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Ibovespa retoma fôlego aos 186 mil pontos impulsionado por eleições e alívio em Wall Street

O mercado financeiro iniciou a semana em tom de firme recuperação nos ativos de risco domésticos. Em uma sessão impulsionada pela aceleração do “trade eleitoral” e pelo alívio nas cotações globais de energia, o Ibovespa subiu 0,74%, aos 186.595,60 pontos, expandindo o seu resultado acumulado no mês de setembro para +5,17%.

No cenário cambial, o apetite por posições brasileiras fez o dólar comercial recuar 0,70%, cotado a R$ 5,108. Em Wall Street, a sinalização de avanços diplomáticos no Oriente Médio fez o petróleo cair abaixo dos US$ 100 o barril, levando as bolsas americanas a disparar (com o Nasdaq subindo mais de 2%). Na renda fixa nacional, os juros futuros (DIs) fecharam em queda de até 15 pontos-base por toda a curva, estimulando valorizações por marcação a mercado nos títulos atrelados à inflação. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados e seus desdobramentos nas seções a seguir.

Olhar Global – Queda do petróleo e alívio nas Treasuries disparam bolsas em Nova York

O cenário internacional viveu uma segunda-feira de forte otimismo nas praças financeiras americanas. O principal gatilho veio de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizando que a busca por uma solução negociada para o conflito no Irã voltou à pauta diplomática. A notícia provocou recuo imediato nas cotações internacionais do petróleo, que abandonaram o patamar de US$ 100 o barril.

A trégua nos custos de energia reduziu as preocupações de curto prazo sobre repasses inflacionários, abrindo espaço para um alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries). As taxas de 10 anos recuaram para 4,955% ao ano, impulsionando compras firmes em empresas de tecnologia e acelerando os ganhos dos principais índices em Wall Street.

O índice Dow Jones subiu 0,74% (52.063,82 pontos)

O S&P 500 avançou 1,52% (7.766,89 pontos)

O Nasdaq teve alta de 2,26% (27.121,73 pontos)

Ibovespa – Bolsa avança com rali dos bancos, varejo e B3, ignorando recuo de Vale e Petrobras

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 186.595,60 pontos, registrando valorização de +0,74% no dia (ganho de 1.366,43 pontos). Com esse resultado, o Ibovespa fixa seu retorno no mês de setembro em +5,17% e consolida um ganho acumulado em 2026 de +15,84% (com desempenho de +8,47% no 3T26).

A alta da Bolsa paulista foi sustentada pelo movimento eleitoral. As pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente continuam apontando uma disputa presidencial acirrada para outubro, o que tem elevado no mercado a percepção de maior probabilidade de implementação de agendas voltadas à responsabilidade fiscal. O setor financeiro foi o grande destaque do dia, com altas no Itaú Unibanco (ITUB4, +1,77%), Santander Brasil (SANB11, +1,53%), Bradesco (BBDC4, +0,94%) e B3 (B3SA3, +3,64%), que compensaram o recuo pontual do Banco do Brasil (BBAS3, -0,91%). O setor varejista também avançou forte, com saltos na Lojas Renner (LREN3, +3,76%) e Magazine Luiza (MGLU3, +2,22%).

Na ponta oposta, as gigantes de commodities impediram um avanço ainda maior do índice: a Vale (VALE3) cedeu 1,12%, mesmo após anunciar a aquisição estratégica de 30% da mineradora Ligga em Carajás, enquanto a Petrobras (PETR4) recuou 1,03% acompanhando a queda do petróleo no exterior.

Juros – DIs despencam até 15 pontos-base com alívio externo e revisão da Selic no Focus

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a segunda-feira registrando expressivo fechamento das taxas ao longo de toda a estrutura a termo, com os vértices recuando até 15,0 pontos-base.

A forte queda das taxas futuras foi impulsionada pelo alívio dos rendimentos das Treasuries no exterior e pelo Relatório Focus, no qual os analistas reduziram a projeção para a taxa Selic no fim de 2026 de 13,75% para 13,50% ao ano, incorporando a leitura de desaceleração da inflação e moderação da atividade.

O que isso significa para o RPPS?

Para a governança dos Regimes Próprios de Previdência Social, a compreensão da curva de DIs é a chave para a condução do Asset Liability Management (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de desconto de referência para a precificação dos títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas de juros futuras despencam, o valor presente dos títulos de renda fixa mantidos na carteira passa por valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.

Essa descompressão traduziu-se em retornos nominais positivos nos títulos indexados à inflação e prefixados no dia:

IMA-B 5+: +0,2260%
IMA-B: +0,1276%
IMA-B 5: -0,0392%
IRF-M: +0,2872%
IRF-M 1: +0,0603%

Conforme o mercado prevê, os ganhos trazidos pelo movimento do IMA-B auxiliam a rentabilidade dos portfólios previdenciários rumo ao cumprimento das metas atuariais, enquanto as taxas reais ainda elevadas continuam oferecendo janelas táticas atrativas de alocação.

Dólar – Dólar comercial recua 0,70% e fecha cotado a R$ 5,108

O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,70%, cotado a R$ 5,108 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,103 e a máxima de R$ 5,138).

O recuo da moeda americana frente ao real ocorreu de forma descolada do ambiente internacional, onde o índice DXY avançou 0,19% (aos 100,41 pontos). O mercado avalia que a combinação da queda nos preços do petróleo com a busca por ativos locais movida pelo “trade eleitoral” estimulou a entrada de recursos no país, aliviando a cotação cambial e contendo pressões importadas.

E agora?

A terça-feira coloca no centro das atenções do mercado financeiro a publicação da Ata do Copom pelo Banco Central, documento que trará o detalhamento sobre os votos e as perspectivas do Comitê após o último corte de 0,25 p.p. na Selic. Além disso, o Ministério da Fazenda divulgará o Boletim Macrofiscal e os dados da Arrecadação Federal. No cenário político, os investidores acompanharão a abertura da Assembleia Geral da ONU com discursos do presidente Lula e de Donald Trump. Nos EUA, sairão os dados semanais de emprego da ADP e o índice Redbook.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (22/09/2026)

Principais divulgações para acompanhar hoje:

🇧🇷 08h00 – Banco Central: Divulgação da Ata da reunião do Copom no Brasil.
🇺🇸 09h15 – ADP: Divulgação da Variação Semanal de Empregos no Setor Privado nos EUA.
🇺🇸 09h55 – Redbook: Índice Redbook de Vendas no Varejo nos EUA.
🇺🇸 17h30 – API: Relatório semanal dos Estoques de Petróleo Bruto nos EUA.

Aproveite o ambiente de valorização contábil na curva de juros para recalibrar a duration do seu portfólio e imunizar o passivo atuarial do seu instituto. Acompanhe os desdobramentos da Ata do Copom no nosso Morning News.

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