MORNING NEWS

Dúvidas fiscais e tombo em Wall Street pressionam Ibovespa

O mercado financeiro brasileiro enfrentou um dia de maior aversão ao risco nesta quinta-feira, influenciado tanto pela ansiedade por medidas fiscais no ambiente doméstico quanto por uma forte correção nos mercados acionários internacionais. O Ibovespa recuou 0,82%, encerrando aos 166.191,45 pontos, o que fixa o acumulado do mês de novembro em -1,03% (com ganho de +3,14% no ano). No mercado de câmbio, o dólar comercial voltou a subir (+0,67%), cotado a R$ 5,489. Em Nova York, as bolsas americanas despencaram de forma acentuada, com perdas superiores a 5% no setor de tecnologia, enquanto no Brasil os juros futuros (DIs) fecharam em tom misto, com alívio nos prazos intermediários e elevação na ponta longa.

A dinâmica dos negócios refletiu a leitura dos investidores sobre a reunião realizada pelo governo com a equipe econômica, que não apresentou anúncios imediatos de contenção de gastos, adiando sinalizações concretas para a próxima semana. Esse ambiente de espera interna somou-se ao estresse vindo do exterior após a decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% a.a. Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), a sustentação dos índices de renda fixa no campo positivo reforça a importância de manter a estratégia atuarial bem alinhada.

Convido você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada segmento nas seções a seguir para conferir os reflexos em suas estratégias de investimentos.

Olhar Global – Forte realização em ações de tecnologia despenca Wall Street e VIX dispara no exterior

No cenário internacional, o tom foi de acentuada aversão ao risco nas bolsas de Nova York. Um dia após os ganhos expressivos decorrentes do resultado das eleições de meio de mandato (midterms), o mercado americano passou por uma severa onda vendedora. O movimento foi concentrado no setor de tecnologia, com destaque para a forte queda em ações de fabricantes de chips e infraestrutura para data centers, diante de dúvidas sobre a velocidade do retorno dos investimentos em Inteligência Artificial. O índice VIX, considerado o “medidor de medo” de Wall Street, registrou um salto expressivo na sessão.

Além disso, o cenário global manteve o sinal de alerta aceso após o Banco da Inglaterra (BoE) elevar sua taxa de juros pela primeira vez desde 2023 para combater a persistência inflacionária. As cotações internacionais do petróleo voltaram a avançar no dia, adicionando cautela aos mercados globais.

Principais índices em Nova York:

O índice Dow Jones recuou 3,44% (51.521,28 pontos)

O S&P 500 caiu 4,36% (7.353,80 pontos)

O Nasdaq despencou 5,52% (24.314,99 pontos)

Ibovespa – Bolsa recua sob efeito externo e aguarda medidas fiscais concretas em Brasília

O principal índice acionário da B3 estendeu a volatilidade do início do mês e encerrou a quinta-feira em baixa de 0,82%, aos 166.191,45 pontos (perda de 1.372,02 pontos no pregão).

Desempenho acumulado do índice:

Dia (05/11): -0,82%
Novembro (Mês): -1,03%
2026 (Ano): +3,14%

O desempenho negativo do índice refletiu a postura defensiva dos agentes financeiros enquanto aguardam a apresentação oficial do pacote de contenção de despesas pela equipe econômica. A Petrobras (PETR4) cedeu 2,48%, descolando-se do petróleo internacional, a Embraer (EMBJ3) passou por realização de lucros (-4,96%) e a Porto Seguro (PSSA3) recuou 2,63% mesmo após reportar resultado trimestral acima do esperado. O setor bancário fechou sem direção única (Bradesco -2,06%, Banco do Brasil estável, Itaú +0,65% e Santander +0,50%).

Em contrapartida, os destaques positivos ficaram por conta da C&A (CEAB3 +9,25%) e da SmartFit (SMFT3 +5,48%), que dispararam após reportarem balanços do 3T26 com números superiores às projeções de mercado. A Vale (VALE3) garantiu leve alta de +0,51%, auxiliando a amenizar a queda do Ibovespa.

