O mês de novembro iniciou seu primeiro pregão mantendo o tom de cautela que marcou o encerramento do mês anterior. Em uma terça-feira de ajuste de posições e ansiedade antes da decisão de juros no Brasil, o Ibovespa recuou 1,42%, cotado aos 165.528,92 pontos, registrando sua sexta baixa consecutiva e fixando o acumulado do mês em -1,42% (com ganho acumulado de +2,73% no ano de 2026). No mercado cambial, o dólar comercial engatou a terceira alta seguida, subindo 0,79%, negociado a R$ 5,487. Em Nova York, as bolsas americanas fecharam em tom misto, divididas entre a apuração das eleições de meio de mandato e balanços de tecnologia. No mercado doméstico de juros futuros (DIs), as taxas avançaram por toda a extensão da curva.
A movimentação refletiu a reação do mercado à revisão para cima das projeções de inflação e Selic no Relatório Focus, combinada aos debates recentes sobre diretrizes da política monetária. Para a gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), este cenário reforça a necessidade de acompanhar o efeito temporário da marcação a mercado nas carteiras, ao mesmo tempo em que destaca as janelas operacionais de longo prazo.
Convido você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada segmento nas seções a seguir para compreender todos os desdobramentos em seus investimentos.
Olhar Global – Eleições de meio de mandato e balanços corporativos movimentam Nova York em dia misto
No cenário internacional, o mercado em Wall Street operou em tom de compasso de espera com o encerramento da votação das eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos. A apuração das cadeiras do Legislativo americano mantém os investidores atentos quanto à governabilidade e aos rumos fiscais da maior economia do mundo para os próximos dois anos.
Além do quadro político, a temporada de balanços nos EUA trouxe reações divergentes: os resultados abaixo das expectativas divulgados pela Apple pressionaram o setor industrial, enquanto papéis de tecnologia e semicondutores ensaiaram recuperação. Paralelamente, as cotações internacionais do petróleo voltaram a recuar no dia, consolidando o movimento de alívio iniciado na sessão anterior e auxiliando na redução das pressões inflacionárias globais de curto prazo.
Principais índices em Nova York:
O índice Dow Jones recuou 0,40% (51.777,12 pontos)
O S&P 500 subiu 0,36% (7.568,96 pontos)
O Nasdaq avançou 0,83% (25.372,01 pontos)
Ibovespa – Bolsa renova mínimas pressionada por commodities e bancos, mas destaques corporativos reagem
O principal índice da B3 estendeu a sequência de desvalorizações e encerrou a terça-feira aos 165.528,92 pontos (perda de 2.392,88 pontos no pregão).
Desempenho acumulado do índice:
Dia (03/11): -1,42%
Novembro (Mês): -1,42%
2026 (Ano): +2,73%
A pressão vendedora no Ibovespa foi puxada por papéis de grande peso. A Petrobras (PETR4) recuou 3,79%, acompanhando o movimento descendente das cotações do petróleo no exterior, enquanto a Vale (VALE3) cedeu 2,85%. No setor financeiro, a cautela fiscal pesou sobre a maioria das instituições (Banco do Brasil -1,70%, Itaú Unibanco -0,48% e Bradesco -2,02%), com exceção do Santander (SANB11), que subiu 2,26%. A Dasa (DASA3) despencou 15,10% após revisões de analistas sobre sua estrutura de capital em ambiente de juros elevados.
Por outro lado, o pregão reservou destaques positivos expressivos: a Embraer (EMBJ3) avançou 4,24% após anunciar novos acordos de fornecimento de aeronaves com a Grécia; a WEG (WEGE3) subiu 1,67% impulsionada por relatórios favoráveis; e as ações da Azul (AZUL3) dispararam 14,61% fora do índice principal.
Juros – Alta nas taxas dos DIs pressiona renda fixa com ruídos fiscais e revisão do Focus antes do Copom
Os contratos de DIs futuros negociados na B3 fecharam a terça-feira com elevação nas suas taxas de juros de até 17,5 pontos-base ao longo de toda a extensão da curva, refletindo o ajuste das expectativas inflacionárias e o prêmio de risco fiscal.
Como se comportaram os principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,3908%
IMA-B: -0,2431%
IMA-B 5: -0,0004%
IRF-M: -0,2667%
IRF-M 1: +0,0146%
O que isso significa para a previdência (RPPS)?
Existe uma mecânica fundamental na renda fixa: quando as taxas de juros futuros sobem no mercado secundário, o valor presente dos títulos cai por efeito da marcação a mercado. A elevação das taxas observada nesta sessão influenciada pela revisão para cima das projeções de Selic e inflação no Relatório Focus resultou em oscilação negativa para os índices de prazos intermediários e longos, como o IMA-B 5+ (-0,39%) e o IRF-M (-0,27%). Apenas a ponta pós-fixada de curtíssimo prazo (IRF-M 1) preservou variação positiva (+0,01%).
Para os RPPS, o mercado projeta que o Banco Central mantenha a taxa Selic no patamar de 13,75% ao ano na decisão de hoje. Sob a ótica de gestão de carteiras, analistas apontam que momentos de abertura na curva de juros reabrem janelas estratégicas para alocar recursos em títulos públicos indexados à inflação (NTN-B), permitindo travar taxas de juros reais atrativas para assegurar o cumprimento da meta atuarial no longo prazo.
Dólar comercial engata 3ª alta consecutiva e atinge R$ 5,48 com prêmio de risco
O dólar comercial deu sequência ao movimento de valorização frente à moeda brasileira, fechando em alta de 0,79%, cotado a R$ 5,487 na venda (com mínima de R$ 5,469 e máxima de R$ 5,515 no dia).
A apreciação do dólar no mercado interno ocorreu de forma alinhada ao ambiente internacional, onde o índice DXY subiu 0,10%, aos 101,84 pontos. O movimento doméstico refletiu a busca por hedge (proteção cambial) pelas tesourarias institucionais diante das incertezas no debate econômico e das revisões de projeções cambiais no Focus. O patamar de R$ 5,48 segue sob monitoramento do mercado pelos potenciais reflexos sobre os preços de produtos e insumos importados.
E agora?
Nesta quarta-feira (04/11), todas as atenções do mercado financeiro nacional voltam-se para a divulgação da decisão do Copom sobre a taxa Selic, agendada para o pós-fechamento do mercado (18h30). Além da taxa em si, os investidores analisarão detalhadamente o comunicado do Banco Central em busca de sinalizações para os próximos passos da política monetária. No ambiente doméstico, saem ainda os dados formais de emprego do CAGED e o IPC-Fipe. Nos Estados Unidos, o foco estará na divulgação da variação de empregos privados (ADP) e no desdobramento das urnas americanas. A recomendação para os comitês de investimentos de RPPS permanece centrada na serenidade e no cumprimento disciplinado da Política Anual de Investimentos.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos
Confira os principais destaques previstos para esta Quarta-feira (04/11/2026):
🇧🇷 07:00 – Brasil: IPC-Fipe do mês de Outubro (Fipe)
🇺🇸 10:15 – EUA: Variação de Empregos Privados – Relatório ADP (Outubro)
🇧🇷 14:30 – Brasil: Evolução do Emprego Formal – CAGED do mês de Setembro (MTE)
🇧🇷 18:30 – Brasil: Anúncio da Decisão da Taxa Selic pelo Copom (Banco Central)
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