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Ibovespa avança com impulso das commodities, mas DIs e Dólar sobem com pressão em NY

O mercado financeiro vivenciou uma quinta-feira de dinâmicas opostas entre o cenário doméstico e o ambiente internacional. Nos Estados Unidos, o nervosismo tomou conta das mesas de operação após a dívida pública superar a marca histórica de US$ 40 trilhões e os rendimentos dos títulos do Tesouro voltarem a subir, puxando as bolsas americanas para uma forte queda. Em solo brasileiro, a alta das cotações do petróleo e da mineradora Vale garantiu suporte ao Ibovespa, que fechou em leve alta de 0,06%, aos 167.927,15 pontos, acumulando um resultado de -5,66% no mês de agosto.

No mercado de câmbio, a busca por proteção no cenário global impulsionou o dólar comercial, que subiu 0,32%, cotado a R$ 5,193. Na renda fixa nacional, o avanço das taxas dos títulos norte-americanos contaminou a curva local, fazendo os juros futuros (DIs) registrarem alta por toda a curva. Em um dia de volatilidade e busca por equilíbrio nas carteiras, convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados nas seções a seguir.

Olhar Global – Dívida de US$ 40 trilhões nos EUA e alta dos Treasuries derrubam Wall Street

O panorama internacional registrou um dia de forte azedume e realização de lucros nas bolsas de Nova York. O anúncio de que o Departamento do Tesouro dos EUA ampliará as operações de recompra de títulos não foi suficiente para estancar as preocupações estruturais com o déficit orçamentário norte-americano, em um momento em que a dívida pública do país ultrapassou a marca inédita de US$ 40 trilhões. A elevação dos rendimentos das Treasuries por toda a curva elevou o custo de capital e pressionou as ações de tecnologia e mercado em geral.

No campo geopolítico, o presidente Donald Trump voltou a promover discursos firmes ao ameaçar o Irã com as maiores sanções econômicas da história, enquanto Teerã classificou as declarações como cortina de fumaça. O impasse manteve o prêmio de risco no setor de energia, levando os contratos futuros de petróleo a fecharem em alta no mercado global.

O índice Dow Jones caiu 1,31% (52.765,33 pontos)

O S&P 500 recuou 0,86% (7.641,66 pontos)

O Nasdaq teve queda de 1,00% (26.067,16 pontos)

Ibovespa – Commodities seguram a Bolsa no azul em dia de fraqueza no setor bancário

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 167.927,15 pontos, registrando variação positiva de +0,06% no dia. Com o segundo resultado positivo consecutivo, o Ibovespa fixa seu retorno no mês de agosto em -5,66% e preserva um ganho acumulado em 2026 de +4,22% (com desempenho de -2,38% no 3T26).

A Bolsa brasileira funcionou como um cabo de guerra entre setores. Atuando como um verdadeiro antídoto contra a queda do mercado, as gigantes de commodities lideraram os ganhos: a Vale (VALE3) disparou 2,62%, mesmo com o recuo do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras (PETR4) avançou 2,81%, impulsionada pela alta das cotações do petróleo e acompanhada pela PRIO (+0,83%). Destaque também para a Marcopolo (POMO4, +6,46%) após anúncio de recompra de ações.

Por outro lado, o setor financeiro permaneceu na defensiva e impediu um avanço mais expressivo do índice, com recuos em Itaú Unibanco (ITUB4, -2,24%), Bradesco (BBDC4, -1,69%) e Banco do Brasil (BBAS3, -0,22%), contra alta pontual do Santander Brasil (SANB11, +0,94%). No setor siderúrgico, a Gerdau (GGBR4) cedeu 2,47% em função de negociações tarifárias entre EUA e Canadá.

Juros – Juros futuros sobem acompanhando o exterior, mas renda fixa atrelada à inflação avança

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quinta-feira com elevação generalizada de taxas ao longo de toda a estrutura a termo, registrando altas de até 9,5 pontos-base.

O movimento de abertura nas taxas futuras refletiu o estresse vindo do mercado norte-americano, onde a subida dos rendimentos dos títulos públicos pressionou os mercados emergentes. Nem mesmo o leilão do Tesouro Nacional — que vendeu integralmente um lote ampliado de 18 milhões de LTNs e 3,65 milhões de NTN-Fs — conseguiu conter o ajuste de prêmio.

O que isso significa para o RPPS?

Para a governança dos Regimes Próprios de Previdência Social, compreender a flutuação do DI futuro é essencial para calibrar o balanceamento entre ativo e passivo (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de juros básica de referência para a precificação de títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs), ativos de crédito privado e valuation de empresas na Bolsa. Quando as taxas futuras sobem, o valor presente dos papéis de renda fixa sofre um ajuste contábil temporário de marcação a mercado.

A despeito da alta das taxas futuras, os índices atrelados à inflação fecharam o dia no campo positivo, com o IMA-B geral avançando +0,2039% e o IMA-B 5+ subindo +0,2328%, auxiliando na rentabilidade das carteiras rumo ao cumprimento da meta atuarial. Ao mesmo tempo, o caixa de liquidez imediata pré-fixado, mensurado pelo IRF-M 1 (+0,0402%), seguiu entregando retornos previsíveis e sem volatilidade. Conforme a expectativa do mercado, episódios de elevação nas taxas da curva de DIs continuam abrindo janelas táticas para travar juros reais atrativos em NTN-Bs de longo prazo.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,2328%
IMA-B: +0,2039%
IMA-B 5: +0,1547%
IRF-M: -0,0519%
IRF-M 1: +0,0402%

Dólar – Dólar comercial avança a R$ 5,193 em dia de aversão ao risco internacional

O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,32%, cotado a R$ 5,193 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,178 e a máxima de R$ 5,201).

A valorização da moeda norte-americana frente ao real operou em sintonia com o cenário internacional, onde o índice DXY avançou 0,05%, atingindo 98,89 pontos. O mercado acredita que a incerteza fiscal nos EUA e as tensões geopolíticas no Oriente Médio renovaram a demanda global por proteção em dólar, o que requer acompanhamento atento dos investidores institucionais sobre os custos de importação e repasses inflacionários.

E agora?

A sexta-feira chega para encerrar a semana com uma agenda de indicadores econômicos mais enxuta no Brasil, direcionando a atenção das mesas para os dados globais. O mercado acompanhará a divulgação dos Índices de Gerentes de Compras (PMIs) nos Estados Unidos, que servirão como termômetro da atividade industrial e de serviços na maior economia do mundo. Além disso, a contagem de sondas de petróleo da Baker Hughes trará novos elementos sobre a oferta energética.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (21/08/2026)

Principais fatores para monitorar hoje:

🇨🇳 10h00 – Ministério do Comércio: Dados de Investimento Estrangeiro Direto na China.
🇺🇸 10h45 – S&P Global: Divulgação do PMI Industrial de agosto nos EUA.
🇺🇸 14h00 – Baker Hughes: Relatório da contagem semanal de sondas de petróleo nos EUA.

Mantenha a governança do seu instituto alinhada às melhores práticas de ALM e aproveite a estrutura da curva de juros para imunizar o seu passivo atuarial. Acompanhe os desdobramentos dos PMIs e as análises do mercado no nosso Morning News.

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