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Ibovespa recua com tombo da Petrobras, mas DIs caem e impulsionam Renda Fixa

A última semana de setembro inicia sob a expectativa da contagem regressiva para o primeiro turno das eleições presenciais. No encerramento dos negócios da última sexta-feira, o mercado financeiro operou em tom misto: enquanto a aceleração do IPCA-15 e o recuo do petróleo pressionaram a Bolsa paulista, o alívio nos juros norte-americanos destravou um movimento de valorização na renda fixa doméstica.

O Ibovespa fechou em queda de 0,27%, aos 183.476,86 pontos, preservando contudo um ganho acumulado de +3,41% no mês de setembro.
No câmbio, o real engatou recuperação e fez o dólar comercial recuar 0,23%, cotado a R$ 5,181. Em Nova York, o otimismo com avanços diplomáticos no Oriente Médio levou as bolsas americanas ao campo positivo. Na renda fixa nacional, os juros futuros (DIs) despencaram até 11,0 pontos-base por toda a curva, gerando ganhos significativos por marcação a mercado nos títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs).

Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados e seus impactos na gestão atuarial nas seções a seguir.

Olhar Global – Conversas entre EUA e Irã aliviam o petróleo e impulsionam Wall Street

No cenário internacional, o tom positivo prevaleceu nas praças financeiras de Nova York e da Europa no encerramento da semana. O principal vetor de otimismo veio do noticiário geopolítico, com indicações de retomada dos canais diplomáticos entre Estados Unidos e Irã para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz. A perspectiva de normalização no fluxo de combustíveis provocou recuo nas cotações internacionais do petróleo.

A queda nos preços da energia aliviou temporariamente as preocupações com pressões inflacionárias globais, permitindo uma redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries). As taxas de 2 anos caíram para 4,85%, enquanto os papéis de 10 anos recuaram para 5,163%, estimulando compras em ações de tecnologia e bens de consumo, a despeito do recuo na confiança do consumidor americano.

O índice Dow Jones subiu 0,91% (semana: +0,28%)

O S&P 500 avançou 0,51% (semana: +1,19%)

O Nasdaq teve alta de 0,48% (semana: +2,06%)

Ibovespa – Bolsa cede 0,27% pressionada pela Petrobras, mas Azzas dispara 13% e bancos sobem

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 183.476,86 pontos, registrando retração de -0,27% no dia (perda de 489,05 pontos) e acumulando queda de -0,95% na semana. A despeito do ajuste recente, o Ibovespa fixa seu retorno no mês de setembro em +3,41% e consolida uma valorização em 2026 de +13,87% (com ganho de +6,66% no 3T26).

A maior pressão vendedora sobre o indicador veio do setor petrolífero: a Petrobras (PETR4) desabou 2,58% e a PRIO (PRIO3) cedeu 2,24%, acompanhando o tombo da commodity no exterior. Por outro lado, o setor bancário atuou como importante contrapeso positivo, com altas em Banco do Brasil (BBAS3, +0,23%), Bradesco (BBDC4, +0,56%), Itaú Unibanco (ITUB4, +0,62%) e Santander Brasil (SANB11, +0,51%). A B3 (B3SA3) avançou 0,79% e a Embraer (EMBJ3) subiu 2,44%.

O grande destaque corporativo do dia foi a Azzas 2154 (AZZA3), que disparou 12,97% após o mercado repercutir que a entrega de propostas não vinculantes pela Farm Rio pode gerar um dividendo extraordinário expressivo para os acionistas. No cenário macroeconômico, os investidores analisaram a prévia do IPCA-15 de setembro, que veio acima das estimativas (+0,53%), puxado pela alta de 7,42% na energia elétrica residencial após o fim do bônus de Itaipu. O mercado também digeriu o impacto do anúncio governamental sobre a restrição ao setor de apostas virtuais (bets).

Juros – DIs caem até 11,0 pontos-base acompanhando Treasuries e impulsionam o IMA-B (ALM)

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 viveu uma sexta-feira de alívio generalizado em suas taxas ao longo de toda a estrutura a termo, com os vértices recuando até 11,0 pontos-base.

A descompressão das taxas futuras ocorreu em sintonia direta com o alívio dos rendimentos das Treasuries no exterior. A queda nos juros locais prevaleceu mesmo diante da leitura mais salgada do IPCA-15, uma vez que o mercado avalia que o aumento concentrado na energia elétrica não altera a tendência de que o Banco Central manterá o ritmo de cortes graduais de 0,25 p.p. na Selic nas próximas reuniões.

O que isso significa para o RPPS?

Para a governança dos Regimes Próprios de Previdência Social, a flutuação dos DIs é o parâmetro central para a execução do Asset Liability Management (ALM).

O DI futuro é a taxa de desconto utilizada para calcular o valor presente dos títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas de juros futuras caem, os títulos de renda fixa mantidos em carteira passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.

Essa expressiva queda nas taxas destravou valorizações nominais em todas as famílias de índices de renda fixa no dia:

IMA-B 5+: +0,2235%
IMA-B: +0,1938%
IMA-B 5: +0,1432%
IRF-M: +0,1913%
IRF-M 1: +0,0623%

Conforme a expectativa do mercado, o movimento de valorização dos papéis indexados à inflação fortalece o desempenho das carteiras dos institutos rumo ao atingimento das metas atuariais, enquanto o patamar das taxas reais longas continua oferecendo janelas de alocação altamente atrativas.

Dólar – Dólar comercial recua 0,23% e fecha a R$ 5,181 com alívio no cenário internacional

O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,23%, cotado a R$ 5,181 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,174 e a máxima de R$ 5,214). No acumulado da semana, a moeda registrou alta de 0,74%.

A desvalorização da moeda americana perante o real ocorreu em total consonância com o ambiente internacional, onde o índice DXY cedeu 0,30% (aos 100,98 pontos). O mercado acredita que a trégua nas cotações do petróleo e o recuo dos rendimentos dos títulos americanos reduziram a atratividade global pelo dólar, favorecendo moedas emergentes no curto prazo.

E agora?

A semana que se inicia será a última antes do primeiro turno das eleições presidenciais, o que promete elevar a volatilidade dos ativos domésticos. Na agenda econômica desta segunda-feira (28/09), o mercado acompanhará a publicação do Boletim Focus pelo Banco Central, atualizando as estimativas de inflação, câmbio e Selic, além dos dados de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Nos Estados Unidos, o Federal Reserve de Dallas divulgará o seu Índice de Atividade das Empresas do Texas.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (28/09/2026)

Principais divulgações para acompanhar hoje:

🇧🇷 08h25 – Banco Central: Relatório com as expectativas de mercado no Boletim Focus.
🇧🇷 08h30 – Banco Central: Divulgação do saldo de Investimento Estrangeiro Direto (IED).
🇺🇸 11h30 – Fed de Dallas: Divulgação do Índice de Atividade das Empresas do Texas de setembro.

Aproveite o ambiente de valorização contábil na renda fixa para recalibrar a duration do seu portfólio e imunizar o passivo do seu instituto frente às oscilações pré-eleitorais. Acompanhe a repercussão do Boletim Focus no nosso Morning News.

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