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Ibovespa quebra sequência de quedas e Copom mantém Selic em 13,75%

Após seis sessões consecutivas no campo negativo, o mercado financeiro brasileiro viveu uma quarta-feira de forte recuperação e alívio nos preços dos ativos. O Ibovespa avançou 1,23%, aos 167.563,47 pontos, recuperando mais de 2.000 pontos no dia e registrando um acumulado de -0,21% no mês de novembro (com ganho de +4,00% no ano de 2026). No mercado de câmbio, o dólar comercial recuou 0,64%, cotado a R$ 5,452. Em Nova York, as bolsas americanas dispararam em tom de rali, impulsionadas pelo desfecho das eleições de meio de mandato e pela forte queda no petróleo, enquanto no Brasil as taxas dos juros futuros (DIs) despencaram por toda a extensão da curva.

Após o fechamento dos negócios, o Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou as projeções do mercado e manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, reforçando um discurso de cautela diante das expectativas de inflação e do ambiente fiscal. Para a gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), a queda expressiva nos DIs futuros gerou um ciclo imediato de valorização por marcação a mercado nas carteiras de renda fixa.

Convido você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada segmento nas seções a seguir para conferir todos os impactos em suas estratégias de alocação.

Olhar Global – “Onda azul” nas eleições americanas e tombo do petróleo impulsionam forte rali em Wall Street

No cenário internacional, o dia foi marcado por um clima de euforia nas bolsas de Nova York. A confirmação da vitória do partido Democrata nas eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos reconfigurando a maioria no Legislativo americano foi recebida pelos investidores como uma garantia de equilíbrio de poderes e proteção adicional à independência do Federal Reserve. Historicamente, o mercado financeiro reage de forma favorável a cenários de impasse político em Washington, pois reduzem incertezas regulatórias e fiscais.
Paralelamente, os preços internacionais do petróleo registraram fortes quedas na sessão (com retração superior a 7% nos contratos de WTI e Brent), diante da expectativa de que a nova composição parlamentar nos EUA atue em favor de soluções diplomáticas para os conflitos no Oriente Médio. O alívio na commodity diminuiu os receios de pressões inflacionárias globais e fez os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) recuarem com força.

Principais índices em Nova York:

O índice Dow Jones disparou 3,03% (53.357,19 pontos)

O S&P 500 avançou 1,58% (7.688,87 pontos)

O Nasdaq teve alta de 1,44% (25.736,51 pontos)

Ibovespa – Bolsa reage com força puxada por bancos, Vale e varejo; petroleiras recuam com petróleo

O principal índice acionário da B3 interrompeu a trajetória de baixas e encerrou a quarta-feira aos 167.563,47 pontos (ganho de 2.034,55 pontos na sessão).

Desempenho acumulado do índice:

Dia (04/11): +1,23%
Novembro (Mês): -0,21%
2026 (Ano): +4,00%

O tom positivo do Ibovespa foi liderado pelos balanços robustos do setor bancário no terceiro trimestre, com destaque para o Itaú Unibanco (ITUB4 +3,17%), que apresentou crescimento saudável na carteira de crédito e excelente qualidade de ativos. A onda compradora contagiou Santander (SANB11 +5,43%), Bradesco (BBDC4 +3,66%), Banco do Brasil (BBAS3 +1,85%) e B3 (B3SA3 +5,07%). A Vale (VALE3) avançou 3,49% com o minério de ferro em alta, e o Magazine Luiza (MGLU3) disparou 8,06%, impulsionado pelo recuo das taxas de juros.
Na ponta oposta, as companhias produtoras de petróleo sofreram com o recuo acentuado da commodity no exterior: a Petrobras (PETR4) cedeu 7,08% e a PRIO (PRIO3) recuou 8,73%. A BB Seguridade (BBSE3) caiu 7,45% após analistas avaliarem o resultado trimestral como de menor qualidade operacional.

Juros – Queda expressiva de até 40 pontos-base nos DIs futuros impulsiona marcação a mercado da renda fixa

Os contratos de DIs futuros negociados na B3 encerraram a quarta-feira com forte fechamento da curva, registrando recuo de até 40 pontos-base em suas taxas, acompanhando o alívio dos juros internacionais e a queda do petróleo.

Como se comportaram os principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,5122%
IMA-B: +0,4066%
IMA-B 5: +0,2337%
IRF-M: +0,7151%
IRF-M 1: +0,0900%

O que isso significa para a previdência (RPPS)?

Na renda fixa, vigora a regra de que quando as taxas de juros futuros recuam no mercado secundário, o valor de mercado dos títulos públicos sobe. Esse movimento de fechamento da curva provocou um salto positivo imediato no preço das carteiras marcado a mercado, beneficiando de forma expressiva os índices ANBIMA atrelados ao IPCA e aos prefixados, como o IRF-M (+0,72%), o IMA-B 5+ (+0,51%) e o IMA-B (+0,41%).

Após o fechamento, o Copom manteve a taxa Selic em 13,75% a.a., sinalizando serenidade e cautela frente à desancoragem das expectativas de inflação no Focus (5,2% para 2026 e 4,8% para 2027). Para a gestão dos RPPS, a manutenção de juros contracionistas associada ao alívio nas taxas secundárias contribui para a consolidação dos resultados patrimoniais e para a busca do atingimento da meta atuarial.

Dólar recua para R$ 5,45 impulsionado pelo otimismo global e entrada de fluxo

O dólar comercial registrou valorização do real frente à moeda americana, fechando em queda de 0,64%, negociado a R$ 5,452 na venda (com mínima de R$ 5,451 e máxima de R$ 5,498 no dia).

O movimento de retração do câmbio no Brasil esteve alinhado ao cenário externo, no qual o índice DXY cedeu 0,28%, aos 101,58 pontos. A definição das urnas nos EUA e o alívio das tensões internacionais favoreceram o retorno do apetite por ativos emergentes. A queda do dólar para o patamar de R$ 5,45 é recebida como um fator positivo para suavizar potenciais repasses de custos sobre os índices de inflação doméstica.

E agora?

Nesta quinta-feira (05/11), o mercado financeiro reage em pleno ao comunicado do Copom e à decisão de manutenção da Selic em 13,75%. No ambiente doméstico, os agentes acompanham a divulgação dos dados da Produção Industrial de setembro pelo IBGE e o PMI Composto de outubro. Nos Estados Unidos, o foco estará na publicação dos pedidos semanais de seguro-desemprego e nos dados de produtividade do 3º trimestre.

Para os comitês e conselhos de RPPS, a recomendação permanece concentrada no acompanhamento disciplinado dos estudos de ALM e na execução criteriosa da Política Anual de Investimentos.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos

Confira os principais destaques previstos para esta Quinta-feira (05/11/2026):

🇧🇷 09:00 – Brasil: Produção Industrial do mês de Setembro (IBGE)
🇧🇷 10:00 – Brasil: PMI Composto S&P Global de Outubro
🇺🇸 10:30 – EUA: Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (Semanal)
🇺🇸 10:30 – EUA: Produtividade Não Agrícola do 3º Trimestre

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