O mercado financeiro enfrentou uma quinta-feira de renovada aversão ao risco nas praças locais e internacionais. Em um pregão de ajuste marcado pelo aumento das taxas dos títulos do Tesouro norte-americano e pelo fraco desempenho dos grandes papéis de commodities e do setor bancário, o Ibovespa recuou 0,99%, fechando aos 183.965,91 pontos, acumulando uma valorização de +3,69% no mês de setembro.
No câmbio, o real engatou a segunda desvalorização consecutiva, com o dólar comercial subindo 0,48%, cotado a R$ 5,193. Em Wall Street, as bolsas americanas fecharam sem direção definida, oscilando entre o alívio trazido pelo encontro diplomático entre Donald Trump e Xi Jinping e a pressão do petróleo Brent acima de US$ 100. Na renda fixa doméstica, os juros futuros (DIs) subiram até 9,0 pontos-base nos vértices intermediários, reagindo à revisão para baixo na projeção do PIB pelo Banco Central e à expectativa pela divulgação do IPCA-15.
Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada mercado e seus impactos na gestão atuarial nas seções a seguir.
Olhar Global – Encontro Trump-Xi acalma tecnologia, mas disparada do petróleo e Treasuries pesam em Wall Street
O cenário internacional viveu uma jornada de oscilação e busca por direção nas praças financeiras de Nova York. O principal destaque diplomático do dia foi o encontro presencial entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, na Casa Branca. Ambos os líderes acenaram com uma relação comercial mais equilibrada e concordaram em cooperar no desenvolvimento e governança da Inteligência Artificial sob controle humano, o que ajudou as bolsas americanas a reduzirem as fortes perdas registradas na abertura do pregão.
Por outro lado, o recrudescimento dos conflitos no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado energético, fazendo o petróleo tipo Brent superar novamente o patamar de US$ 100 por barril após chamados na ONU para a reabertura do Estreito de Ormuz não surtirem efeito imediato. Essa persistência inflacionária impulsionou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) de 30 anos ao maior nível desde 2004, enquanto dirigentes do Federal Reserve reforçaram que um novo aumento de juros ainda este ano é um cenário razoável.
O índice Dow Jones recuou 0,31% (51.349,89 pontos)
O S&P 500 variou -0,02% (7.704,23 pontos)
O Nasdaq teve leve alta de +0,01% (26.939,37 pontos)
Ibovespa – Bolsa cede 0,99% pressionada por Vale, Petrobras e bancos com corte de projeção do PIB
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 183.965,91 pontos, registrando retração de -0,99% no dia (perda de 1.848,18 pontos). A despeito das duas baixas consecutivas, o Ibovespa preserva um retorno positivo no mês de setembro de +3,69% e consolida uma valorização em 2026 de +14,18% (com desempenho de +6,94% no 3T26).
A pressão vendedora sobre a Bolsa paulista foi puxada pelas ações de maior liquidez e peso relativo. A Vale (VALE3) cedeu 1,15% e a Petrobras (PETR4) recuou 0,69%, descolando-se da alta das cotações do petróleo no exterior. No setor financeiro, o tombo foi generalizado nos grandes bancos: Banco do Brasil (BBAS3, -2,84%), Bradesco (BBDC4, -1,39%) e Itaú Unibanco (ITUB4, -1,18%), com apenas o Santander Brasil (SANB11, +0,51%) fechando no azul. Destaque negativo para a RD Saúde (RADL3), que despencou 5,38% após o Mercado Livre anunciar a entrada na venda de medicamentos sob receita.
No plano econômico doméstico, a publicação do Relatório de Política Monetária (RPM) pelo Banco Central revisou a projeção de crescimento do PIB brasileiro de 2026 para 1,8% (ante 2,0% previstos em junho), projetando ainda que a inflação acumulada continuará acima do centro da meta (em 3,1%) até 2029. Para completar, a confiança do consumidor medida pela FGV caiu ao menor nível em quatro anos, enquanto os investidores aguardaram em tom defensivo a divulgação das pesquisas eleitorais do Datafolha após o fechamento dos negócios.
Juros – DIs sobem até 9,0 pontos-base nos intermediários com Treasuries e exigem atenção no ALM
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quinta-feira apresentando comportamento misto ao longo da estrutura a termo. Os vértices de média duração avançaram até 9,0 pontos-base, refletindo a pressão vinda das Treasuries no exterior e a cautela com a inflação de curto prazo, enquanto a cauda longa cedeu pontualmente 0,5 ponto-base. Durante a sessão, o Tesouro Nacional vendeu 6,68 milhões de LTNs e 4,6 milhões de NTN-Fs em leilão de prefixados.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios de Previdência Social, o monitoramento constante do DI futuro é a peça-chave para o planejamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de desconto básica para precificar os títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado, influenciando também a atratividade da renda variável. Quando as taxas futuras sobem, o valor presente dos títulos mantidos em carteira passa por um ajuste pontual por marcação a mercado negativa.
Contudo, o mercado acredita que a manutenção dos juros reais em patamares elevados na curva de DIs continua oferecendo excelentes oportunidades estratégicas para que os gestores de RPPS travem taxas de rendimento atrativas em NTN-Bs longas, garantindo a imunização do passivo atuarial e o atingimento da meta atuarial.
Diante da movimentação das taxas, os índices de renda fixa encerraram o dia com as seguintes variações:
IMA-B 5+: +0,0142%
IMA-B: +0,0291%
IMA-B 5: +0,0547%
IRF-M: -0,0532%
IRF-M 1: +0,0346%
Dólar – Dólar comercial engata segunda alta e fecha a R$ 5,193 com exterior e cautela eleitoral
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,48%, cotado a R$ 5,193 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,166 e a máxima de R$ 5,202).
O avanço do câmbio no Brasil operou em sintonia com o mercado internacional, onde o índice DXY subiu 0,16% (aos 101,26 pontos). O mercado avalia que o encarecimento do petróleo no exterior, o avanço das taxas dos títulos americanos e a postura defensiva dos agentes locais à espera das novas pesquisas presidenciais impulsionaram a busca por proteção em moeda estrangeira, exigindo acompanhamento dos gestores sobre o repasse cambial aos preços ao consumidor.
E agora?
A sexta-feira promete movimentar as mesas de operação com a divulgação do IPCA-15 de setembro pelo IBGE, considerado a prévia oficial da inflação no mês. A expectativa do mercado aponta para uma aceleração no indicador (+0,53% no mês e 4,30% em 12 meses), o que servirá para balizar as próximas apostas sobre o ritmo do Copom. Nos Estados Unidos, o foco estará na publicação da estimativa do GDPNow do Fed de Atlanta e no índice final de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan, além da digestão das pesquisas Datafolha divulgadas na noite anterior.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (25/09/2026)
Principais divulgações para acompanhar hoje:
🇧🇷 09h00 – IBGE: Divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15 de setembro).
🇺🇸 11h00 – Fed de Atlanta: Divulgação do indicador GDPNow para o PIB do 3º trimestre nos EUA.
🇺🇸 11h00 – Univ. de Michigan: Índice de Confiança do Consumidor de setembro nos EUA.
Aproveite a volatilidade das taxas reais para revisar a duration das suas carteiras e assegurar a imunização atuarial do seu instituto. Acompanhe a repercussão do IPCA-15 e dos dados econômicos no nosso Morning News.
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