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Ibovespa recua com alta do petróleo e ruídos institucionais em Brasília

O mercado financeiro viveu uma quarta-feira (09) de correção e renovada aversão ao risco, interrompendo a estabilidade recente dos ativos locais. A escalada das tensões no Oriente Médio empurrou o petróleo Brent acima dos US$ 100 o barril pela primeira vez em dois meses, reacendendo temores inflacionários globais e impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries). No ambiente doméstico, atritos institucionais no Supremo Tribunal Federal envolvendo a condução da Polícia Federal adicionaram ruído ao cenário pré-eleitoral. Com esse pano de fundo, o Ibovespa recuou 0,93%, aos 185.629,04 pontos, mantendo um ganho acumulado de +4,63% no mês de setembro. No câmbio, o dólar comercial subiu 0,51%, cotado a R$ 5,112. Em Wall Street, os principais índices americanos fecharam no vermelho, enquanto na renda fixa brasileira os juros futuros (DIs) avançaram com amplitude por toda a curva.

Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados e seus impactos na gestão atuarial nas seções a seguir.

Olhar Global – Petróleo supera US$ 100 com escalada no Oriente Médio e frustração com o Tesouro dos EUA

O panorama internacional registrou um dia de acentuada cautela nas praças financeiras de Nova York e da Europa. O agravamento dos conflitos militares no Oriente Médio, marcado por ataques dos rebeldes Houthis a instalações energéticas na Arábia Saudita e bloqueios nas rotas do Mar Vermelho, fez as cotações do petróleo dispararem acima de US$ 100 o barril. O encarecimento da energia elevou imediatamente as expectativas de inflação global, alimentando apostas de que o Federal Reserve possa adotar uma postura mais rígida em sua reunião da próxima semana.

Para tentar conter a escalada das taxas dos títulos públicos, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a recompra de US$ 6 bilhões em títulos de longo prazo. No entanto, a operação foi considerada modesta pelas mesas de operação (que projetavam até US$ 10 bilhões), resultando na elevação dos rendimentos das Treasuries ao longo de toda a curva e pressionando as bolsas globais.

O índice Dow Jones caiu 0,77% (52.378,10 pontos)

O S&P 500 recuou 0,48% (7.636,49 pontos)

O Nasdaq teve queda de 0,64% (26.253,34 pontos)

Ibovespa – Bolsa cai 0,93% pressionada por bancos e varejo, mas Petrobras e siderúrgicas avançam

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 185.629,04 pontos, registrando retração de -0,93% no dia (perda de 1.737,80 pontos). A despeito do ajuste diário, o Ibovespa preserva um resultado acumulado no mês de setembro de +4,63% e consolida uma valorização em 2026 de +15,21% (com ganho de +7,91% no 3T26).

A Bolsa brasileira sentiu o peso do ambiente externo negativo somado a ruídos políticos locais. O setor bancário liderou as perdas do dia, com recuos superiores a 1% em Banco do Brasil (BBAS3, -1,86%), Bradesco (BBDC4, -2,36%), Itaú Unibanco (ITUB4, -1,98%) e Santander Brasil (SANB11, -1,41%). O setor varejista também cedeu em bloco diante da alta das taxas de juros futuros, com destaque negativo para as Lojas Renner (LREN3, -2,41%). Adicionalmente, dados apontaram queda de 9,7% nas exportações brasileiras para os EUA no acumulado do ano.

Atuando no sentido oposto, as petroleiras ganharam tração com a alta da commodity: a Petrobras (PETR4) avançou 0,69% e a PRIO (PRIO3) subiu 0,84%. O setor siderúrgico destacou-se com forte alta da CSN (CSNA3, +7,40%) e avanço da Usiminas (USIM5, +0,93%). A Embraer (EMBJ3) subiu 1,10% e a Vale (VALE3) virou para o campo positivo no fim do pregão (+0,10%).

Juros – DIs sobem até 18,5 pontos-base impulsionados pelas Treasuries e petróleo elevado

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 viveu uma quarta-feira de forte estresse, com os vértices ao longo de toda a estrutura a termo avançando até 18,5 pontos-base.

O movimento de abertura nas taxas futuras refletiu diretamente o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, a frustração com o volume de recompra do Tesouro dos EUA e o temor de repasses inflacionários trazidos pelo petróleo acima de US$ 100.

O que isso significa para o RPPS?

Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios, a compreensão da dinâmica do DI futuro é crucial para o planejamento de Asset Liability Management (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de desconto básica para a precificação de títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e crédito privado. Quando as taxas de juros futuras sobem, o valor presente dos papéis mantidos em carteira passa por um ajuste contábil temporário de marcação a mercado negativa.

O estresse nas taxas futuras refletiu-se em retornos diários negativos nas famílias de índices de inflação e pré-fixados:

IMA-B 5+: -0,3026%
IMA-B: -0,2034%
IMA-B 5: -0,0329%
IRF-M: -0,3079%
IRF-M 1: +0,0352%

Conforme a expectativa do mercado, episódios de abertura nas taxas de juros de longo prazo continuam abrindo janelas táticas atrativas para que os RPPS travem taxas de juros reais elevadas em NTN-Bs, garantindo a imunização do passivo atuarial e o cumprimento da meta atuarial.

Dólar – Dólar comercial avança 0,51% e fecha cotado a R$ 5,112 com busca por proteção

O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,51%, cotado a R$ 5,112 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,081 e a máxima de R$ 5,115).

A valorização da moeda norte-americana frente ao real acompanhou o comportamento do dólar ante divisas globais, com o índice DXY subindo 0,03%, para os 98,81 pontos. O mercado acredita que a incerteza geopolítica no Oriente Médio e os riscos de inflação reforçaram a busca defensiva pela moeda americana, demandando atenção dos gestores sobre eventuais impactos nos custos de produtos importados.

E agora?

A quinta-feira coloca o mercado financeiro em compasso de espera por importantes dados de inflação nos Estados Unidos. A publicação do Índice de Preços ao Produtor (IPP/PPI de agosto) servirá como prévia para o IPCA americano (CPI) que sai na sexta-feira, balizando as expectativas sobre os próximos passos do Fed. No cenário europeu, a atenção estará voltada para a decisão de taxa de juros pelo Banco Central Europeu (BCE). No Brasil, o IBGE divulgará a pesquisa mensal do Setor de Serviços.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (10/09/2026)

Principais divulgações para acompanhar hoje:

🇪🇺 09h15 – BCE: Decisão sobre a Taxa de Juros na Zona do Euro.
🇺🇸 09h30 – BLS: Índice de Preços ao Produtor (IPP/PPI de agosto) nos EUA.
🇺🇸 09h30 – Dept. do Trabalho: Relatório de Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego nos EUA.
🇧🇷 09h00 – IBGE: Divulgação do volume do Setor de Serviços referente a julho no Brasil.
🇺🇸 17h30 – Federal Reserve: Divulgação do Balanço Patrimonial do Fed.

Aproveite os momentos de abertura na curva de juros para recalibrar a duration do seu portfólio e proteger o passivo do seu instituto. Acompanhe a repercussão do PPI e dos dados globais no nosso Morning News.

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