O mercado financeiro encerrou a última semana demonstrando forte resiliência nos ativos de renda variável domésticos, mesmo diante de um cenário internacional mais adverso. Em uma sessão de virada na reta final do pregão, o Ibovespa avançou 0,30%, aos 175.664,62 pontos, acumulando uma expressiva alta semanal de 3,06% e cravando a sua oitava vitória consecutiva. Com o resultado, a Bolsa paulista reduziu o seu recuo no mês de agosto para -1,31% e sustentou um ganho de +9,02% no acumulado de 2026.
No cenário cambial, o fortalecimento global da moeda americana fez o dólar comercial subir 0,66%, cotado a R$ 5,196. Em Wall Street, as bolsas americanas fecharam em queda após falas rígidas do presidente do Federal Reserve em Jackson Hole. Na renda fixa brasileira, a curva de juros futuros (DIs) registrou forte inclinação, com queda nas taxas curtas e avanço na ponta longa. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados e seus desdobramentos nas seções a seguir.
Olhar Global – Discurso rígido de Warsh em Jackson Hole eleva juros e pressiona Nova York
O cenário internacional foi dominado pela aguardada estreia de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole. Em um discurso considerado duro pelas mesas de operação, Warsh destacou que a inflação subjacente nos EUA apresentou pouco progresso recente e que o órgão cumprirá seu mandato de levá-la à meta, mesmo que isso exija novos aumentos de juros. Após as declarações, as apostas do mercado para uma elevação das taxas americanas na reunião de setembro subiram de 35,4% para 59,7%.
A postura mais rigorosa do Fed impulsionou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e fortaleceu o dólar globalmente, puxando os principais índices em Nova York para o terreno negativo no fechamento da sessão.
O índice Dow Jones recuou 0,03% (semana: +0,53%)
O S&P 500 cedeu 0,25% (semana: +0,45%)
O Nasdaq teve queda de 0,52% (semana: +0,85%)
Ibovespa – Bolsa vira no final impulsionada por Petrobras e bancos, cravando oitava vitória seguida
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 175.664,62 pontos, registrando variação positiva de +0,30% no dia (ganho de 529,21 pontos). Com esse desempenho, o Ibovespa fixa seu retorno no mês de agosto em -1,31% e consolida uma valorização acumulada em 2026 de +9,02% (ganho de +2,12% no 3T26).
A Bolsa brasileira funcionou como em uma corrida de bastão: após operar no vermelho influenciada pelo exterior, a Petrobras (PETR4) assumiu a liderança do índice e disparou 1,99%, puxando a reação do mercado. O setor bancário garantiu suporte de peso, com altas no Banco do Brasil (BBAS3, +1,00%), Bradesco (BBDC4, +0,89%), Itaú Unibanco (ITUB4, +0,23%), Santander Brasil (SANB11, +1,83%) e B3 (B3SA3, +1,97%). Destaque também para a Casas Bahia (BHIA3, +17,65%) e Braskem (BRKM5, +3,08%) após decisões judiciais favoráveis sobre suas reestruturações.
Na ponta oposta, a Vale (VALE3) cedeu 0,67% diante da suspensão de um julgamento tributário no STF, enquanto a Suzano (SUZB3) recuou 0,88% e a Hapvida (HAPV3) perdeu 0,92% pós-revisão de estimativas por analistas.
Juros – Curva de DIs ganha inclinação com Caged fraco no curto prazo e tom duro do Fed no longo
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a sexta-feira com um movimento nítido de inclinação ao longo da estrutura a termo da taxa de juros. Os vértices de curto prazo recuaram até 1,0 ponto-base, enquanto as taxas dos contratos de longo prazo subiram até 13,0 pontos-base.
A queda nas taxas curtas ocorreu em reação aos dados do Caged de julho, que reportaram a criação líquida de 58.586 postos formais de trabalho no Brasil — número positivo, porém abaixo das 115 mil vagas estimadas pelo consenso de mercado, reforçando a leitura de desaceleração gradual da atividade econômica. Em contrapartida, a cauda longa da curva abriu de forma expressiva contagiada pelas falas rígidas de Kevin Warsh em Jackson Hole e pela alta dos rendimentos das Treasuries no exterior.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios, acompanhar a flutuação dos DIs futuros é indispensável para a estratégia de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de desconto básica utilizada para precificar os títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando a ponta longa da curva abre, o valor presente dos títulos de renda fixa de prazos estendidos sofre um ajuste contábil temporário por marcação a mercado negativa.
Essa movimentação refletiu-se nos índices de inflação de prazos mais longos, com o IMA-B 5+ recuando -0,3354% e o IMA-B geral cedendo -0,2023%. Em compensação, os títulos curtos no IMA-B 5 (+0,0259%) e a carteira de liquidez pré-fixada no IRF-M 1 (+0,0634%) mantiveram entregas de retorno nominais estáveis e protegidas. O mercado acredita que a abertura das taxas longas cria janelas táticas atrativas para os RPPS realizarem aportes em NTN-Bs com juros reais elevados, garantindo a imunização do passivo atuarial e o cumprimento da meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,3354%
IMA-B: -0,2023%
IMA-B 5: +0,0259%
IRF-M: -0,1450%
IRF-M 1: +0,0634%
Dólar – Dólar comercial engata terceira alta e fecha a R$ 5,196 com impulso global do DXY
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,66%, cotado a R$ 5,196 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,158 e a máxima de R$ 5,230). No acumulado da semana, a moeda subiu 1,06%.
A terceira valorização consecutiva da divisa americana frente ao real operou em total simetria com o ambiente externo, onde o índice DXY avançou 0,50%, para os 99,65 pontos. O mercado avalia que a perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos incentivou a busca global por proteção na moeda americana, exigindo atenção da gestão institucional em relação aos custos de insumos importados e pressões inflacionárias de curto prazo.
E agora?
O mercado financeiro abre esta segunda-feira (31/08) para encerrar o mês de agosto e tentar zerar as perdas acumuladas do período. No cenário doméstico, os investidores acompanharão a divulgação do Boletim Focus com as revisões das projeções de inflação e PIB, além dos dados oficiais da Dívida Bruta/PIB de julho pelo Banco Central. Nos Estados Unidos, o PMI de Chicago e o Índice de Atividade do Fed de Dallas trarão novas leituras sobre o dinamismo da economia americana pós-discurso em Jackson Hole.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (31/08/2026)
Principais divulgações para acompanhar hoje:
🇧🇷 08h25 – Banco Central: Relatório com as expectativas de mercado no Boletim Focus.
🇧🇷 08h30 – Banco Central: Divulgação dos dados de Dívida Bruta/PIB referente a julho.
🇺🇸 10h45 – S&P Global: Divulgação do PMI de Chicago de agosto nos EUA.
🇺🇸 11h30 – Fed de Dallas: Índice de Atividade das Empresas do Estado do Texas.
Mantenha a governança do seu instituto alinhada às melhores práticas de ALM e aproveite a abertura das taxas de longo prazo para imunizar o passivo do seu plano previdenciário.
Acompanhe os desdobramentos do encerramento de agosto no nosso Morning News.