O mercado financeiro encerrou a última semana em tom de ajuste, interrompendo uma sequência de quatro semanas consecutivas no campo positivo. Em uma sessão marcada pelo aumento das taxas dos títulos do Tesouro norte-americano e por ruídos fiscais no ambiente doméstico, o Ibovespa recuou 0,41%, aos 185.229,17 pontos, acumulando uma perda semanal de 1,06%. Apesar da pausa no rali, o principal índice da B3 preserva um sólido resultado no mês de setembro de +4,40%.
No câmbio, o dólar comercial voltou a subir e fechou a R$ 5,144 (+0,11%). Em Wall Street, o desempenho foi misto, enquanto na Ásia o Banco do Japão surpreendeu ao elevar os juros ao maior patamar em 31 anos. Na renda fixa brasileira, os juros futuros (DIs) fecharam de forma mista, com leve alta nas taxas de curto prazo e recuo na cauda longa da curva. Diante desse cenário de reacomodação global e incertezas locais, convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada das nossas mesas nas seções a seguir.
Olhar Global – Japão eleva juros ao maior nível em 31 anos e Treasuries em 5% deixam Wall Street mista
O cenário internacional registrou movimentos relevantes nas políticas monetárias globais. Do outro lado do mundo, o Banco do Japão (BoJ) elevou a taxa básica de juros para 1,25% ao ano o maior nível em 31 anos, sinalizando uma mudança histórica na condução da sua política econômica. O movimento, contudo, não fortaleceu o iene frente ao dólar de forma expressiva, uma vez que a postura rígida assumida pelo Federal Reserve manteve a atratividade relativa da moeda norte-americana.
Em Nova York, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) de 10 anos voltaram a atingir a marca psicológica de 5,00% ao ano, esfriando o apetite por risco. Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, destacou que o encarecimento dos títulos soberanos é um fenômeno global, levando as bolsas europeias a encerrarem a sessão em queda.
O índice Dow Jones recuou 0,19% (semana: -1,70%)
O S&P 500 avançou 0,16% (semana: -0,18%)
O Nasdaq teve alta de 0,40% (semana: +0,72%)
Ibovespa – Bolsa encerra semana em queda de 1,06% pressionada por commodities, bancos e ruído fiscal
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão aos 185.229,17 pontos, registrando variação negativa de -0,41% no dia (perda de 762,86 pontos). Com o resultado, o Ibovespa encerrou a semana com retração de -1,06%, mas sustenta um retorno de +4,40% no mês de setembro e uma valorização acumulada em 2026 de +14,96% (com ganho de +7,68% no 3T26).
A pressão vendedora sobre o indicador foi exercida pelas papéis de maior peso relativo. A Petrobras (PETR4) cedeu 0,23%, acompanhando a queda do petróleo no exterior, e a Vale (VALE3) recuou 1,53%. No setor financeiro, a maioria dos grandes bancos caiu Bradesco (BBDC4, -0,88%), Itaú Unibanco (ITUB4, -0,59%) e Santander Brasil (SANB11, -3,47%), com exceção do Banco do Brasil (BBAS3, +1,84%), que liderou o volume financeiro do pregão.
No ambiente doméstico, os investidores demonstraram cautela diante do anúncio de reajuste no Bolsa Família, que reacendeu discussões sobre a trajetória das contas públicas. O movimento ocorreu mesmo após o Ministério do Planejamento sinalizar uma redução projetada de R$ 11,5 bilhões em gastos previdenciários no ano. Na ponta positiva da Bolsa, destacaram-se Assaí (ASAI3, +0,49%), Sabesp (SBSP3, +1,04%) e Yduqs (YDUQ3, +1,83%).
Juros – Curva de DIs fecha mista com pressão no curto prazo e leve alívio na ponta longa
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a sexta-feira apresentando dinâmica divergente entre os vértices da estrutura a termo. Os contratos de curto prazo subiram até 2,0 pontos-base, enquanto a cauda longa da curva recuou até 1,5 ponto-base.
A elevação nas taxas curtas refletiu as incertezas fiscais locais e o avanço dos rendimentos das Treasuries nos EUA (com os papéis de 2 anos subindo a 4,745%). Por outro lado, o alívio nos vértices mais longos sinalizou que o mercado segue enxergando sustentabilidade no ambiente de juros reais elevados para ancorar a inflação prospectiva.
O que isso significa para o RPPS?
Para a governança dos Regimes Próprios de Previdência Social, o acompanhamento do DI futuro é a ferramenta central no planejamento de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro atua como a taxa de desconto utilizada para precificar títulos públicos federais (como NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado. Quando a ponta longa da curva cede ou estabiliza em níveis elevados, o valor presente dos papéis mantidos em carteira passa por valorização contábil por marcação a mercado positiva, oferecendo excelentes taxas reais para o travamento de rendimentos.
Esse comportamento refletiu-se nos índices de renda fixa no encerramento da semana:
IMA-B 5+: -0,1192%
IMA-B: -0,0438%
IMA-B 5: +0,0844%
IRF-M: +0,0915%
IRF-M 1: +0,0463%
Conforme o mercado avalia, a manutenção das taxas reais em patamares atrativos favorece alocações estratégicas em NTN-Bs de prazos mais longos, garantindo a imunização do passivo e o atingimento da meta atuarial.
Dólar – Dólar comercial avança a R$ 5,144 com cautela fiscal e juros nos EUA
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,11%, cotado a R$ 5,144 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,122 e a máxima de R$ 5,166). No acumulado da semana, a moeda subiu 0,39%.
O avanço da divisa norte-americana frente ao real ocorreu na contramão do cenário internacional, onde o índice DXY registrou leve recuo de 0,04% (aos 100,20 pontos). O mercado acredita que os debates sobre os gastos públicos locais e a atratividade das taxas do Tesouro americano impulsionaram a busca pontual de proteção na moeda estrangeira.
E agora?
A semana que se inicia promete ser de intensa relevância para as sinalizações de política monetária no Brasil. Na terça-feira (22/09), o Banco Central divulgará a Ata do Copom, detalhando os fundamentos do último corte de 0,25 p.p. na Selic. Na quinta-feira (24/09), a autoridade monetária publicará o Relatório de Política Monetária (RPM), documento trimestral que apresentará as projeções de inflação até o horizonte relevante de 2028. Para fechar a semana, o IBGE divulgará o IPCA-15 de setembro na sexta-feira (25/09).
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (21/09/2026)
Principais divulgações para acompanhar hoje:
🇧🇷 08h25 – Banco Central: Relatório com as expectativas de mercado no Boletim Focus.
🇺🇸 09h30 – Fed de Chicago: Divulgação do Índice de Atividade Nacional dos EUA.
🇪🇺 12h00 – BCE: Discurso de Christine Lagarde, Presidente do Banco Central Europeu.
Aproveite o ambiente de taxas reais elevadas para revisar a estrutura de duration da sua carteira e garantir a imunização atuarial do seu instituto.
Acompanhe a repercussão do Boletim Focus no nosso Morning News.