O mercado financeiro enfrentou um dia de ajuste e volatilidade nas praças locais e globais nesta quarta-feira. A virada nas pesquisas eleitorais domésticas somou-se à alta das cotações do petróleo no exterior e ao avanço das taxas dos títulos americanos, interrompendo a sequência recente de valorização. O Ibovespa fechou em queda de 0,86%, aos 185.814,09 pontos, acumulando uma alta de +4,73% no mês de setembro.
No câmbio, a busca por proteção impulsionou o dólar comercial para uma forte alta de 1,28%, cotado a R$ 5,168. Em Wall Street, as bolsas americanas fecharam com quedas expressivas, enquanto na renda fixa brasileira os juros futuros (DIs) subiram até 10,5 pontos-base por toda a curva. Faltando apenas sete sessões para o primeiro turno, a volatilidade exige atenção redobrada na gestão atuarial. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados e seus reflexos nas seções a seguir.
Olhar Global – Petróleo volta a superar US$ 100 com tensão no Oriente Médio e puxa Wall Street para baixo
O cenário internacional registrou um dia de aversão ao risco em Nova York e na Europa. A renovação das preocupações com a oferta de combustíveis ocorreu após o ataque a um navio no Estreito de Ormuz e o tom rígido adotado pelo presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em discurso na ONU, distanciando as expectativas de um acordo diplomático no curto prazo.
Como resultado, o petróleo Brent voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril, reacendendo temores inflacionários e sustentando a visão de que o Federal Reserve precisará manter os juros elevados por mais tempo. As atenções dos investidores globais também se voltam para a expectativa de encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping para definir diretrizes sobre o setor de Inteligência Artificial.
O índice Dow Jones cedeu 0,68% (51.512,42 pontos)
O S&P 500 recuou 0,75% (7.706,39 pontos)
O Nasdaq teve queda de 1,13% (26.936,04 pontos)
Ibovespa – Bolsa cede 0,86% com bancos e Vale no vermelho, mas Petrobras avança mais de 2%
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 185.814,09 pontos, com recuo de -0,86% no dia (perda de 1.608,83 pontos). A despeito da realização de lucros, o Ibovespa preserva retorno positivo no mês de setembro em +4,73% e consolida um avanço em 2026 de +15,32% (com ganho de +8,02% no 3T26).
O pregão refletiu a sensibilidade do mercado ao cenário político a poucos dias da votação. A divulgação da nova pesquisa AtlasIntel, colocando o candidato Lula numericamente à frente na disputa, trouxe cautela aos investidores e interrompeu o rali recente impulsionado pelo “trade eleitoral”. Por outro lado, grandes casas de gestão, como a ASA de Alberto Safra, anunciaram aumento da exposição em Bolsa e papéis prefixados, avaliando a necessidade de um ajuste fiscal futuro.
Na dinâmica das ações, o setor bancário pesou fortemente sobre o índice, com recuos no Banco do Brasil (BBAS3, -2,21%), Bradesco (BBDC4, -2,17%), Itaú Unibanco (ITUB4, -1,88%), Santander Brasil (SANB11, -0,98%) e B3 (B3SA3, -1,08%). A Vale (VALE3) cedeu 1,85% sob o impacto do frete marítimo mais caro. Na ponta positiva, a Petrobras (PETR4) disparou 2,59%, impulsionada pelo salto do petróleo e por relatórios recomendando a compra do papel. A Azul (AZUL3) cedeu 2,29% e a Embraer (EMBJ3) recuou 0,23% após relatos de ajustes operacionais em frota.
Juros – DIs sobem até 10,5 pontos-base com pressão de Treasuries e exigem disciplina no ALM
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 viveu uma quarta-feira de abertura das taxas ao longo de toda a curva a termo, com os vértices avançando até 10,5 pontos-base, concentrando a maior pressão nos contratos de prazos mais longos.
A elevação das taxas locais refletiu diretamente o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), somado às declarações do diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, que defendeu cautela e a manutenção de taxas em nível restritivo ao final do ciclo de calibração.
O que isso significa para o RPPS?
Para a governança dos Regimes Próprios de Previdência Social, a flutuação dos DIs é fundamental para o Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de desconto utilizada para calcular o preço dos títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e crédito privado. Quando as taxas futuras sobem, o valor presente dos papéis mantidos em carteira sofre um ajuste pontual por marcação a mercado negativa. No entanto, o mercado acredita que episódios de abertura na cauda longa renovam janelas táticas atrativas para que os RPPS travem taxas reais elevadas em NTN-Bs, garantindo a imunização do passivo.
Diante da alta da curva, os índices de renda fixa apresentaram comportamentos ajustados:
IMA-B 5+: +0,0204%
IMA-B: +0,0174%
IMA-B 5: +0,0123%
IRF-M: -0,1553%
IRF-M 1: +0,0380%
Dólar – Dólar comercial dispara 1,28% e fecha a R$ 5,168 com cautela eleitoral e DXY forte
O dólar comercial encerrou o pregão em forte alta de 1,28%, cotado a R$ 5,168 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,122 e a máxima de R$ 5,176).
O avanço do câmbio no Brasil acompanhou o fortalecimento global da moeda americana, com o índice DXY subindo 0,50% (aos 101,11 pontos). Análises do Goldman Sachs comparando a posição de investimentos atrelados ao real (carry trade) aos ciclos eleitorais de 2006, 2010 e 2022 apontam que a proximidade da eleição e o grau de acirramento na corrida presidencial tendem a elevar a volatilidade cambial no curto prazo.
E agora?
A quinta-feira será de grande relevância para a comunicação da política monetária no Brasil. O Banco Central divulgará o seu Relatório Trimestral de Inflação (RTI) às 08h00, seguido por coletiva de imprensa do presidente Gabriel Galípolo e do diretor Paulo Picchetti às 11h00, trazendo novos detalhes sobre as projeções até 2028. Além disso, ocorrerá a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). Nos Estados Unidos, o mercado acompanhará os dados de Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego e o discurso de Thomas Barkin, membro do FOMC.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (24/09/2026)
Principais divulgações para acompanhar hoje:
🇧🇷 08h00 – Banco Central: Divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI/RPM).
🇺🇸 09h00 – Federal Reserve: Discurso de Thomas Barkin, membro do FOMC.
🇧🇷 09h00 – CMN: Reunião do Conselho Monetário Nacional.
🇺🇸 09h30 – Dept. do Trabalho: Relatório de Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego nos EUA.
Aproveite os momentos de volatilidade pré-eleitoral para revisar a duration das suas carteiras e assegurar a proteção do passivo do seu RPPS frente à meta atuarial. Acompanhe a repercussão do RTI e do CMN no nosso Morning News.
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