A quarta-feira (19) reservou o momento mais aguardado do mês para o mercado financeiro brasileiro: após 11 quedas consecutivas, o Ibovespa interrompeu a sequência negativa e fechou em alta de 0,90%, aos 167.830,27 pontos, reduzindo o acumulado do mês de agosto para -5,71%.
O principal catalisador dessa virada veio dos Estados Unidos, onde o Departamento do Tesouro anunciou o aumento expressivo no seu programa de recompra de títulos de longo prazo para dar suporte de liquidez ao mercado. A medida provocou uma queda generalizada nas taxas dos juros americanos e enfraqueceu a moeda norte-americana no cenário global. Com isso, o dólar comercial recuou 0,87%, cotado a R$ 5,176, enquanto as bolsas americanas fecharam em leve alta. Na renda fixa brasileira, os juros futuros (DIs) registraram forte queda por toda a curva, destravando valorizações por marcação a mercado nos títulos públicos federais.
Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada mercado e seus impactos na gestão atuarial nas seções a seguir.
Olhar Global – Tesouro dos EUA amplia recompra de títulos de longo prazo e alivia juros mundiais
O cenário internacional encontrou um forte vetor de otimismo na atuação do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. O órgão informou o aumento em “pelo menos o dobro” do tamanho das suas operações de recompra voltadas ao suporte de liquidez para títulos de longo prazo (vencimentos entre 10 e 30 anos). A medida gerou uma forte demanda por esses papéis, empurrando as taxas de retorno (yields) para baixo.
Como os juros longos americanos caíram, o dólar perdeu parte do seu apelo frente a divisas globais, levando o índice DXY a recuar 0,85%, aos 98,81 pontos. Esse movimento incentivou a migração de capital internacional em busca de rentabilidade em mercados emergentes, beneficiando o Brasil. Em Wall Street, as bolsas fecharam com ganhos discretos, com destaque para a disparada das ações da Moderna após avanços promissores em estudos de vacina contra o melanoma. A divulgação da Ata do FOMC reforçou que o Federal Reserve manterá dependência dos dados inflacionários para definir os próximos passos das taxas.
O índice Dow Jones subiu 0,18% (53.441,99 pontos)
O S&P 500 avançou 0,22% (7.708,35 pontos)
O Nasdaq teve alta de 0,16% (26.331,09 pontos)
Ibovespa – Bolsa brasileira consegue primeira vitória em agosto impulsionada por commodities e bancos
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 167.830,27 pontos, registrando variação positiva de +0,90% no dia. Com o resultado, o Ibovespa fixa seu retorno no mês de agosto em -5,71% e acumula uma valorização de +2,44% no ano de 2026 (com desempenho de -4,16% no 3T26).
A atratividade dos preços das ações brasileiras aliada ao alívio nas taxas americanas impulsionou o índice paulista, que foi liderado pelo desempenho das donas do mercado: as blue chips de commodities. A Vale (VALE3) subiu 0,81% e a Petrobras (PETR4) avançou 1,20%, acompanhando a alta do petróleo no exterior. No setor bancário, o Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 1,57% e o Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,47%, compensando as quedas de Bradesco (-0,62%) e Santander (-1,88%). A Casas Bahia (BHIA3) subiu 2,44% na primeira alta pós-pedido de recuperação judicial, e a Copasa (CSMG3) avançou 1,65% com avaliações positivas de analistas.
Na ponta negativa do pregão, Gerdau (GGBR4) cedeu 5,21%, Magazine Luiza (MGLU3) recuou 5,37% e Hapvida (HAPV3) caiu 3,24% diante de desafios operacionais apontados pelo mercado.
Juros – Atuação do Tesouro americano faz DIs caírem até 9,0 pontos-base e valoriza NTN-Bs
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quarta-feira registrando um movimento de alívio disseminado ao longo de toda a estrutura a termo da taxa de juros, com os vértices intermediários e longos recuando até 9,0 pontos-base.
A queda das taxas futuras locais ocorreu em simetria direta com o recuo das Treasuries no exterior após a intervenção do Tesouro americano. Esse alívio reduziu o estresse sobre os ativos emergentes e permitiu a devolução de prêmios acumulados recentemente na curva brasileira.
O que isso significa para o RPPS?
Para a governança dos Regimes Próprios de Previdência Social, entender a dinâmica da curva de DIs é essencial para o planejamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro funciona como a taxa de juros básica de referência para a precificação de títulos públicos federais (como as NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas de juros futuras caem, os ativos mantidos em carteira passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.
Esse movimento de fechamento da curva traduziu-se em ganhos expressivos para os índices atrelados à inflação e títulos prefixados no dia:
IMA-B 5+: +0,4197%
IMA-B: +0,3254%
IMA-B 5: +0,1649%
IRF-M: +0,2853%
IRF-M 1: +0,0667%
Conforme o mercado esperava, a recuperação nos preços dos títulos atrelados ao IMA-B impulsionou as carteiras previdenciárias rumo ao atingimento da meta atuarial, reforçando o valor estratégico das NTN-Bs para a imunização do passivo.
Dólar – Dólar comercial recua 0,87% e fecha a R$ 5,176 impulsionado por fluxo capital
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,87%, cotado a R$ 5,176 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,157 e a máxima de R$ 5,211).
O recuo expressivo da moeda norte-americana no mercado brasileiro operou em total sincronia com o ambiente externo, acompanhando a desvalorização do índice DXY (-0,85%). O mercado acredita que a atuação do Tesouro dos EUA para conter as taxas longas reduziu a atratividade do capital estacionado em títulos americanos, estimulando o redirecionamento de fluxos estrangeiros para ativos brasileiros de maior rendimento e aliviando a cotação cambial local.
E agora?
A quinta-feira apresenta uma agenda de indicadores econômicos mais enxuta no cenário doméstico e internacional. No Brasil, as atenções estarão voltadas para a Reunião Ordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN). Nos Estados Unidos, o mercado acompanhará a divulgação semanal dos Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego para monitorar a temperatura do mercado de trabalho. O foco principal dos investidores será observar se o alívio nas taxas globais garantirá fôlego para a continuidade dos ganhos na Bolsa paulista.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (20/08/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇧🇷 09h00 – Banco Central / Fazenda: Reunião Ordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN).
🇺🇸 09h30 – Dept. do Trabalho: Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego nos EUA.
Aproveite o movimento de valorização contábil na curva de juros para recalibrar a duration dos seus ativos e otimizar a imunização atuarial do seu RPPS. Acompanhe as análises das nossas mesas e os desdobramentos do mercado no nosso Morning News.
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