Na reabertura do mercado financeiro brasileiro após o feriado nacional de Finados (02/11), os investidores retomam os negócios em um dia decisivo para a política monetária local e sob novos horários de funcionamento na B3. No último pregão antes do feriado (30/10), o Ibovespa cedeu 0,75%, aos 167.921 pontos, selando um acumulado negativo de -9,88% no mês de outubro (com ganho de +4,22% no ano). No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 1,10%, negociado a R$ 5,44. Em Nova York, as bolsas americanas fecharam em queda puxadas pelo setor de tecnologia a despeito do recuo de mais de 7% no petróleo, enquanto no Brasil as taxas de juros futuros (DIs) avançaram, pressionando as carteiras de renda fixa de maior duração.
A terça-feira traz como grande destaque o início da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom), a divulgação do Relatório Focus (que teve sua publicação adiada devido ao feriado) e uma movimentada temporada de balanços do 3T26 no pós-fechamento, com números de peso como Itaú e BB Seguridade. Para a gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), acompanhar as sinalizações sobre a trajetória da Selic e o comportamento das taxas reais é fundamental para manter o enquadramento e a rentabilidade dos ativos frente às metas atuariais.
Convido você a acompanhar a análise detalhada de cada segmento nas seções a seguir para conferir os impactos em suas estratégias de alocação.
Olhar Global – Wall Street vira para queda com tecnologia, mas petróleo despenca mais de 7% com sinalizações diplomáticas
No cenário internacional, o início da semana (02/11) foi marcado por forte volatilidade nas bolsas em Nova York. Após abrirem no campo positivo, os índices acionários americanos perderam força ao longo do dia e fecharam em queda, renovando as mínimas de três meses. O recuo foi liderado pelo setor de tecnologia e fabricantes de hardware (-5,5%), diante do temor recorrente no mercado sobre o volume de investimentos direcionados à Inteligência Artificial e a velocidade do retorno desses aportes.
Em contrapartida, as cotações internacionais do petróleo registraram forte queda no dia: o contrato futuro do petróleo WTI caiu 7,4% (para US$ 96,46 o barril) e o tipo Brent recuou 7,6% (para US$ 104,77). O movimento de alívio ocorreu após declarações do Secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçando a preferência do governo por soluções diplomáticas nas negociações geopolíticas com o Irã. No mercado de dívida soberana, o rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro americano (Treasuries) recuou 3,5 pontos-base, fechando em 4,894%.
Principais índices em Nova York (02/11):
O índice Dow Jones subiu 0,41% (51.983,98 pontos)
O S&P 500 recuou 0,51% (7.541,40 pontos)
O Nasdaq teve queda de 1,07% (25.164,32 pontos)
Ibovespa – Bolsa reabre sob novos horários de negociação e mercado acompanha notícias corporativas
O principal índice da B3 encerrou a última sessão antes do feriado em baixa de 0,75%, aos 167.921 pontos (perda de 1.264 pontos no dia), acumulando recuo de 18,12% na semana e encerrando o mês de outubro com desvalorização de 9,88%.
Desempenho acumulado do índice:
Último Pregão (30/10): -0,75%
Outubro (Mês): -9,88%
2026 (Ano): +4,22%
Na ponta positiva do último pregão, a CSN Mineração (CMIN3 +8,00%) e a Vale (VALE3 +3,28%) sustentaram ganhos após resultados operacionais no 3T26 com sólida geração de caixa. Magazine Luiza (MGLU3) recuperou +4,29%. Já na ponta negativa, o setor siderúrgico sofreu forte desvalorização com Usiminas (USIM5 -8,59%) e CSN (CSNA3 -8,49%), seguidas pela B3 (B3SA3 -5,42%).
No radar institucional para esta terça-feira (03/11), a B3 passa a operar em novos horários devido ao fim do horário de verão no exterior: o pregão regular de ações começa às 10h e encerra às 17h55 (com call de fechamento até 18h00). No universo corporativo, a Chilli Beans protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 340 milhões em dívidas, a Raízen anunciou reorganização para separar os negócios de distribuição de combustíveis e produção de açúcar/etanol, e a corretora Mercado Bitcoin comunicou que conteve com sucesso um incidente de segurança em seus sistemas sem prejuízo aos recursos dos clientes.
