O mercado financeiro viveu uma sexta-feira de fortes emoções e movimentos opostos, encerrando uma semana que ficará marcada pela diplomacia. O grande fato do dia foi a reabertura total do Estreito de Ormuz pelo Irã, o que provocou um verdadeiro “tombo” nos preços do petróleo e trouxe alívio global. No entanto, o que foi bom para o mundo pesou no nosso quintal: a queda da commodity puxou as ações da Petrobras para baixo, impedindo que o Ibovespa seguisse o otimismo de Nova York. O principal índice da nossa bolsa fechou em queda de 0,55%, aos 195.733,51 pontos.
Apesar do recuo no dia, o saldo de abril segue positivo em 4,41%. Em outras frentes, o clima foi de alívio: o dólar recuou para R$ 4,983, as bolsas americanas bateram recordes e os juros futuros (DIs) desabaram, refletindo a menor pressão inflacionária. Com a trégua no Oriente Médio ganhando corpo, o investidor agora olha para o futuro com mais esperança, mas sem tirar o olho dos riscos.
Prepare o seu café e acompanhe na íntegra os detalhes desse fechamento e o que esperar para a semana que começa.
Olhar Global – O “Dividendo da Paz” impulsiona Wall Street
O panorama internacional mudou drasticamente com a confirmação de que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto para o tráfego comercial. O mercado acredita que o pior da crise energética passou, o que provocou um rali de otimismo em Nova York. A reabertura é vista como um gesto de “boa fé” antes das conversas presenciais no Paquistão. Esse cenário fez o petróleo despencar cerca de 10%, voltando para a casa dos US$ 90, o que retira um enorme peso das expectativas de inflação mundial.
Enquanto o FMI alerta para os custos acumulados da guerra na Europa, os investidores americanos preferiram focar na normalização dos fluxos. O resultado foi uma sexta-feira de recordes históricos para os principais índices dos EUA, com o mercado já antecipando um ambiente econômico mais estável.
* Dow Jones: +1,79% (Semana: +3,20%)
* S&P 500: +1,20% (Semana: +4,53%)
* Nasdaq: +1,52% (Semana: +6,84%)
Ibovespa – O cabo de guerra entre Vale e Petrobras
O Ibovespa encerrou o dia aos 195.733,51 pontos. No acumulado do ano de 2026, a valorização é de +21,48%.
A sessão foi um exemplo clássico de como o nosso índice é influenciado por forças opostas. De um lado, a Petrobras (PETR4) desabou 4,86%, sendo a principal âncora negativa do dia. Sem o “prêmio de risco” da guerra, o valor do petróleo caiu e levou as petroleiras junto. Do outro lado, a Vale (VALE3) tentou segurar o índice ao subir 2,64%, impulsionada por dados de produção do primeiro trimestre que surpreenderam positivamente os analistas.
Os bancos também ajudaram a equilibrar o jogo, com o Bradesco (+1,97%) liderando o setor. No entanto, o peso da energia falou mais alto, impedindo que o Ibovespa rompesse os sonhados 200 mil pontos antes do feriado. É como se tivéssemos um motor potente (Vale), mas o combustível (Petrobras) subitamente ficasse mais barato, desacelerando o veículo.
Juros – Petróleo barato alivia a inflação e derruba os DIs
Os juros futuros (DIs) tiveram um dia de queda expressiva em toda a curva, com recuos de até 22 pontos-base. O motivo é direto: se o petróleo cai, a pressão sobre os combustíveis e fretes diminui, o que gera uma expectativa de inflação menor para o Brasil.
O que isso significa para o RPPS?
Para os gestores de regimes de previdência, esse fechamento da curva de juros é uma excelente notícia para o patrimônio. Quando as taxas de juros futuras caem, ocorre a marcação a mercado positiva: o valor dos títulos públicos (como NTN-Bs e Prefixados) que o fundo já possui em carteira aumenta hoje. Isso ajuda a impulsionar o Funding Ratio e facilita o alcance da meta atuarial. Conforme o mercado espera, esse alívio nas commodities abre espaço para o Banco Central ser mais generoso nos próximos cortes da Selic.
Comportamento dos principais índices:
* IMA-B 5+: +0,1647%
* IMA-B: +0,1254%
* IMA-B 5: +0,0744%
* IRF-M: +0,3827%
* IRF-M 1: +0,1112%
Dólar – Real se firma abaixo de R$ 5,00
O dólar comercial fechou em queda de 0,19%, cotado a R$ 4,983.
A moeda americana segue perdendo força frente ao Real, acompanhando o alívio global e o fluxo de investidores que buscam oportunidades no Brasil após o fim do bloqueio em Ormuz. No acumulado da semana, o dólar caiu 0,53%. Um dólar abaixo de R$ 5,00 é um importante aliado contra a inflação, barateando insumos importados e ajudando a manter os preços domésticos sob controle.
E agora?
Iniciamos uma semana mais curta devido ao feriado de Tiradentes (21/04). O foco total do mercado estará nos desdobramentos das conversas diplomáticas ocorridas no final de semana no Paquistão. Se os detalhes do acordo definitivo forem positivos, poderemos ver o Ibovespa retomar sua trajetória de recordes. No Brasil, o Boletim Focus desta manhã trará as novas projeções do mercado, que devem incorporar esse alívio recente nos preços internacionais.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (20/04)
Eventos para monitorar nesta segunda-feira:
* 🇧🇷 08:25 – Boletim Focus: Novas projeções de inflação e PIB pós-abertura de Ormuz.
* 🇪🇺 13:40 – Discurso de Christine Lagarde (BCE): Visão da Europa sobre o crescimento econômico.
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