O mercado financeiro brasileiro viveu uma quinta-feira (10) de forte rali e virada expressiva nos negócios, impulsionado pela aceleração do chamado “trade eleitoral” e pelo vigor do setor financeiro. O Ibovespa disparou 1,42%, aos 188.268,59 pontos, expandindo o ganho acumulado no mês de setembro para +6,12%.
A divulgação de novas pesquisas eleitorais e a movimentação em plataformas de mercados de previsão aumentaram as apostas dos investidores em uma maior probabilidade de alternância de poder em 2027, fazendo a Bolsa paulista descolar completamente do tombo internacional. No câmbio, o dólar comercial recuou 0,18%, cotado a R$ 5,103. Em Wall Street, o encarecimento do petróleo acima de US$ 100 e a subida das taxas dos títulos americanos levaram as bolsas em Nova York a fechar no terreno negativo. Na renda fixa brasileira, os juros futuros (DIs) fecharam em queda de até 10,5 pontos-base por toda a curva, destravando valorizações relevantes por marcação a mercado nos títulos públicos indexados à inflação.
Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados e seus impactos na gestão atuarial nas seções a seguir.
Olhar Global – Petróleo WTI supera US$ 100, BCE eleva juros e temores de inflação derrubam Wall Street
No cenário internacional, o tom negativo prevaleceu nas praças financeiras de Nova York e da Europa. O encarecimento das commodities energéticas ganhou novo impulso com o petróleo tipo WTI ultrapassando a barreira dos US$ 100 por barril, acompanhando a tendência já observada no Brent diante das tensões no Oriente Médio.
Paralelamente, a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) nos EUA mostrou avanço anualizado acima de 5%, elevando as apostas de que o Federal Reserve possa promover um novo aumento nas taxas de juros em sua reunião da próxima semana. Na Europa, as bolsas caíram para as mínimas em dois meses após o Banco Central Europeu (BCE) confirmar a sua segunda elevação de juros no ano para conter pressões inflacionárias importadas. Em reação, os rendimentos das Treasuries norte-americanas de 10 anos encostaram na marca de 5,00% ao ano, pressionando os ativos globais.
O índice Dow Jones recuou 0,60% (52.064,46 pontos)
O S&P 500 cedeu 0,58% (7.591,80 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,65% (26.081,72 pontos)
Ibovespa – Bolsa salta mais de 2,6 mil pontos com “trade eleitoral”, rali dos bancos e varejo
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 188.268,59 pontos, registrando expressivo ganho de +1,42% no dia (salto de 2.639,55 pontos). Com essa arrancada, o Ibovespa amplia a sua valorização no mês de setembro para +6,12% e eleva o retorno em 2026 para +16,85% (com desempenho de +9,44% no 3T26).
O mercado acionário brasileiro abriu em tom defensivo, mas virou fortemente para o campo positivo à medida que pesquisas eleitorais (como Atlas/Intel) e derivativos de previsão passaram a precificar um cenário mais acirrado no segundo turno presidencial. O setor bancário foi o principal motor da alta: o Banco do Brasil (BBAS3) avançou 2,80% (zerando as perdas e voltando ao campo positivo no ano), o Bradesco (BBDC4) disparou 3,88% e o Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 1,83%, compensando o recuo pontual do Santander Brasil (SANB11, -0,13%).
No setor petrolífero, a Petrobras (PETR4) avançou 1,45% impulsionada pela alta do petróleo no exterior, enquanto a PRIO (PRIO3) saltou 2,67%. O varejo também apresentou forte recuperação, liderado por Magazine Luiza (MGLU3, +6,64%) e Lojas Renner (LREN3, +0,97%). Na ponta negativa, a Vale (VALE3) cedeu 1,10% sob o peso das dúvidas quanto à demanda de minério na China. Em relatório semanal, o JPMorgan ressaltou preferência por ações líquidas de grande porte expostas a commodities em detrimento de small caps latinas.
Juros – DIs recuam na contramão dos EUA com otimismo eleitoral e impulsionam o IMA-B (ALM)
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 viveu uma quinta-feira de alívio nas taxas ao longo de toda a curva a termo, com os vértices recuando até 10,5 pontos-base.
O fechamento da curva brasileira ocorreu em nítido descolamento do mercado internacional, onde as Treasuries americanas de 2 e 10 anos dispararam mais de 10 pontos-base. O mercado interno incorporou prêmios de risco menores diante da percepção de cenários políticos considerados mais favoráveis ao ambiente de negócios, além de absorver adequadamente a colocação de 8,75 milhões de LTNs e 2,5 milhões de NTN-Fs pelo Tesouro Nacional.
O que isso significa para o RPPS?
Para a governança e os comitês de investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social, o acompanhamento dos DIs é vital para a execução da estratégia de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de desconto utilizada para calcular o valor presente dos títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas futuras caem, os ativos mantidos em carteira passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.
Essa descompressão traduziu-se em retornos nominais positivos expressivos na família de índices atrelados à inflação no dia:
IMA-B 5+: +0,5559%
IMA-B: +0,4337%
IMA-B 5: +0,2241%
IRF-M: +0,1373%
IRF-M 1: +0,0451%
Conforme a expectativa do mercado, esse movimento de valorização nos papéis do IMA-B fortaleceu a rentabilidade das carteiras previdenciárias rumo ao cumprimento das metas atuariais dos institutos de previdência.
Dólar – Dólar comercial volta a cair a R$ 5,103 com entrada de capital estrangeiro
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,18%, cotado a R$ 5,103 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,083 e a máxima de R$ 5,146).
O recuo do dólar ante o real ocorreu a despeito do fortalecimento global da moeda americana, retratado pelo avanço de 0,25% no índice DXY (aos 99,06 pontos). O mercado avalia que a busca por ativos brasileiros movida pelo “trade eleitoral” atraiu fluxos financeiros de curto prazo para a Bolsa local, superando a pressão externa e ajudando a aliviar a cotação cambial doméstica.
E agora?
A sexta-feira promete ser o dia mais aguardado da semana para os mercados financeiros no Brasil e no exterior. As mesas de operação acompanharão simultaneamente a divulgação do IPCA de agosto pelo IBGE no mercado doméstico e do IPC (inflação ao consumidor) nos EUA. A combinação desses dois dados será decisiva para ajustar as expectativas de juros do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve. Além disso, a Universidade de Michigan publicará seu tradicional relatório de Confiança do Consumidor.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (11/09/2026)
Principais divulgações para acompanhar hoje:
🇧🇷 09h00 – IBGE: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA de agosto) no Brasil.
🇺🇸 09h30 – BLS: Índice de Preços ao Consumidor (IPC/CPI de agosto) nos EUA.
🇺🇸 11h00 – Univ. de Michigan: Índice de Confiança do Consumidor dos EUA.
🇺🇸 13h00 – USDA: Relatório WASDE de Oferta e Demanda Agrícola Mundial.
Aproveite a valorização recente da curva de juros para recalibrar a duration dos seus ativos e otimizar a imunização atuarial do seu instituto. Acompanhe os desdobramentos do IPCA e do CPI no nosso Morning News.
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