O mercado financeiro iniciou a nova estação em tom de firme recuperação nos ativos domésticos, impulsionado pela divulgação da Ata do Copom, pela virada positiva de grandes empresas de commodities e pelo interesse contínuo dos investidores no cenário eleitoral. Em um pregão de virada ao longo da tarde, o Ibovespa fechou em alta de 0,46%, aos 187.422,92 pontos, sustentando um ganho acumulado de +5,64% no mês de setembro.
No câmbio, o real sustentou valorização e fez o dólar comercial recuar 0,11%, cotado a R$ 5,103. Em Nova York, as bolsas fecharam mistas, beneficiadas pelo alívio nas cotações internacionais do petróleo após declarações sobre possíveis avanços diplomáticos no Oriente Médio. Na renda fixa brasileira, os juros futuros (DIs) fecharam em queda de até 6,0 pontos-base por toda a curva, estimulando valorizações por marcação a mercado nos títulos públicos atrelados à inflação. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada dos mercados e seus desdobramentos na gestão atuarial nas seções a seguir.
Olhar Global – Discursos na ONU, alívio no petróleo e queda nas Treasuries dão tom misto a Wall Street
O cenário internacional viveu uma terça-feira marcada pelo monitoramento das declarações de líderes mundiais na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O principal ponto de atenção das mesas de operação foi a sinalização do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a busca por um acordo diplomático no Oriente Médio, somada à oferta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz.
A perspectiva de normalização gradual na oferta de combustíveis empurrou os preços do petróleo Brent de volta para baixo do patamar de US$ 100 o barril. Essa trégua nos custos de energia contribuiu para aliviar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), abrindo espaço para a recuperação das ações de tecnologia em Nova York, embora o setor industrial tenha registrado leve retração.
O índice Dow Jones recuou 0,36% (51.863,80 pontos)
O S&P 500 avançou 0,01% (7.764,83 pontos)
O Nasdaq teve alta de 0,45% (27.244,27 pontos)
Ibovespa – Bolsa engata segunda alta seguida impulsionada por Petrobras, Vale, bancos e pesquisas
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 187.422,92 pontos, registrando valorização de +0,46% no dia (ganho de 827,32 pontos). Com o resultado, o Ibovespa amplia seu retorno acumulado no mês de setembro para +5,64% e consolida um ganho de +16,32% em 2026 (com desempenho de +8,95% no 3T26).
A Bolsa paulista superou as perdas do início do pregão puxada pelo desempenho das gigantes do índice: a Vale (VALE3) subiu 0,39% e a Petrobras (PETR4) avançou 0,73%, descolando-se do recuo diário da commodity. No setor petrolífero, a Brava Energia (BRAV3) disparou 2,82% após avanços no campo de Papa-Terra. Entre as instituições financeiras, Bradesco (BBDC4, +1,49%), Itaú Unibanco (ITUB4, +0,23%) e B3 (B3SA3, +1,10%) garantiram suporte ao indicador, compensando os recuos pontuais do Banco do Brasil (BBAS3, -1,39%) e Santander Brasil (SANB11, -0,60%).
O apetite comprador foi mantido pelas pesquisas eleitorais (Quaest) mostrando um cenário competitivo no segundo turno, além da repercussão de relatórios internacionais (JPMorgan, Goldman Sachs e Global X) apontando potencial de alta entre 28% e 54% para o índice em um cenário de melhoria institucional e fiscal pós-eleições. No campo macroeconômico, a Secretaria de Política Econômica reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2,3% para 2,0%, evidenciando a desaceleração provocada pelos juros elevados.
Juros – Ata do Copom e revisão do PIB fazem DIs recuar até 6,0 bps e valorizam o IMA-B
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a terça-feira apresentando fechamento das taxas ao longo de toda a estrutura a termo, com os vértices recuando até 6,0 pontos-base.
O alívio nas taxas futuras refletiu a leitura da Ata do Copom, na qual o Banco Central reforçou a percepção de moderação na atividade econômica e desaceleração da inflação subjacente. O mercado interpreta que o Comitê deve manter o ritmo de cortes de 0,25 p.p. na Selic nas próximas reuniões de forma cautelosa. A redução da projeção do PIB pelo Ministério da Fazenda também contribuiu para atenuar os prêmios de risco.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios de Previdência Social, a compreensão da curva de DIs é a ferramenta central no planejamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de desconto de referência para precificar os títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando as taxas de juros futuras caem, o valor presente dos títulos mantidos na carteira passa por valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.
Essa descompressão refletiu-se em ganhos nos índices da família IMA e IRF-M no dia:
IMA-B 5+: +0,1952%
IMA-B: +0,1093%
IMA-B 5: -0,0392%
IRF-M: +0,1494%
IRF-M 1: +0,0571%
Conforme o mercado avalia, os ganhos de marcação a mercado nos títulos públicos indexados ao IPCA aceleram o atingimento das metas atuariais, enquanto o nível de juros reais vigentes continua proporcionando janelas táticas atrativas para a imunização dos passivos previdenciários.
Dólar – Dólar comercial engata segunda queda seguida e fecha a R$ 5,103
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,11%, cotado a R$ 5,103 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,097 e a máxima de R$ 5,136).
A desvalorização da moeda americana perante o real ocorreu na contramão do ambiente internacional, onde o índice DXY registrou avanço de 0,09% (aos 100,52 pontos). O mercado acredita que a perspectiva de um processo eleitoral dentro da normalidade e a atratividade do diferencial de juros interno atraíram fluxos de capital estrangeiro para o mercado local, aliviando a cotação cambial.
E agora?
A quarta-feira reservará a publicação de indicadores de atividade industrial e dados de fluxo financeiro. No cenário internacional, o mercado acompanhará a divulgação do PMI Industrial de setembro nos EUA, que indicará o ritmo da produção norte-americana. No Brasil, o Banco Central publicará os dados do Fluxo Cambial Estrangeiro, enquanto os investidores seguirão atentos às repercussões das falas de líderes na ONU e aos desdobramentos eleitorais domésticos.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (23/09/2026)
Principais divulgações para acompanhar hoje:
🇺🇸 10h45 – S&P Global: Divulgação do Índice PMI Industrial (setembro) nos EUA.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Relatório semanal do Fluxo Cambial Estrangeiro no Brasil.
Mantenha a governança do seu instituto alinhada às melhores práticas de ALM e aproveite a estrutura das taxas reais para imunizar o seu passivo atuarial. Acompanhe as análises das nossas mesas no Morning News.
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