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Ibovespa realiza lucros e pausa rali, mas Renda Fixa brilha com queda dos DIs

O mercado financeiro vivenciou uma quinta-feira (03) de ajuste de posições e realização de lucros após uma longa sequência vitoriosa. Em um pregão marcado pela cautela dos investidores antes da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (Payroll), o Ibovespa fechou com leve recuo de 0,01%, aos 185.188,13 pontos, mantendo um sólido acumulado de +4,38% no mês de setembro (+14,93% no ano).
No mercado de câmbio, o real emendou o quarto dia consecutivo de valorização, com o dólar comercial caindo 0,07%, cotado a R$ 5,105. Em Wall Street, o apetite por risco foi renovado e as bolsas americanas fecharam em forte alta, impulsionadas por declarações de membros do Federal Reserve apoiando a manutenção das taxas de juros. Já na renda fixa brasileira, os juros futuros (DIs) despencaram por toda a curva, atingindo o menor patamar desde maio e gerando ganhos por marcação a mercado nos títulos públicos públicos federais atrelados à inflação.

Diante dessas movimentações, convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados nas seções a seguir.

Olhar Global – Falas do Fed sobre manutenção de juros e queda nas Treasuries disparam Wall Street

No cenário internacional, o tom positivo prevaleceu amplamente nas praças financeiras de Nova York. O principal impulsionador do otimismo foi o discurso de Christopher Waller, membro do Conselho do Federal Reserve, que sinalizou apoio à manutenção da taxa básica de juros na reunião do órgão em setembro. As declarações reduziram as apostas do mercado em relação a um novo aperto monetário nos EUA de 63,2% para 54,6%, favorecendo a busca por ativos de risco.

O movimento foi acompanhado por um recuo firme nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), sobrepondo-se ao avanço do indicador PMI do setor de serviços nos EUA (que subiu para 55,4 em agosto) e às oscilações nas cotações internacionais do petróleo.

O índice Dow Jones subiu 1,18% (53.685,93 pontos)

O S&P 500 avançou 1,06% (7.747,61 pontos)

O Nasdaq teve alta de 1,40% (26.584,06 pontos)

Ibovespa – Bolsa testa os 188 mil pontos, mas fecha estável com realização de lucros pré-Payroll

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 185.188,13 pontos, registrando variação marginal de -0,01% no dia (recuo de apenas 16,96 pontos). A despeito da pausa na sequência de 11 altas, o Ibovespa fixa seu retorno no mês de setembro em +4,38% e consolida uma valorização em 2026 de +14,93% (com ganho de +7,65% no 3T26).

O pregão funcionou como uma pausa tática para reforço de caixa: o índice chegou a saltar para a máxima de 188.891,50 pontos pela manhã, impulsionado pelo bom humor global, mas investidores optaram por realizar lucros e embolsar ganhos recentes antes da publicação do relatório de empregos americano. A queda do Ibovespa só não foi maior graças ao setor bancário, com altas no Banco do Brasil (BBAS3, +0,85%), Bradesco (BBDC4, +0,23%), Itaú Unibanco (ITUB4, +1,23%), Santander Brasil (SANB11, +1,74%) e B3 (B3SA3, +0,52%). A Embraer (EMBJ3) subiu 1,55% após fusão na área de cibersegurança, e a CSN (CSNA3) disparou 6,69% após anúncio de troca na liderança.
Em contrapartida, as gigantes de commodities pesaram sobre o índice: a Vale (VALE3) despencou 2,91%, descolando do avanço do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras (PETR4) cedeu 1,33% e a PRIO (PRIO3) recuou 4,52% pós-divulgação dos dados de produção de agosto.

Juros – DIs caem até 8,0 pontos-base ao menor nível desde maio e valorizam carteiras de ALM

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 viveu uma quinta-feira de alívio generalizado em suas taxas, com os vértices ao longo de toda a curva a termo recuando até 8,0 pontos-base.

A queda das taxas futuras locais ocorreu em simetria com a queda das Treasuries no exterior e a absorção integral pelo mercado do leilão do Tesouro Nacional, que colocou 19 milhões de LTNs e 14 milhões de NTN-Fs. A descompressão levou os DIs ao menor nível registrado desde maio.

O que isso significa para o RPPS?

Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios, a movimentação da curva de DIs é a chave para a estratégia de Asset Liability Management (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de juros básica para precificar os títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas de juros futuras despencam, os títulos mantidos em carteira passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.

Essa expressiva queda nas taxas futuras destravou ganhos relevantes em todas as famílias de índices de renda fixa no dia:

IMA-B 5+: +0,5238%
IMA-B: +0,3805%
IMA-B 5: +0,1353%
IRF-M: +0,2245%
IRF-M 1: +0,0619%

Conforme o mercado esperava, esse ciclo de valorização nos papéis do IMA-B impulsionou as carteiras dos RPPS, acelerando o atingimento da meta atuarial dos institutos de previdência.

Dólar – Dólar comercial engata quarta queda consecutiva e fecha cotado a R$ 5,105

O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,07%, cotado a R$ 5,105 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,071 e a máxima de R$ 5,113).

A quarta desvalorização seguida da moeda americana frente ao real ocorreu em sincronia com o enfraquecimento global do dólar, com o índice DXY caindo 0,63%, para os 98,97 pontos. O mercado avalia que a perspectiva de manutenção dos juros pelo Fed aliada à atratividade dos rendimentos locais manteve o fluxo favorável ao real, reduzindo custos de importação no curto prazo.

E agora?

A sexta-feira coloca no centro das atenções mundiais a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (Payroll de agosto), indicador crucial que poderá definir se o Federal Reserve manterá as taxas de juros inalteradas na reunião de setembro. No cenário doméstico, os investidores acompanharão a divulgação do saldo da Balança Comercial de agosto pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), além do relatório semanal da Baker Hughes sobre a contagem de sondas nos EUA.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (04/09/2026)

Principais fatores para monitorar hoje:

🇺🇸 09h30 – BLS: Relatório de Emprego Não-Agrícola (Payroll de agosto) nos EUA.
🇺🇸 14h00 – Baker Hughes: Contagem semanal de sondas de petróleo nos EUA.
🇧🇷 15h00 – MDIC/Secex: Divulgação da Balança Comercial de agosto no Brasil.

Mantenha a governança do seu instituto atenta aos ganhos na curva de juros para alinhar a duration dos seus ativos e garantir a imunização do passivo atuarial. Acompanhe os desdobramentos do Payroll no nosso Morning News.

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