O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana que antecede o feriado de 7 de setembro em tom de consolidação, após registrar a sua melhor semana do ano com alta acumulada de 5,40%. Em um pregão marcado pela digestão do “trade eleitoral” doméstico e por dados surpreendentemente fortes do mercado de trabalho norte-americano (Payroll), o Ibovespa fechou com leve recuo de 0,02%, aos 185.147,15 pontos, sustentando um sólido ganho acumulado de +4,36% no mês de setembro.
No câmbio, o dólar comercial subiu 0,50%, cotado a R$ 5,130, impulsionado pelo fortalecimento global da moeda americana após o relatório de empregos dos EUA. Em Nova York, os índices americanos fecharam no vermelho diante do temor de juros elevados por mais tempo. Na renda fixa doméstica, o movimento foi de alívio: os juros futuros (DIs) caíram por toda a curva, descolando-se do exterior e favorecendo a marcação a mercado dos papéis de renda fixa.
Para os gestores de Regimes Próprios, o cenário exige atenção ao reequilíbrio de carteiras diante da volatilidade eleitoral e das janelas de oportunidade em renda fixa atrelada à inflação. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada mercado e seus impactos nas seções a seguir.
Olhar Global – Payroll forte nos EUA reacende temores de juros e derruba Nova York
O cenário internacional viveu uma jornada de aversão ao risco com a divulgação do relatório oficial de empregos nos Estados Unidos, o Payroll. A economia americana criou 162 mil vagas em agosto, superando com folga as expectativas do mercado e revertendo a fraqueza observada nos dois meses anteriores. A taxa de desemprego manteve-se estável em 4,1%.
O resultado expressivo retirou os riscos de uma deterioração do mercado de trabalho americano no curto prazo, mas reacendeu as preocupações de que o Federal Reserve possa manter ou até elevar a taxa de juros na próxima reunião de 18 de setembro. O viés mais rígido foi alimentado ainda por declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçando restrições comerciais a países com déficits operacionais em relação aos EUA caso o Fed não reduza as taxas. Em reação, os rendimentos das Treasuries subiram e pressionaram os índices em Nova York para o terreno negativo.
O índice Dow Jones caiu 0,53% (semana: -0,27%)
O S&P 500 recuou 0,38% (semana: +0,07%)
O Nasdaq teve queda de 0,29% (semana: +0,40%)
Ibovespa – Bolsa fica estável na véspera do feriado, mas fecha semana com alta de 5,40%
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 185.147,15 pontos, registrando leve variação de -0,02% no dia (recuo de 40,98 pontos). A despeito da estabilidade no pregão, o Ibovespa cravou a sua melhor performance semanal do ano (+5,40%), fixando seu resultado acumulado no mês de setembro em +4,36% e acumulando um ganho de +14,91% em 2026 (com desempenho de +7,63% no 3T26).
O apetite comprador do mercado local foi sustentado pelas pesquisas eleitorais (Datafolha e Quaest), que indicaram um cenário de disputa acirrada pela Presidência, movimentando o chamado “trade eleitoral”. Entre os destaques corporativos, a Vale (VALE3) subiu 0,22%, recuperando parte das perdas da véspera. No setor financeiro, o Banco do Brasil (BBAS3, +0,31%), Bradesco (BBDC4, +0,62%) e B3 (B3SA3, +0,12%) fecharam no azul, com Itaú Unibanco (ITUB4) estável e Santander Brasil (SANB11, -0,03%) em leve queda.
A Embraer (EMBJ3) subiu 1,12% impulsionada por novo pedido de aeronaves da japonesa ANA, e o IRB Re (IRBR3) disparou 4,64% após aprovação de incentivos fiscais para o setor ressegurador. Na ponta negativa, a Petrobras (PETR4) recuou 0,95%, contida por ajustes técnicos, apesar da autorização do Ibama para novos poços na Foz do Amazonas e da alta do petróleo no exterior.
Juros – Juros futuros caem até 4,0 bps na contramão dos EUA e valorizam títulos atrelados ao IPCA
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a sexta-feira registrando queda de até 4,0 pontos-base ao longo de toda a curva, operando em descolamento direto do avanço das Treasuries no exterior.
A descompressão nas taxas futuras refletiu a leitura do mercado de que o ambiente doméstico e a condução da política monetária pelo Banco Central mantêm espaço para a continuidade de cortes na Selic. A sinalização trazida por relatórios de grandes instituições, como o Bank of America, indicando um ciclo sustentável de afrouxamento, favoreceu o ajuste para baixo na curva de juros brasileira.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês e conselhos de investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social, a flutuação do DI futuro é a variável mais crítica no planejamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro funciona como a taxa de desconto utilizada para calcular o preço dos títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas futuras caem, o valor presente dos títulos de renda fixa mantidos em carteira sofre uma valorização contábil imediata por marcação a mercado positiva.
Desempenho dos principais Índices de Renda Fixa:
IMA-B 5+: +0,0269%
IMA-B: +0,0599%
IMA-B 5: +0,1165%
IRF-M: +0,1339%
IRF-M 1: +0,0482%
Conforme o mercado espera, a recuperação dos preços dos títulos públicos indexados ao IPCA impulsiona os resultados das carteiras dos RPPS rumo ao atingimento da meta atuarial, reforçando o papel estratégico do IMA-B na proteção patrimonial de longo prazo.
Dólar – Dólar comercial avança 0,50% e fecha a R$ 5,130 impulsionado pelo Payroll nos EUA
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,50%, cotado a R$ 5,130 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,101 e a máxima de R$ 5,142). No acumulado da semana, porém, o câmbio registrou queda de 1,28%.
A valorização da moeda americana perante o real interrompeu uma sequência de quatro baixas consecutivas e ocorreu em sintonia com o mercado internacional, onde o índice DXY subiu 0,24% (aos 99,14 pontos). O mercado acredita que os dados fortes do mercado de trabalho americano reacenderam a atratividade do dólar no curto prazo, exigindo acompanhamento constante dos gestores sobre o repasse cambial nos preços dos produtos importados.
E agora?
Após o feriado da Independência nesta segunda-feira (07/09), os investidores retornarão ao pregão de terça-feira de olho na agenda carregada dos Estados Unidos. Os holofotes globais estarão voltados para a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI na quinta-feira) e do Índice de Preços ao Consumidor (CPI na sexta-feira), dados que serão cruciais para confirmar as apostas do mercado em relação aos juros americanos antes da reunião do Federal Reserve no dia 18 de setembro. No cenário doméstico, a evolução do cenário político-eleitoral e a divulgação de dados de inflação seguirão no radar das mesas de operação.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (07/09/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇧🇷 Brasil: Mercado fechado pelo Feriado da Independência do Brasil.
🇺🇸 Estados Unidos: Agenda de indicadores econômicos esvaziada.
Aproveite o feriado para revisar a estrutura de duration e alocação do seu instituto, garantindo a proteção do passivo atuarial perante as oscilações do mercado.
Acompanhe as nossas análises e o panorama completo no Morning News.
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