MORNING NEWS

Ibovespa dispara mais de 2% com impulso de commodities e balanços

A quarta-feira (22) entregou uma das sessões mais animadoras do mês para o mercado financeiro brasileiro. Em um dia marcado pela entrada em vigor oficial das novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos, a Bolsa de Valores nacional surpreendeu e registrou uma forte arrancada, impulsionada pelo ingresso de capital estrangeiro e por resultados operacionais brilhantes de grandes empresas brasileiras. Com o apoio das commodities e do setor bancário, o Ibovespa disparou 2,44%, aos 177.547,57 pontos, fazendo o seu acumulado no mês de julho saltar para +3,21%.

O otimismo interno se refletiu com força no câmbio, onde o dólar comercial recuou pelo terceiro dia seguido, caindo para a casa de R$ 5,051. Por outro lado, as bolsas em Nova York fecharam em leve baixa, andando de lado enquanto aguardavam a divulgação dos balanços das gigantes de tecnologia e monitoravam a disparada do petróleo no exterior. Na renda fixa brasileira, o avanço das cotações energéticas internacionais e das taxas americanas fez os juros futuros (DIs) fecharem em alta por toda a curva, reacendendo a importância do planejamento atuarial nas carteiras.

Entre ruídos comerciais externos e a forte recuperação das nossas empresas, o dia trouxe lições valiosas para a alocação de recursos. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados nas seções a seguir.

Olhar Global – Wall Street anda de lado com atenção a balanços de tecnologia e petróleo acima de US$ 90

O ambiente internacional operou sob uma postura de cautela e expectativa. Os principais índices de Nova York encerraram o dia com perdas discretas, em um movimento de acomodação enquanto os investidores aguardavam os balanços trimestrais de grandes empresas do setor de tecnologia — como Alphabet, Tesla e IBM. O mercado espera entender se os vultosos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial continuarão se traduzindo em crescimento sustentável nos próximos anos.

Paralelamente, o cenário geopolítico no Oriente Médio voltou a pesar. A expansão dos conflitos para o Mar Vermelho e os temores com o fluxo de transporte no Estreito de Ormuz impulsionaram o petróleo do tipo Brent para além dos US$ 95 o barril. A alta da commodity recolocou a inflação global no radar e fez o preço da gasolina nos EUA superar os US$ 4,00 por galão, adicionando pressão sobre o ambiente político norte-americano a poucos meses das eleições de meio de mandato. Na Europa, as bolsas fecharam em alta consistente, amparadas pela expectativa da reunião de política monetária do Banco Central Europeu.

O índice Dow Jones recuou 0,01% (52.219,35 pontos)
O S&P 500 cedeu 0,14% (7.498,99 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,57% (25.690,90 pontos)

Ibovespa – Bolsa brasileira salta 2,44% e ignora vigência do “Tarifaço” americano

O principal índice de ações da B3 viveu um dia de forte expansão, encerrando a sessão aos 177.547,57 pontos, na sua melhor performance diária em quase duas semanas. Com o resultado, o Ibovespa eleva seu ganho acumulado em 2026 para +10,19%.

O mercado acredita que o impacto direto da entrada em vigor das tarifas adicionais americanas de 25% foi atenuado porque boa parte do risco já havia sido absorvida pelos preços nos dias anteriores. Em vez do pessimismo, o pregão foi dominado pelo fluxo de capital estrangeiro e por catalisadores corporativos de peso:

Vale (VALE3): Disparou 3,96% após divulgar um relatório operacional de produção do segundo trimestre considerado o melhor para o período desde 2018.
WEG (WEGE3): Liderou os ganhos da Bolsa ao saltar 10,05%, celebrando a abertura da temporada de balanços do 2T26 com números muito acima das projeções de mercado.
Petrobras (PETR4) e Junior Oils: Acompanhando o rali do petróleo, a Petrobras avançou 2,21%, sendo seguida por Petrorecôncavo (+4,45%) e PRIO (+2,73%).
Setor Bancário: Os grandes bancos subiram em bloco, com destaques para Bradesco (BBDC4, +2,26%), Banco do Brasil (BBAS3, +1,01%) e Itaú Unibanco (ITUB4, +0,87%).

