A quinta-feira (11) foi de goleada nos mercados financeiros, coincidindo de forma poética com o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026. Em uma reviravolta monumental, o Ibovespa disparou 1,71%, reconquistando o patamar dos 171.497,24 pontos. O grande craque da rodada foi o avanço da pauta diplomática no exterior, que desarmou o pessimismo recente e colocou os investidores na ofensiva. Com o forte desempenho da sessão, o índice zera as perdas recentes e passa a acumular uma alta de 1,48% no mês de junho.
O grande gatilho para o rali global veio diretamente das redes sociais de Donald Trump. O presidente norte-americano anunciou o cancelamento dos bombardeios programados contra o Irã e afirmou que as negociações bilaterais entraram em fase avançada, com possibilidade de assinatura de um acordo definitivo de paz já neste final de semana na Europa. A trégua provocou um tombo de mais de 2% no petróleo, abrindo espaço para que o dólar comercial despencasse 1,37%, cotado a R$ 5,101, as bolsas americanas fechassem em forte alta e as taxas dos juros futuros (DIs) derretessem por toda a curva.
A agenda de hoje traz dados decisivos de inflação que prometem mexer com as estratégias. Convidamos você a acompanhar na íntegra as notícias e análises econômicas nas seções a seguir.
Olhar Global – Trump cancela ataques e Wall Street comemora ensaio de paz no Golfo
O panorama internacional viveu um dia de forte alívio tático e apetite por risco. A sinalização de que Washington e Teerã elevaram os contatos diplomáticos ao mais alto nível das lideranças esvaziou os prêmios de risco geopolítico que vinham sufocando os mercados globais. A perspectiva de reabertura total do Estreito de Ormuz fez o preço do petróleo recuar, permitindo que os investidores ignorassem o avanço do índice de preços ao produtor (PPI) nos EUA, que subiu 6,5% no acumulado anual.
Em Wall Street, os computadores das mesas de operação foram programados para comprar ações de forma generalizada, gerando valorizações superiores a 1,80% nos principais índices. O clima de otimismo também serve como um tapete vermelho para o mercado de capitais: nesta sexta-feira ocorre o aguardado IPO da SpaceX na Nasdaq. A expectativa é de que a companhia de Elon Musk capte cerca de US$ 75 bilhões, consolidando-se como a maior abertura de capital da história global. Na Europa, as bolsas pegaram carona no bom humor e quebraram uma sequência de quatro quedas consecutivas.
O índice Dow Jones avançou 1,86% (50.848,38 pts)
O S&P 500 subiu 1,75% (7.394,29 pts)
O Nasdaq teve alta de 2,54% (25.809,66 pts)
Ibovespa – Bancos e varejo disparam em rali generalizado na B3
O principal termômetro das ações brasileiras encerrou o dia aos 171.497,24 pontos. No acumulado do ano de 2026, a valorização do índice atinge +6,60%.
Com o mercado operando em clima de festa, a imensa maioria das ações fechou no terreno positivo. O setor financeiro foi o grande motor de tração do índice, aplicando uma verdadeira goleada técnica: o Itaú Unibanco (ITUB4) saltou 2,79%, o Bradesco (BBDC4) avançou 2,72% e o Banco do Brasil (BBAS3) subiu 2,21%. A Vale (VALE3) também jogou no ataque e valorizou 1,36%, ignorando o dia fraco para o minério de ferro no exterior.
No varejo, o otimismo foi avassalador, puxado pela Lojas Renner (LREN3, +3,71%) e Magazine Luiza (MGLU3, +4,10%). Outro destaque de letras garrafais foi a Braskem (BRKM5), que disparou 4,53% após o registro de uma oferta pública de aquisição (OPA) pelo seu controlador. A Petrobras (PETR4) passou boa parte do pregão no vermelho devido ao tombo do petróleo bruto, mas virou nos minutos finais e encerrou com leve alta de 0,14%, amparada por dados macroeconômicos locais fortes, como o avanço de 1,2% no setor de serviços em abril.
Juros – Derretimento nas taxas futuras injeta ganho contábil nas carteiras
O mercado de juros futuros (DIs) registrou uma das sessões mais fortes e expressivas das últimas semanas. A curva a termo apresentou um fechamento generalizado e robusto, com as taxas recuando mais de 40 pontos-base em alguns contratos nos vértices de curto, médio e longo prazo.
O movimento técnico foi desencadeado pelo recuo expressivo do dólar, pelo alívio nas commodities e pela desmontagem em massa das posições defensivas que vinham sendo montadas pelos fundos multimercados.
O que isso significa para o RPPS?
Para os regimes próprios, esse colapso nas taxas futuras de juros representa uma marcação a mercado altamente positiva.
Quando as taxas exigidas para o futuro despencam, o preço atual dos títulos públicos prefixados (IRF-M) e indexados à inflação (IMA-B) que já estão na carteira do fundo sofre uma forte valorização contábil no extrato.
Esse ganho patrimonial instantâneo atua como um impulso fundamental para aproximar as carteiras do cumprimento da meta atuarial. No plano da política monetária, o cenário mudou de figura: as opções digitais da B3 viraram a mesa e passaram a precificar 55,8% de probabilidade de um corte de 25 pontos-base na Selic na reunião do Copom da semana que vem, derrubando a aposta majoritária de manutenção. Para o gestor previdenciário, as NTN-Bs compradas nas semanas de estresse provam agora o seu valor estratégico como blindagem patrimonial de excelência.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +2,1675%
IMA-B: +1,4047%
IMA-B 5: +0,4666%
IRF-M: -0,7901% (Ajuste técnico pós-cupom)
IRF-M 1: +0,1069%
Dólar – Moeda desaba 1,37% com avanço da diplomacia global
O dólar comercial fechou o pregão com uma forte queda de 1,37%, cotado a R$ 5,101 para venda.
A moeda norte-americana emendou o seu terceiro recuo consecutivo frente ao Real no mercado interno, registrando a mínima de R$ 5,091 durante a tarde. O recuo doméstico superou a desvalorização global do índice DXY (-0,28%, aos 99,67 pontos). O mercado acredita que a retirada das ameaças de sanções e o arrefecimento da crise energética global esvaziaram a busca defensiva por moeda forte, trazendo alívio para o custo de insumos importados e melhorando a ancoragem cambial da nossa economia.
E agora?
A sexta-feira chega com a agenda econômica carregada e promete testar a sustentabilidade desse viés de forte recuperação. O principal prato do dia no mercado doméstico será a divulgação oficial do IPCA de maio pelo IBGE, dado crucial para calibrar os modelos de inflação e balizar as apostas finais para a decisão do Copom na próxima Super Quarta. Nos Estados Unidos, os investidores acompanham os dados de Confiança do Consumidor e as Expectativas de Inflação da Universidade de Michigan. Se a inflação por aqui vier controlada, a renda fixa e as ações ganham pista livre para consolidar a goleada.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (12/06)
Gatilhos econômicos fundamentais para monitorar hoje:
🇧🇷 09h00 – IBGE: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA de maio).
🇺🇸 11h00 – Univ. de Michigan: Índice de Confiança do Consumidor e Expectativas de Inflação de 5 anos (Junho).
🇺🇸 14h00 – Baker Hughes: Contagem semanal de poços e plataformas de petróleo em atividade nos EUA.
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