanto risco fiscal e externo pressiona contratos longos

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a segunda-feira com dinâmica divergente entre os vértices da curva. Na ponta curta, as taxas recuaram até 1,0 ponto-base, enquanto os contratos de vencimento mais longo avançaram até 5,0 pontos-base.

A queda das taxas nos vencimentos curtos ocorreu em reação direta aos dados do IBC-Br de junho, que veio abaixo das estimativas do mercado e confirmou a desaceleração da economia brasileira no segundo trimestre. O mercado acredita que a moderação da atividade econômica consolida o espaço para que o Banco Central promova um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na reunião de setembro. Já na ponta longa, os investidores exigiram maior prêmio de risco devido ao aumento das incertezas fiscais no ambiente eleitoral e ao salto das commodities energéticas lá fora.

O que isso significa para o RPPS?

Para os comitês e conselhos de investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social, a flutuação da curva de DIs futuros é a bússola para as estratégias de Asset Liability Management (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de desconto utilizada para precificar títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e ativos de crédito privado. Quando a ponta curta cede e a inflação dá sinais de arrefecimento, os títulos mantidos em carteira passam por uma valorização contábil via marcação a mercado positiva.

Esse ambiente de alívio nos vértices curtos e médios impulsionou os índices atrelados à inflação no dia, com o IMA-B 5+ saltando +0,5807% e o IMA-B geral avançando +0,3837%, auxiliando a rentabilidade dos portfólios previdenciários rumo ao atingimento da meta atuarial. Paralelamente, o caixa pré-fixado de liquidez imediata, balizado pelo IRF-M 1 (+0,0595%), manteve entregas previsíveis e sem volatilidade. O mercado espera que o cenário de juros reais elevados continue oferecendo excelente oportunidade para travar rentabilidades de longo prazo em NTN-Bs.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,5807%
IMA-B: +0,3837%
IMA-B 5: +0,1212%
IRF-M: +0,1117%
IRF-M 1: +0,0595%

Dólar – Dólar comercial cede 0,36% e fecha a R$ 5,201 acompanhando ajuste global

O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,36%, cotado a R$ 5,201 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,181 e a máxima de R$ 5,221).

O recuo da moeda norte-americana frente ao real interrompeu uma sequência de valorizações e operou em sintonia com o mercado internacional, onde o índice DXY cedeu 0,09%, para os 99,58 pontos. O mercado avalia que, a despeito dos ruídos fiscais internos e da saída de recursos da B3, o movimento seguiu o alinhamento global de moedas emergentes, aliviando temporariamente as pressões sobre os preços de insumos importados.

E agora?

A terça-feira apresenta uma agenda de indicadores econômicos mais enxuta no mercado doméstico, fazendo com que os investidores locais concentrem sua atenção nos desdobramentos políticos e nos dados de atividade nos Estados Unidos. O mercado acompanhará a divulgação do Índice Redbook de Vendas no Varejo e os dados da Produção Industrial norte-americana, além do relatório da API sobre os estoques semanais de petróleo. O foco principal estará em observar se a Bolsa paulista encontrará forças para interromper a mais longa sequência de quedas do ano.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (18/08/2026)

Principais fatores para monitorar hoje:

🇺🇸 09h55 – Redbook: Divulgação do Índice Redbook de Vendas no Varejo nos EUA.
🇺🇸 10h15 – Federal Reserve: Produção Industrial (Anual) nos EUA.
🇺🇸 17h30 – API: Relatório de Estoques Semanais de Petróleo Bruto nos EUA.

Aproveite o momento de alívio na renda fixa para recalibrar a estrutura de ativos do seu instituto e otimizar a imunização do passivo atuarial. Acompanhe a repercussão dos mercados e as análises das nossas mesas no Morning News.

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