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Mercados reabrem pós-feriado de olho no Focus e dados de inflação

Após uma segunda-feira de liquidez reduzida no cenário global com os mercados fechados no Brasil (Feriado da Independência) e nos Estados Unidos (Labor Day), os investidores retomam os negócios nesta terça-feira (08/09) calibrando expectativas para a agenda de indicadores e o cenário político-eleitoral doméstico. Sem a formação de preços em Wall Street na véspera, as mesas locais reabrem refletindo o fechamento do último pregão da semana passada, quando o Ibovespa encerrou praticamente estável aos 185.147,15 pontos, preservando uma sólida alta acumulada de +4,36% no mês de setembro e emplacando sua melhor semana do ano (+5,40%). No câmbio, o dólar comercial fechou a sexta-feira em alta de 0,50%, cotado a R$ 5,130, enquanto as bolsas em Nova York fecharam no vermelho pressionadas por dados fortes do emprego norte-americano. Na renda fixa brasileira, os juros futuros (DIs) recuaram por toda a curva, estimulando ganhos por marcação a mercado nos títulos públicos atrelados à inflação. Em um dia de retorno da liquidez global e divulgação do Boletim Focus, convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados e a agenda econômica nas seções a seguir.

Olhar Global – Reabertura em Wall Street após a pausa do Labor Day e digestão do Payroll

As praças financeiras em Nova York permaneceram com os pregões da NYSE e da Nasdaq totalmente fechados nesta segunda-feira em virtude do feriado do Labor Day (Dia do Trabalho nos EUA). Sem negócios no primeiro dia útil da semana, a reabertura de Wall Street nesta terça-feira trará de volta a volatilidade normal dos mercados e a digestão dos dados do relatório de emprego (Payroll) divulgados na última sexta-feira.

O indicador mostrou a criação de 162 mil vagas de trabalho em agosto nos EUA — resultado bem acima do esperado pelas estimativas de mercado —, o que reduziu temores de recessão, mas reacendeu dúvidas sobre a intensidade dos próximos passos do Federal Reserve em relação às taxas de juros. Na sexta-feira que antecedeu o feriado prolongado, o mercado americano fechou no campo negativo:

O índice Dow Jones recuou 0,53% (53.518,42 pontos)

O S&P 500 cedeu 0,38% (7.718,20 pontos)

O Nasdaq teve queda de 0,29% (26.506,90 pontos)

Ibovespa – Bolsa reabre após feriado sustentando os 185 mil pontos e acumulado positivo no mês

O principal índice de referência de ações da B3 reabre os negócios nesta terça-feira cotado aos 185.147,15 pontos, patamar de fechamento da última sexta-feira (variação marginal de -0,02% no dia). Com esse resultado mantido no feriado da Independência, o Ibovespa sustenta um retorno de +4,36% no mês de setembro e eleva o seu ganho acumulado em 2026 para +14,91% (com desempenho de +7,63% no 3T26).

Após engatar uma histórica sequência de 11 altas consecutivas e registrar a sua melhor semana de 2026 (+5,40%), a Bolsa paulista passou por um movimento natural de consolidação e realização parcial de lucros por parte dos gestores. O ambiente doméstico continuou amparado pelo chamado “trade eleitoral”, impulsionado por pesquisas recentes (Datafolha e Quaest) indicando acirramento na disputa presidencial. No plano corporativo do último pregão, destaques para a estabilização da Vale (VALE3, +0,22%), o avanço do setor bancário com Banco do Brasil (BBAS3, +0,31%) e Bradesco (BBDC4, +0,62%), além dos ganhos da Embraer (EMBJ3, +1,12%) e IRB Re (IRBR3, +4,64%), que compensaram o recuo pontual da Petrobras (PETR4, -0,95%).

Juros – Juros futuros caem até 4,0 pontos-base na curva e favorecem a gestão de ALM nos RPPS

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 entra nesta terça-feira após encerrar a última sessão regular com fechamento de taxas ao longo de toda a curva, registrando recuos de até 4,0 pontos-base nos principais vértices.

A descompressão das taxas futuras ocorreu de forma descolada do movimento das Treasuries no exterior. O mercado local reagiu à percepção de que há espaço para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central do Brasil, impulsionado por leituras de desaceleração gradual na atividade e expectativas de inflação comportada no médio
prazo.

O que isso significa para o RPPS?

Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios, a compreensão sobre a dinâmica dos DIs é vital para a estratégia de Asset Liability Management (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de juros básica para precificar títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas futuras caem, o valor presente dos títulos de renda fixa mantidos na carteira sofre valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.

Esse movimento de queda nos juros futuros refletiu-se em retornos nominais positivos nas carteiras de renda fixa atreladas à inflação e prefixadas:

IMA-B 5+: +0,0269%
IMA-B: +0,0599%
IMA-B 5: +0,1165%
IRF-M: +0,1339%
IRF-M 1: +0,0482%

Conforme a expectativa do mercado, o ambiente de taxas reais elevadas em NTN-Bs longas continua oferecendo excelentes oportunidades para o travamento de rendimentos e a imunização do passivo atuarial frente à meta atuarial.

Dólar – Dólar comercial fecha a R$ 5,130 no último pregão e atrai atenção no retorno dos mercados

O dólar comercial inicia o dia de negócios cotado a R$ 5,130 para venda (nível de fechamento da última sexta-feira, quando subiu 0,50%, mas acumulou queda de 1,28% na semana).

O movimento de alta pontual da moeda americana frente ao real acompanhou o comportamento global da divisa no exterior, onde o índice DXY avançou 0,24% (aos 99,14 pontos) sob o impacto de dados fortes do mercado de trabalho americano. O mercado acredita que a reabertura dos mercados em Wall Street após o Labor Day devolverá a liquidez normal ao mercado de câmbio, permitindo testar a sustentabilidade do real frente às moedas de países emergentes.

E agora?

Com a reabertura das bolsas em São Paulo e em Nova York nesta terça-feira, o mercado financeiro reengata a marcha dos negócios observando a divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central e os dados de inflação no atacado pelo IGP-DI de agosto da FGV. Nos Estados Unidos, a publicação do Índice de Tendência de Emprego pelo Conference Board fornecerá novas leituras sobre o mercado de trabalho norte-americano antes da divulgação crucial dos índices de inflação CPI e PPI previstos para os próximos dias.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (08/09/2026)

Principais fatores para monitorar hoje:

🇧🇷 08h00 – FGV: Divulgação do Índice Geral de Preços – DI (IGP-DI de agosto).
🇧🇷 08h25 – Banco Central: Relatório com as expectativas de mercado no Boletim Focus.
🇺🇸 11h00 – Conference Board: Divulgação do Índice de Tendência de Emprego de agosto nos EUA.

Aproveite a retomada da liquidez nos mercados para recalibrar as alocações da sua carteira e garantir a imunização do passivo do seu RPPS. Acompanhe a repercussão dos dados do Focus e do IGP-DI no nosso Morning News.

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