Juros – Curva de juros futuros opera de forma mista após decisão do Copom e leilão do Tesouro

Os contratos de DIs futuros negociados na B3 encerraram a sessão em tom misto: os vencimentos intermediários registraram fechamento de até 6,0 pontos-base, enquanto a ponta longa teve elevação de até 6,5 pontos-base.

Como se comportaram os principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,1165%
IMA-B: +0,1202%
IMA-B 5: +0,1262%
IRF-M: +0,2115%
IRF-M 1: +0,0786%

O que isso significa para a previdência (RPPS)?

No mercado de renda fixa, vigora a dinâmica de que quando as taxas de juros futuros recuam no mercado secundário, o valor de mercado dos títulos públicos sobe. A manutenção da taxa Selic em 13,75% a.a. anunciada pelo Copom acompanhada de um comunicado interpretado como conservador ajudou a conter as taxas nos vértices médios, gerando variações diárias positivas em todos os índices da família ANBIMA, com destaque para o IRF-M (+0,21%) e o IMA-B (+0,12%).

Por outro lado, o avanço pontual nas taxas mais longas reflete o prêmio de risco exigido pelos investidores enquanto aguardam os detalhes do ajuste fiscal. Para a gestão dos RPPS, essa estabilização dos índices de renda fixa assegura a preservação patrimonial, enquanto os patamares de juros reais vigentes no mercado secundário permanecem extremamente favoráveis para a contratação de NTN-Bs e o cumprimento contínuo das metas atuariais.

Dólar retoma alta e fecha cotado a R$ 5,48 com cautela interna e aversão global

O dólar comercial voltou a ganhar força em relação à moeda brasileira, encerrando o dia com valorização de 0,67%, negociado a R$ 5,489 na venda (com mínima de R$ 5,427 e máxima de R$ 5,495 no pregão).

A alta do câmbio no Brasil esteve alinhada à trajetória internacional, onde o índice DXY avançou 0,02%, aos 101,54 pontos. A combinação entre a busca por hedge (proteção cambial) por conta da ansiedade fiscal doméstica e a onda de aversão ao risco no exterior sustentou a moeda americana próxima de R$ 5,49. O acompanhamento do câmbio segue relevante para a análise de eventuais repasses sobre a inflação de insumos importados.

E agora?

A sexta-feira reserva um encerramento de semana bastante aguardado pelos mercados globais. Nos Estados Unidos, o foco estará concentrado na divulgação do relatório oficial de emprego (Payroll) de outubro e no índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, indicadores cruciais para desenhar as apostas de política monetária do Federal Reserve. No Brasil, os investidores observam a divulgação dos dados da Balança Comercial de outubro pelo MDIC e seguem atentos ao noticiário sobre a articulação do pacote fiscal em Brasília. Para os comitês de RPPS, a recomendação é manter a disciplina na execução da Política Anual de Investimentos.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos

Confira os principais destaques previstos para esta Sexta-feira (06/11/2026):

🇺🇸 10:30 – EUA: Relatório de Emprego Não Agrícola – Payroll do mês de Outubro
🇺🇸 12:00 – EUA: Índice de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan (Novembro)
🇧🇷 15:00 – Brasil: Dados da Balança Comercial do mês de Outubro (MDIC)

Acompanhe diariamente o Morning News e nossas análises nos canais oficiais da R3 Investimentos para manter a gestão do seu RPPS sempre informada e bem orientada.

R3 Investimentos

Navegue por categorias

Conteúdo estratégico para quem investe com visão de longo prazo.
Acompanhe os principais fatos e indicadores do mercado com análise técnica e acessível.
O seu informativo diário com tudo o que você precisa saber para investir com segurança e visão de futuro.
Tudo que você precisa saber sobre RPPS, legislação, cenário econômico e estratégia: tudo sobre o universo dos Regimes Próprios.

Mais notícias