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Inflação nos EUA e ruídos geopolíticos voltam a pressionar os ativos locais

O otimismo visto no início da semana acabou esbarrando em fantasmas macroeconômicos já conhecidos. Em uma quarta-feira (10) de forte aversão ao risco no cenário internacional, o Ibovespa interrompeu o respiro recente e fechou em queda de 0,70%, aos 168.619,26 pontos. O movimento devolveu os ganhos do pregão anterior e evidenciou o desassossego dos investidores com a persistência das pressões inflacionárias globais. No acumulado do mês de junho, o índice registra recuo de 0,23%, enquanto o saldo de 2026 sustenta uma alta de 4,89%.

A dinâmica das mesas de operação foi ditada pela combinação entre o endurecimento do discurso de Donald Trump no Oriente Médio e a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos. Embora o dado tenha vindo dentro das projeções, o patamar elevado reforçou o sinal de alerta sobre os próximos passos dos juros mundiais. Como reflexo, os principais índices de Nova York fecharam com fortes quedas, o dólar comercial recuou 0,10%, cotado a R$ 5,172, e a curva de juros futuros (DIs) encerrou com inclinação altista, desenhando um cenário técnico de muita atenção para a alocação institucional.

A agenda de hoje traz indicadores de peso e o início de um grande evento esportivo global. Convidamos você a acompanhar na íntegra o panorama completo nas seções a seguir.

Olhar Global – Discurso duro de Trump e CPI elevado acionam modo defensivo em NY

O panorama internacional enfrentou um dia de forte volatilidade e realização de lucros. No front geopolítico, as esperanças de um desfecho rápido para o conflito entre Washington e Teerã sofreram um revés após novas trocas de ameaças bélicas no Golfo Pérsico. O mercado acredita que a ausência de um acordo definitivo mantém o risco de um choque energético estrutural no radar, o que empurrou as cotações internacionais do petróleo para cima e fez as bolsas europeias amargarem quedas elásticas.

Para agravar o sentimento das mesas de operação, a inflação ao consumidor (CPI) de maio nos EUA atingiu 4,2% no acumulado de 12 meses. O número confirma que a maior economia do mundo enfrenta choques simultâneos de custos, englobando as novas tarifas alfandegárias e os pesados investimentos em infraestrutura tecnológica. Esse cenário de preços resilientes reduz a margem de manobra do Federal Reserve e coloca pressão sobre a primeira decisão de juros sob a liderança de Kevin Warsh na próxima semana.

Dow Jones: -1,87% (49.921,58 pts)
S&P 500: -1,62% (7.267,08 pts)
Nasdaq: -1,98% (25.169,50 pts)

Ibovespa – Commodities operam em sentidos opostos e varejo sofre nova realização

O principal índice da nossa Bolsa encerrou o pregão aos 168.619,26 pontos. No acumulado do segundo trimestre de 2026, a variação aponta uma retração de -9,40%.

O desempenho do Ibovespa foi puxado para baixo pela Vale (VALE3), que recuou 1,13% sob o reflexo da cautela externa, embora analistas destaquem o potencial de valorização de longo prazo na sua divisão de Metais Básicos. O setor varejista também enfrentou um dia difícil, com a Magazine Luiza (MGLU3) despencando 6,56% após revisões de recomendações de venda. No setor de aviação, a Embraer (EMBJ3) realizou lucros e caiu 4,26%, operando abaixo de suas máximas históricas.

O contrapeso positivo ficou por conta da Petrobras (PETR4, +1,19%), que blindou o índice de um tombo maior ao acompanhar a valorização do barril de petróleo Brent no exterior. No setor financeiro, o comportamento foi misto: enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,25%, o Banco do Brasil (BBAS3) registrou leve queda de 0,58%. O mercado espera que uma melhora no fluxo de capital estrangeiro e valuations atraentes tragam sustentação técnica para os ativos locais nos próximos meses.

Juros – Avanço nos yields americanos eleva taxas dos DIs na B3

O mercado de juros futuros (DIs) encerrou a quarta-feira com inclinação altista ao longo de toda a estrutura temporal. Enquanto os vértices de menor vencimento registraram ajustes leves, os contratos futuros intermediários e longos avançaram até 4,0 pontos-base, acompanhando o estresse dos títulos do Tesouro americano (Treasuries).

O que isso significa para o RPPS?

Para os regimes próprios, essa abertura nas taxas de juros futuras de prazos mais esticados resulta em uma marcação a mercado negativa momentânea no patrimônio.

Quando as taxas exigidas para o futuro sobem, o valor atual dos papéis prefixados (IRF-M) e indexados ao IPCA (IMA-B) que já compõem a carteira do fundo sofre um ajuste contábil para baixo no balancete.

Essa volatilidade pontual faz parte do gerenciamento macroeconômico, mas abre uma janela técnica muito favorável. As opções digitais da B3 passaram a precificar 66,1% de probabilidade de manutenção da taxa Selic em 14,50% na Super Quarta do dia 17 de junho, refletindo o cenário de inflação desancorada trazido pelo último Boletim Focus.
Para as novas compras e reinvestimentos do RPPS, o atual nível de taxas reais elevadas é excelente para travar rendimentos robustos, assegurando o cumprimento da meta atuarial e a solvência futura contra oscilações de curto prazo.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,6860%
IMA-B: +0,4199%
IMA-B 5: +0,0945%
IRF-M: -0,0334%
IRF-M 1: +0,0580%

Dólar – Moeda cede margem e encerra cotada a R$ 5,17

O dólar comercial fechou o dia em queda de 0,10%, cotado a R$ 5,172.
A divisa norte-americana emendou o seu segundo recuo consecutivo frente ao Real no mercado interno. O movimento doméstico ocorreu de forma descolada do exterior, onde o índice global DXY operou em leve alta (+0,09%, aos 100,00 pontos). O mercado acredita que o elevado diferencial de juros da nossa economia (Selic restritiva) atua como um colchão importante de proteção cambial, contendo depreciações severas do Real e mitigando o repasse de custos para a inflação de bens importados.

E agora?

A quinta-feira chega com uma agenda recheada de indicadores cruciais para calibrar os rumos dos ativos globais. No Brasil, as mesas de operação vão monitorar o Crescimento do Setor de Serviços de abril divulgado pelo IBGE, essencial para medir a força da atividade doméstica. No cenário internacional, teremos a decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE) e o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de maio nos EUA. Além disso, hoje começa oficialmente a contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026, evento que costuma trazer um descanso técnico e alterar a liquidez das operações institucionais.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (11/06)

Gatilhos econômicos para monitorar hoje:

🇺🇸 07h00 – OPEP: Divulgação do Relatório Mensal de Petróleo.
🇧🇷 09h00 – IBGE: Crescimento do Setor de Serviços (Abril).
🇪🇺 09h15 – BCE: Decisão da Taxa de Juros e Declaração de Política Monetária na Zona do Euro.
🇺🇸 09h30 – Bureau of Labor Statistics: Índice de Preços ao Produtor (IPP de maio nos EUA).
🇺🇸 13h00 – USDA: Divulgação do Relatório WASDE de grãos.

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