Juros – Alta nas taxas de juros futuros reduz valor presente dos títulos, enquanto mercado aguarda Copom
Os contratos de DIs futuros negociados na B3 encerraram a sessão que antecedeu o feriado com elevação nas suas taxas de juros de até 21,5 pontos-base por toda a extensão da curva, impulsionados pela cautela fiscal e por dados do mercado de trabalho doméstico.
Como se comportaram os principais índices de renda fixa (30/10):
IMA-B 5+: -0,5468%
IMA-B: -0,3636%
IMA-B 5: -0,0608%
IRF-M: -0,1844%
IRF-M 1: +0,0219%
O que isso significa para a previdência (RPPS)?
No mercado financeiro, existe uma relação inversamente proporcional entre as taxas de juros futuros e a rentabilidade dos títulos de renda fixa: quando a taxa do DI futuro sobe, o preço de mercado dos títulos públicos cai por efeito da marcação a mercado. Essa subida das taxas reduziu temporariamente o valor de mercado das carteiras marcadas a mercado, levando os índices de média e longa duração (como IMA-B 5+ e IMA-B) ao campo negativo no último pregão, enquanto apenas os papéis de curtíssimo prazo (IRF-M 1) preservaram variação positiva.
Nesta terça-feira, o mercado inicia o acompanhamento da reunião de dois dias do Copom. Conforme a expectativa predominante entre os analistas de mercado, a projeção é de manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano.
No âmbito fiscal, o Ministério da Fazenda afastou discussões sobre mudanças na condução da política monetária. Para a gestão dos RPPS, essa elevação recente das taxas no mercado secundário abre janelas operacionais bastante favoráveis para alocações em títulos NTN-B com cupons de juros reais atrativos, fortalecendo a convergência para as metas atuariais de longo prazo.
Dólar comercial fecha em alta de 1,10% cotado a R$ 5,44 com prêmio de risco
O dólar comercial encerrou o mês de outubro negociado em alta frente à moeda brasileira, subindo 1,10%, cotado a R$ 5,444 na venda (com mínima de R$ 5,387 e máxima de R$ 5,462 no dia). No acumulado do mês de outubro, a valorização da moeda americana frente ao real somou 5,20%.
O movimento de alta do câmbio no Brasil ocorreu sob influência do reposicionamento de carteiras institucionais diante do cenário fiscal e das incertezas externas. Um patamar cambial elevado em R$ 5,44 permanece no foco dos analistas devido aos eventuais impactos sobre os custos de produtos e insumos importados no índice de inflação ao consumidor.
E agora?
Nesta terça-feira (03/11), a reabertura dos negócios no Brasil promete ser bastante movimentada. O dia começa com a divulgação do Relatório Focus pelo Banco Central (às 08h25) e marca o início da reunião do Copom. Nos Estados Unidos, o mercado acompanha as eleições de meio de mandato (midterms) e os relatórios de emprego (JOLTS). No pós-fechamento da B3, as atenções estarão voltadas para a divulgação dos resultados do 3T26 de Itaú, BB Seguridade e RD Saúde. Para os comitês e conselhos de RPPS, a recomendação permanece na manutenção da disciplina técnica e na execução alinhada à Política Anual de Investimentos.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos
Confira os principais destaques previstos para esta Terça-feira (03/11/2026):
🇧🇷 08:00 – Brasil: IPC-S de Outubro (FGV)
🇧🇷 08:25 – Brasil: Relatório Focus com projeções do mercado (Banco Central)
🇧🇷 10:00 – Brasil: Início do 1º dia da reunião de política monetária do Copom
🇺🇸 12:00 – EUA: Relatório de Emprego JOLTS de Setembro e Encomendas à Indústria
🇺🇸 Dia todo – EUA: Eleições de Meio de Mandato (Midterm Elections)
🇧🇷 Pós-fechamento: Balanços do 3T26 de Itaú, BB Seguridade, RD Saúde, Isa Energia e Marcopolo
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