O retorno do feriado prolongado foi marcado por forte otimismo nos ativos financeiros brasileiros, puxado pelo acirramento do cenário político e pela expectativa de novos cortes na Selic. A intensificação das movimentações eleitorais alimentou o apetite por risco local, levando o mercado acionário a renovar máximas, enquanto o câmbio e as taxas futuras de juros registraram alívio expressivo.
Em um pregão de forte valorização doméstica, o Ibovespa subiu 1,20%, fechando aos 187.366,84 pontos, acumulando uma expressiva alta de +5,61% no mês de setembro. Na contramão do tombo das bolsas em Wall Street — que caíram sob o peso das tensões no Oriente Médio —, o dólar comercial recuou 0,86%, cotado a R$ 5,086, e as bolsas americanas fecharam em queda. Na renda fixa brasileira, os juros futuros (DIs) despencaram até 20,5 pontos-base por toda a curva, impulsionando os títulos públicos atrelados à inflação.
Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada mercado e seus reflexos na gestão atuarial nas seções a seguir.
Olhar Global – Petróleo perto dos US$ 100 e tensões geopolíticas derrubam Wall Street
O cenário internacional viveu uma terça-feira de aversão ao risco nas praças financeiras americanas. O recrudescimento das ações militares no Oriente Médio, com novos ataques no Iêmen atingindo a infraestrutura energética na Arábia Saudita, fez os preços do petróleo encostarem novamente na marca dos US$ 100 por barril.
A escalada dos custos de energia reacendeu o temor global de pressões inflacionárias persistentes, em um momento em que dados da OCDE reportaram aceleração no índice de preços ao consumidor para 4,1% em julho. Diante desse panorama, o mercado elevou as incertezas sobre as futuras decisões de juros do Federal Reserve, o que puxou os rendimentos dos títulos soberanos e derrubou os principais índices de Nova York.
O índice Dow Jones caiu 1,17% (52.787,53 pontos)
O S&P 500 recuou 0,58% (7.673,65 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,31% (26.421,41 pontos)
Ibovespa – Bolsa ganha mais de 2,2 mil pontos com “trade eleitoral”, Petrobras e bancos
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 187.366,84 pontos, registrando valorização de +1,20% no dia (ganho de 2.219,69 pontos). Com a forte movimentação, o Ibovespa amplia o retorno no mês de setembro para +5,61% e consolida uma alta de +16,29% no ano de 2026 (com ganho de +8,92% no 3T26).
A Bolsa paulista descolou-se completamente do azedume externo, movida pela intensificação do “trade eleitoral” a menos de um mês das eleições presidenciais. A percepção do mercado de um cenário eleitoral mais disputado e os desdobramentos políticos no ambiente jurídico impulsionaram as compras de ativos locais. Entre os papéis de maior peso, a Petrobras (PETR4) avançou 2,08%, surfando a alta do petróleo, e a Vale (VALE3) subiu 0,51% com o minério positivo na China. No setor bancário, o destaque foi o Bradesco (BBDC4, +1,79%) e o Itaú Unibanco (ITUB4, +1,22%), além de Banco do Brasil (BBAS3, +0,36%), compensando a queda do Santander Brasil (SANB11, -0,13%). A Sabesp (SBSP3) avançou 1,13% pós-reunião institucional, e a Yduqs (YDUQ3) saltou 3,22% com expectativas de fusão.
Juros – DIs despencam até 20,5 pontos-base com leilão do Tesouro e impulsionam o ALM dos RPPS
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 vivenciou uma terça-feira de forte fechamento de taxas ao longo de toda a curva a termo, com os vértices recuando até 20,5 pontos-base.
Esse alívio expressivo ocorreu em resposta ao apetite forte no leilão do Tesouro Nacional, que vendeu integralmente a oferta ampliada de 2,15 milhões de NTN-Bs e 750 mil LFTs. Além disso, as projeções do Boletim Focus indicando desaceleração da inflação e espaço para cortes adicionais na Selic pelo Banco Central ajudaram a reduzir os prêmios de risco.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos dos Regimes Próprios, entender o movimento dos DIs é indispensável para o gerenciamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro é a taxa básica de referência para precificar os títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas dos DIs despencam, o valor presente dos títulos de renda fixa mantidos em carteira sofre uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.
Esse fechamento acentuado de taxas traduziu-se em retornos diários expressivos em todos os índices da família IMA e IRF-M:
IMA-B 5+: +0,5369%
IMA-B: +0,4354%
IMA-B 5: +0,2578%
IRF-M: +0,4148%
IRF-M 1: +0,0547%
Conforme o mercado prevê, esse forte ganho contábil nos títulos atrelados ao IPCA acelera o atingimento das metas atuariais dos institutos de previdência, reforçando a importância estratégica das NTN-Bs longas para a imunização do passivo.
Dólar – Dólar comercial recua 0,86% e fecha cotado a R$ 5,086 com apetite por ativos locais
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,86%, cotado a R$ 5,086 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,072 e a máxima de R$ 5,128).
A valorização do real frente à moeda americana ocorreu no mesmo sentido do ambiente internacional, onde o índice DXY cedeu 0,32% (aos 98,86 pontos). O mercado acredita que a busca de investidores por posições no mercado doméstico (“trade eleitoral”) e a atratividade do diferencial de juros impulsionaram a entrada de capital no país, aliviando o câmbio e contendo pressões sobre custos importados.
E agora?
A quarta-feira trará uma agenda de indicadores econômicos mais concentrada nos Estados Unidos e no monitoramento dos fluxos no Brasil. Os investidores acompanharão a divulgação da pesquisa de empregos privados da ADP e as vendas semanais do Redbook nos EUA, enquanto no mercado doméstico o Banco Central publica os dados do Fluxo Cambial Estrangeiro. O foco das mesas continuará voltado para os desdobramentos políticos em Brasília e para o comportamento dos preços do petróleo no exterior.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (09/09/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇺🇸 09h15 – ADP: Divulgação da Variação Semanal de Empregos no Setor Privado nos EUA.
🇺🇸 09h55 – Redbook: Índice Redbook de Vendas no Varejo nos EUA.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Relatório semanal do Fluxo Cambial Estrangeiro no Brasil.
Aproveite o movimento de valorização contábil na curva de juros para recalibrar a duration dos seus ativos e otimizar a imunização atuarial do seu RPPS. Acompanhe as análises das nossas mesas no Morning News.
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