Juros – Juros futuros sobem com petróleo e pressão externa, mas abrem oportunidades no ALM

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quarta-feira com elevação nas taxas por toda a extensão da curva a termo, com os vencimentos intermediários liderando os ganhos ao subirem até 7,5 pontos-base.

O movimento de alta foi impulsionado pela aceleração do petróleo no exterior — que voltou a operar acima de US$ 90 o barril — e pelo avanço nos rendimentos das Treasuries americanas, refletindo receios sobre a persistência da inflação global.

O que isso significa para o RPPS?

Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios, acompanhar a trajetória das taxas de DI futuro é fundamental para garantir o equilíbrio entre ativo e passivo.

O DI futuro serve como a taxa de juros de referência para precificar títulos públicos (como as NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando essas taxas sobem no mercado de futuros, o preço presente dos títulos públicos de longo prazo mantidos em carteira sofre um ajuste pontual negativo por marcação a mercado.

Essa movimentação explica os recuos diários observados nos índices de prazos mais longos, como o IMA-B 5+ (-0,4847%) e o IMA-B geral (-0,3064%). Por outro lado, a parcela alocada em caixa pós-fixado de curtíssimo prazo, medida pelo IRF-M 1 (+0,0296%), garantiu o rendimento estável do caixa operacional. Conforme a expectativa do mercado, o processo de desinflação interna continua amparando 79% de probabilidade para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de agosto do Copom. Para os gestores de RPPS, os dias de elevação nas taxas futuras longas criam janelas de oportunidade para a compra de títulos públicos indexados com juros reais atrativos, permitindo travar rentabilidades elevadas e assegurar o cumprimento da meta atuarial.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,4847%
IMA-B: -0,3064%
IMA-B 5: -0,0880%
IRF-M: -0,1300%
IRF-M 1: +0,0296%

Dólar – Real se fortalece e moeda americana cai pela terceira vez seguida para R$ 5,051

O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,43%, cotado a R$ 5,051 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,050 e a máxima de R$ 5,084).

A moeda norte-americana engatou a sua terceira desvalorização consecutiva perante o Real, operando em sintonia com o recuo do dólar frente a outras moedas emergentes no exterior. O mercado acredita que a forte entrada de capital estrangeiro direcionada às commodities brasileiras e às ações de empresas de grande porte superou os temores relacionados às tarifas comerciais, favorecendo a atratividade da moeda nacional e ajudando a conter pressões inflacionárias importadas.

E agora?

A quinta-feira coloca os investidores globais diante de duas divulgações de alto impacto. Na Europa, a atenção estará totalmente voltada para a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), onde o mercado buscará pistas sobre a trajetória dos juros na Zona do Euro. Nos Estados Unidos, o relatório semanal de Pedidos de Auxílio-Desemprego trará novas leituras sobre a saúde do mercado de trabalho norte-americano. No cenário doméstico, a repercussão do resultado da WEG e a prévia de novos balanços devem manter o ambiente corporativo no centro dos holofotes.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (23/07/2026)

Principais fatores para monitorar hoje:

🇪🇺 09h15 – BCE: Decisão de Política Monetária da Área do Euro.
🇺🇸 09h30 – Dept. do Trabalho: Relatório de Pedidos Iniciais de Auxílio-Desemprego nos EUA.

Mantenha a gestão do seu instituto alinhada às melhores práticas de ALM e aproveite os momentos de ajuste nas taxas futuras para otimizar o seu passivo atuarial. Acompanhe a abertura dos negócios no nosso Morning News.

R3 Investimentos

Navegue por categorias

Conteúdo estratégico para quem investe com visão de longo prazo.
Acompanhe os principais fatos e indicadores do mercado com análise técnica e acessível.
O seu informativo diário com tudo o que você precisa saber para investir com segurança e visão de futuro.
Tudo que você precisa saber sobre RPPS, legislação, cenário econômico e estratégia: tudo sobre o universo dos Regimes Próprios.

Mais notícias