O mercado financeiro doméstico interrompeu a sequência de estabilidade dos últimos dias e engatou um movimento de ajuste para baixo. O anúncio da redução da Selic para 14,00% ao ano veio acompanhado de um comunicado duro e neutro do Copom, frustrando quem esperava sinalizações claras sobre os próximos passos dos juros. No exterior, a postura mais rigorosa do Federal Reserve e as incertezas geopolíticas no Oriente Médio azedaram o humor das praças internacionais, pesando sobre o Ibovespa, que fechou em queda de 1,23%, aos 175.546,36 pontos, acumulando um recuo de -1,38% no início de agosto.
Em sentido oposto às bolsas, o dólar comercial recuou 0,41%, cotado a R$ 5,107, beneficiado pela manutenção do elevado diferencial de juros reais. Em Wall Street, as bolsas americanas fecharam em queda, enquanto a curva de juros futuros (DIs) no Brasil registrou alta firme por toda a extensão, impulsionada pelo prêmio de risco global e pela cautela fiscal. Diante desse cenário de reavaliação de expectativas, convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada das seções a seguir.
Olhar Global – Cautela com juros nos EUA e incertezas no Estreito de Ormuz pressionam Wall Street
O panorama internacional viveu um dia de forte cautela nas mesas de operações. Em Nova York, os investidores reduziram o otimismo após fontes sinalizarem que Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, estaria disposto a apoiar um novo aumento nas taxas de juros americanas já na reunião de setembro caso a inflação mostre surpresas negativas. A avaliação de que o processo de aperto monetário global pode durar mais tempo desidratou o apetite por risco e levou as bolsas americanas ao terreno negativo.
Além disso, as negociações diplomáticas entre Omã e Irã para a administração do Estreito de Ormuz trouxeram dúvidas sobre a cobrança de pedágios e a segurança da navegação comercial, fazendo as cotações internacionais do petróleo voltarem a subir. Na Europa, por outro lado, as principais praças financeiras conseguiram sustentar ganhos tímidos, amparadas por dados pontuais de atividade.
O índice Dow Jones caiu 0,85% (53.885,16 pontos)
O S&P 500 recuou 0,18% (7.710,00 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,06% (26.348,35 pontos)
Ibovespa – Bolsa recua mais de 1% sob pressão de bancos e varejo, enquanto Petrobras se destaca
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão de quinta-feira cotado aos 175.546,36 pontos, registrando um recuo diário de -1,23%. Com o resultado, o Ibovespa acumula variação de -1,38% no mês de agosto e preserva um retorno de +8,95% no ano de 2026.
A performance negativa do índice foi capitaneada pelas ações do setor bancário e pelo varejo. O Bradesco (BBDC4) recuou 1,94% após a divulgação do seu balanço do 2T26 demonstrar deterioração pontual nos indicadores de qualidade de crédito. O movimento contagiou o Banco do Brasil (BBAS3, -3,66%), o Itaú Unibanco (ITUB4, -1,30%) e o Santander Brasil (SANB11, -0,71%). No varejo, nomes como Magazine Luiza (-4,59%), Lojas Renner (-1,39%) e Assaí (-3,85%) amargaram perdas expressivas, reagindo tanto ao juro elevado quanto à expectativa pelos resultados trimestrais. As ações da Vale (VALE3) caíram 1,66%, enquanto a SmartFit (SMFT3) despencou 7,82% pós-balanço.
Na contramão do mercado, a Petrobras (PETR4) avançou 0,48%, funcionando como o único grande pilar de sustentação do índice no dia. A petroleira estatal foi impulsionada pela alta do petróleo no exterior e pelo anúncio de recorde histórico na produção de diesel em julho, antecedendo a divulgação do seu relatório trimestral.
Juros – Tom neutro do Copom e risco externo fazem juros futuros subirem até 15,5 pontos-base
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quinta-feira registrando uma sessão de avanço generalizado nas taxas ao longo da curva, com os contratos de médio e longo prazo subindo até 15,5 pontos-base.
Essa abertura das taxas refletiu a leitura do mercado sobre o comunicado do Copom, que cortou a taxa Selic para 14,00% ao ano, mas retirou qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária. O comitê destacou a necessidade de manter a restrição adequada para garantir a convergência da inflação à meta. O movimento de alta nas taxas foi reforçado pelo avanço dos rendimentos das Treasuries americanas e pela elevação nos preços do petróleo. Nem mesmo o leilão expressivo do Tesouro Nacional, que vendeu 15,2 milhões de LTNs e 2,5 milhões de NTN-Fs, conteve a pressão por prêmio de risco.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios, a flutuação do DI futuro é o balizador central na gestão de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de juros de referência para a precificação de títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado. Quando a curva de DIs sobe, os títulos de renda fixa mantidos na carteira sofrem uma oscilação contábil temporária negativa via marcação a mercado.
Essa elevação refletiu-se nos recuos diários dos índices de prazos mais longos, como o IMA-B 5+ (-0,2228%) e o IMA-B geral (-0,1245%). Em contrapartida, a carteira de liquidez de curtíssimo prazo, mensurada pelo IRF-M 1 (+0,0344%), seguiu fornecendo retornos estáveis e protegidos. O mercado acredita que a flexibilidade adotada pelo Banco Central exige cautela, mas ressalta que momentos de abertura na curva de DIs abrem janelas táticas oportunas para alocar em NTN-Bs com juros reais atrativos, garantindo a imunização do passivo e o cumprimento da meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,2228%
IMA-B: -0,1245%
IMA-B 5: -0,0041%
IRF-M: -0,1977%
IRF-M 1: +0,0344%
Dólar – Moeda americana cai para R$ 5,107 com ajustes locais após o Copom
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,107 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,091 e a máxima de R$ 5,127). No mercado futuro da B3, o contrato de dólar recuou 0,37%, cotado a R$ 5,133.
A desvalorização do dólar perante o real ocorreu na direção contrária do cenário global, onde o índice DXY subiu 0,27%, atingindo 99,94 pontos. O mercado acredita que a confirmação da manutenção do juro real brasileiro em patamar elevado — mantendo o país na 2ª posição do ranking mundial de juros reais — atraiu fluxos de arbitragem e venda de proteção cambial, aliviando a cotação e ajudando a mitigar pressões inflacionárias sobre produtos importados.
E agora?
A sexta-feira chega para encerrar a semana com divulgações decisivas para a trajetória das taxas globais e locais. No cenário internacional, o mercado voltará suas atenções para a divulgação do Payroll de julho nos Estados Unidos, o relatório oficial de empregos urbanos que servirá de balizador crucial para as apostas da reunião de setembro do Federal Reserve. No Brasil, o IBGE publica os dados do IGP-DI de julho, indicador que trará o termômetro dos preços no atacado e ajudará a calibrar as expectativas de inflação de curto prazo.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (07/08/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇧🇷 08h00 – FGV: Divulgação do Índice Geral de Preços – DI (IGP-DI de julho).
🇺🇸 09h30 – BLS: Relatório Oficial de Empregos Não Agrícolas (Payroll de julho nos EUA).
🇺🇸 11h00 – Univ. de Michigan: Índice de Expectativas de Inflação do Consumidor de julho.
Mantenha a governança do seu instituto atenta aos prêmios da renda fixa e aproveite a curva para alinhar o seu passivo atuarial. Acompanhe a repercussão do Payroll e as análises do mercado no nosso Morning News.
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