O mercado financeiro vivenciou uma quarta-feira de forte otimismo e valorização expressiva nos ativos domésticos. Em um dia marcado pela repercussão de novas pesquisas eleitorais, parcerias corporativas estratégicas e decisões favoráveis no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o Ibovespa disparou 3,05%, atingindo os 185.205,09 pontos — maior patamar de fechamento desde maio. Com o movimento, o índice cravou a sua 11ª vitória consecutiva e acumula um avanço de +4,39% no mês de setembro.
No câmbio, o otimismo com os ativos locais fez o dólar comercial recuar 0,91%, cotado a R$ 5,109. Em Wall Street, o recuo nos rendimentos das Treasuries levou as bolsas americanas ao campo positivo, enquanto na renda fixa brasileira os juros futuros (DIs) despencaram até 15 pontos-base por toda a curva.
Convidamos você a acompanhar na íntegra os detalhes das cotações e análises das nossas mesas nas seções a seguir.
Olhar Global – Recuo nos rendimentos das Treasuries alivia Wall Street e impulsiona ativos
O cenário internacional encontrou um fôlego comprador nas praças financeiras de Nova York. Após atingirem máximas recentes, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) fecharam o dia em queda. Essa alívio na renda fixa dos EUA reduziu a pressão sobre a precificação de lucros futuros das empresas, abrindo espaço para a recuperação dos principais índices de ações americanos, mesmo diante das oscilações no preço do petróleo.
O índice Dow Jones subiu 0,56% (53.061,51 pontos)
O S&P 500 avançou 0,46% (7.666,68 pontos)
O Nasdaq teve alta de 0,45% (26.217,83 pontos)
Ibovespa – Bolsa crava 11ª alta seguida em dia de rali no varejo, bancos e commodities
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 185.205,09 pontos, com expressivo ganho de +3,05% no dia (salto de 5.482,61 pontos). Esse é o maior nível de fechamento do indicador desde 6 de maio e a maior alta percentual diária desde março. Com esse resultado, o Ibovespa amplia o ganho no mês de setembro para +4,39% e eleva a rentabilidade em 2026 para +14,94% (com desempenho de +7,66% no 3T26).
A Bolsa brasileira foi impulsionada por um forte rali generalizado. A divulgação da pesquisa Quaest reforçou no mercado as expectativas sobre a disputa presidencial, impulsionando papéis do setor financeiro: o Banco do Brasil (BBAS3) disparou 5,54% e a B3 (B3SA3) avançou 3,85%, esta última beneficiada por anulação de autuação de R$ 2,2 bilhões no Carf. No varejo, o Magazine Luiza (MGLU3) saltou 16,88% após anunciar parceria operacional com o Mercado Livre, enquanto a Azzas 2154 (AZZA3) subiu 11,28% ao aprovar a cisão dos seus negócios entre Arezzo&Co e SOMA. Nas commodities, a Petrobras (PETR4) avançou 2,84%, acumulando mais de 10% de ganho na semana com a alta do petróleo e a vitória de R$ 3,4 bilhões no Carf, enquanto a Vale (VALE3) subiu 3,19% em dia de distribuição de R$ 8,6 bilhões em proventos.
Juros – DIs caem até 15 pontos-base com produção industrial fraca e estimulam ganhos no ALM
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quarta-feira com forte fechamento das taxas por toda a estrutura a termo, registrando recuos de até 15,0 pontos-base.
A queda das taxas refletiu a leitura de desaceleração da atividade econômica interna. A produção industrial de julho subiu abaixo das projeções, corroborando os dados do PIB do 2º trimestre que já indicavam perda de dinamismo no consumo das famílias. O mercado acredita que a desaceleração da economia abre espaço para que o Copom inicie o ciclo de calibração monetária com um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na reunião de setembro.
O que isso significa para o RPPS?
Para a governança dos Regimes Próprios, a queda das taxas de juros futuros traz impacto direto no planejamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de desconto para a precificação de títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e crédito privado. Quando as taxas futuras caem, os ativos mantidos em carteira passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.
Desempenho dos Principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,4560%
IMA-B: +0,3296%
IMA-B 5: +0,1141%
IRF-M: +0,3552%
IRF-M 1: +0,0662%
Conforme a expectativa do mercado, o movimento de valorização dos títulos públicos atrelados ao IPCA acelera o atingimento das metas atuariais dos institutos.
Dólar – Dólar comercial engata terceira queda e fecha cotado a R$ 5,109
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,91%, cotado a R$ 5,109 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,098 e a máxima de R$ 5,170).
A terceira desvalorização consecutiva da moeda americana perante o real ocorreu em sintonia com o exterior, onde o índice DXY cedeu 0,08%, para os 99,59 pontos. O mercado avalia que o forte apetite por ativos brasileiros e a entrada de fluxo estrangeiro para o mercado acionário sustentaram a valorização da moeda doméstica, aliviando os custos de importação.
E agora?
A quinta-feira reserva uma agenda de indicadores mais enxuta no cenário doméstico e internacional. No Brasil, as atenções estarão voltadas para a publicação do PMI Composto da S&P Global. Nos Estados Unidos, o mercado acompanhará a divulgação semanal dos Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego e a estimativa do GDPNow do Fed de Atlanta para o PIB. O foco das mesas será observar se o apetite por risco garantirá fôlego para manter a sequência vitoriosa da Bolsa brasileira.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (03/09/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇺🇸 09h30 – Dept. do Trabalho: Relatório de Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego nos EUA.
🇧🇷 10h00 – S&P Global: Divulgação do Índice PMI Composto do Brasil.
🇺🇸 12h30 – Fed de Atlanta: Divulgação do indicador GDPNow para o PIB do 3º trimestre nos EUA.
Aproveite o movimento de valorização contábil na curva de juros para recalibrar a duration dos seus ativos e otimizar a imunização atuarial do seu RPPS. Acompanhe as análises das nossas mesas e os desdobramentos do mercado no nosso Morning News.
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